América Latina

26 de novembro de 2010 - 15h53

Fidel: O discurso de Chávez contra a máfia imperialista


O fato ocorreu poucos dias antes da reunião de Ministros da Defesa dos países do hemisfério, em Santa Cruz, na Bolívia, onde o presidente Evo Morales fez sua forte denúncia, em 22 de novembro.

Mas não se tratava de uma campanha midiática caluniosa - algo comum na política imperialista -, mas de uma atividade conspiratória que, certamente, conduziria a Venezuela a um derramamento de sangue inevitável.

Pela experiência vivida ao longo de muitos anos, eu não tenho a menor dúvida do que iria acontecer na Venezuela, se Chávez fosse morto. Isso não teria que partir de um plano prévio contra o presidente; bastaria vir de um perturbado mentalmente, um usuário habitual de drogas ou a violência imposta nelo narcotráfico nos países da América Latina, para gerar na Venezuela um problema extremamente grave.

Analisando o fato do ponto de vista político, as atividades e os hábitos da oligarquia reacionária, dona de poderosos meios de comunicação, incentivada e financiada pelos Estados Unidos, conduziriam inevitavelmente a confrontos sangrentos na ruas da Venezuela, como é a intenção clara da oposição venezuelana, semeadora de ódio e atos de violência a olhos vistos.

Guillermo Zuloaga - proprietário de um canal de televisão opositor à revolução bolivariana e um fugitivo da justiça venezuelana - é um dos conspiradores que participaram da reunião de congressistas convocada por Connie Mack e Ileana Ros-Lehtinen - de origem cubana e filiação batistiana -, mais conhecida pelo nosso povo como "a loba feroz", por sua conduta repugnante na época do seqüestro de Elián González e sua recusa a entregar a criança ao pai.

A congressista republicana é um símbolo de ódio e ressentimento contra Cuba, Venezuela, Bolívia e outros países da Alba; quase com toda certeza, o Congresso dos Estados Unidos a elegerá presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados; foi uma defensora do governo golpista de Honduras, repudiado pela maioria dos países da America.

O governo bolivariano da Venezuela estava ante um sério e provocador desafio. Era uma questão muito delicada. Me perguntava qual seria a reação de Chávez. A primeira resposta enérgica partiu de Evo Morales, em seu discurso brilhante e sincero que nosso povo já conhece hoje. Dois dias atrás, na terça-feira 23, foi anunciado que Chávez abordaria o tema na Assembleia Nacional.

O ato foi convocado para as cinco horas da tarde e começou quase exatamente na hora marcada. Os discursos feitos lá foram enérgicos e precisos. Todas as atividades aconteceram em apenas duas horas e alguns minutos. Os venezuelanos haviam levado muito a sério o problema.

Chávez começou mencionando os nomes de várias pessoas presentes e, depois de brincar com a nova campeã mundial de Katá e com o jogo entre dois times profissionais de beisebol, entrou gradualmente no assunto:

"Eu vou, na verdade, na verdade, na verdade, ser breve. Foi dito que aquele documento que o deputado Roy leu... Obrigado, Roy, Roy Daza, por esta leitura, este documento, não apenas em defesa da Venezuela, como já foi dito aqui, Eva (Golinger) disse... Não. Estamos aqui saindo em defesa da pátria humana; alguém poderia dizer, inclusive, em defesa da possibilidade humana.

"Eu trouxe alguns livros [...] Esse foi o mesmo exemplar, já está um pouquinho desgastado, que eu levantei lá nas Nações Unidas: (um livro de Noam) Chomsky, Hegemonia ou Sobrevivência - sigo recomendo este livro: A estratégia imperialista dos EUA, Noam Chomsky. Eva o mencionou e lembrou-nos deste nobre do pensamento crítico, do pensamento criador, da filosofia, da luta pela humanidade.

"Tenho aqui a continuação deste, Estados falidos: o abuso de poder e o ataque à democracia. Aqui, nada mais, nada menos, Chomsky argumenta que o primeiro estado fracassado neste mundo é o estado norte-americano, um Estado falido, uma ameaça real para todo o planeta, para todo o mundo, para a espécie humana".

"Aqui há uma parte da entrevista, das conversas, onde Chomsky faz reflexões sobre a América Latina e sobre a Venezuela, de maniera muito corajosa, muito objetiva e generosa, defendendo o nosso processo revolucionário, defendendo o nosso povo, defendendo o direito que temos e estamos exercendo de construirmos o nosso próprio caminho, como todos os povos do mundo o têm, e o império ianque ignora este direito e pretende continuar ignorando.

"No mesmíssimo capitólio federal, na mesmíssima Washington, se reuniu, se instalou uma cúpula de terroristas; uma cúpula, uma patota - diriam os argentinos, e nós também, venezuelanos, falamos de patota -, uma verdadeira patota de delinquentes, fraudadores, terroristas, ladrões, malandros, que se juntaram e, apoiados por "prestigiosas" figuras do estabelecimento, do establishment, não só das correntes da extrema-direita republicana, mas também do Partido Democrata, lançaram - como já foi dito aqui, Eva disse, Roy disse no documento maravilhoso que leu, um documento de Estado, um documento nacional - abertamente uma ameaça contra a Venezuela, contra os países e os povos da Aliança Bolivariana.

"Saudamos daqui Evo Morales, valente companheiro, camarada, e o povo da Bolívia. Saudamos daqui Rafael Correa, valente companheiro, camarada, e o povo equatoriano. Saudamos daqui Daniel Ortega, esse comandante presidente, valente companheiro, camarada, e o povo da Nicarágua. Saudamos daqui Fidel Castro, Raúl Castro e esse valente povo cubano. Saudamos daqui todos os povos do Caribe, Roosevelt Skerrit e o povo da Dominica, líderes corajosos; São Vicente e Granadinas; Ralf Gonçalves, Spencer, e os povos da Alba, a Aliança Bolivariana, seus governos, nossos governos, e, claro, daqui, ao bravo povo da Venezuela, o nosso compromisso e nosso chamado à unidade e a continuar lutando pelo futuro da pátria, pela independência, cuja ata original - já disse nossa presidente Cilia- aí está: o registro original de 200 anos atrás.

"Estamos entrando agora em 2011, preparemo-nos de todos as formas: espiritual, política, moral, para comemorar os 200 anos daquele primeiro Congresso, daquela primeira Constituição - a primeira da América Latina -, daquele nascimento da Primeira República, o nascimento da nação venezuelana - muito mais que 5 de julho, é todo o 2011 - e o início da guerra revolucionária de independência que primeiro comandou Miranda, depois Bolívar e, em seguida, os grandes homens e mulheres que nos deram a pátria.

"O documento que Roy Daza lia começa citando Bolívar, em uma carta ao agente Irving, um agente norte-americano que veio aqui para reclamar aqueles barcos que Bolívar e suas tropas apreenderam no Orinoco, porque os EUA enviavam armas e suprimentos.

"Não é novo, Eva, não é novo tudo isso que você denuncia aí, de eles enviarem milhões de dólares, apoio logístico. Não. Desde aquela época, o governo dos Estados Unidos enviava armas e suprimentos para as tropas imperialistas da Espanha. E é famoso. Assim o repassa em parte, esse bom escritor cubano, Francisco Pividal, em outro livro que eu nunca deixo de recomendar: Bolivar, pensamento precursor do anti-imperialismo. Se lê como um tiro. E há um conjunto de citações maravilhosas aqui. E você assinalava uma.

"Mas em algumas partes de algumas dessas cartas de Bolívar a Irving - creio que foi a última que ele enviou -, quando Irving já começava a ameaçar o uso da força, Bolívar disse: Eu não vou cair em provocação, nem nessa linguagem. Eu só quero dizer-lhe, Sr. Irving - por aí está escrito, vou parafrasear, porque é a idéia, é a dignidade de nosso pai Bolívar o que se impõe, o que importa neste salão cheio de magia, cheio de símbolos, cheio de pátria, cheio de sonhos, cheio de esperança, cheio de dignidade. Bolívar lhe disse: Saiba você, Sr. Irving, que mais da metade, ou a metade - era 1819 e já se ia quase uma década de guerra até a morte -, ou quase a metade dos venezuelanos e venezuelanas morreram na luta contra o império espanhol, a outra metade dos que aqui ficaramos estamos ansiosos para seguir esse mesmo caminho se a Venezuela tiver que enfrentar o mundo inteiro por sua independência, sua dignidade.

"Esse era, esse é Bolívar, e aqui estamos seus filhos, suas filhas, dispostos ao mesmo. Se o império ianque, com todo seu poderio, do qual rimos, não, há que levá-lo a sério - como bem nos recomenda Eva -, decide agredir, continuar agredindo e agredindo abertamente a Venezuela para tentar impedir essa revolução, aqui estamos dispostos, saibam, senhor império e suas personificações, que aqui nós estamos dispostos ao mesmo: a morrermos todos por esta pátria e sua dignidade!

"Haveria que se perguntar, essa cúpula do terrorismo que se reuniu em Washington, alguns venezuelanos, bolivianos, genocidas - como se perguntava ontem um bom jornalista em uma entrevista -, seria bom saber que passaporte estão usando esses criminosos, por onde entraram, se alguns deles estão no código vermelho da Interpol. Fácil chegaram e chegam e caminham pelas ruas de Washington, que lhes acolhem. Por isso tem razão Noam Chomsky. Repito junto a Noam Chomsky: O Estado dos EUA é um Estado falido que atua fora da lei internacional, não respeita absolutamente nada e se sente, além disso, com o direito de fazê-lo, não presta contas a ninguém. É uma ameaça não só para a Venezuela e para os povos do mundo, mas para seu próprio povo, povo que é constantemente agredido por esse estado anti-democrático.

"Olhem, aqui só um resumo. Wikileaks, se lembram, certo?
"O que dirá essa senhora representante , fascista, que nos chama, a Evo, Correa e eu, de bandidos? Foragida é ela, e bem poderia um tribunal venezuelano solicitar a extradição dessa fugitiva por estar cometendo delitos e conspirando, e muitas outras coisas, contra a soberania de nosso país. É uma foragida. Assinalá-la ante o mundo é o que resta, e outros bandidos.
"O que dirão esses bandidos sobre isso, por exemplo?

"Leio: 'O que dirá o Parlamento norte-americano sobre esses relatórios, sobre esses documentos que eram secretos e foram agora publicados neste site Wikileaks? O que significa Wikileaks? Assim como Chávez Candanga.

"'Em 15 de março de 2010, Wiki Candanga tornou público um informe do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Nele, que tratava de várias divulgações, protagonizadas por esta página, relacionadas aos interesses dos EUA, e propunha várias formas de marginalizá-la: o vídeo de assassinatos de jornalistas'. Aqui estão alguns dos documentos, que são públicos. Era preciso ver se alguma autoridade dos EUA toma qualquer iniciativa ante esses crimes, ou estes supostos crimes, certo? Não sou o juiz para determinar isso. Supostos crimes graves cometidos por cidadãos de seu país, civis, militares, pelo seu governo.

"Leio: 'Em 05 de abril de 2010, Wikileaks publicou um vídeo que mostra como as soldados estadunidenses assassinam o repórter da Reuters, Namir Noor-Eldeen, seu assistente e outras nove pessoas. Se vê claramente que nenhuma das pessoas ameaçava atacar o helicóptero Apache a partir do qual foram alvejadas. Embora a agência de notícias Reuters tenha solicitado em numerosas ocasiões, o vídeo sempre lhe foi negado, até que Wikileaks conseguiu esse vídeo inédito que pôs xeque o aparato militar dos EUA.'

"Bem, posto em xeque por assim dizer, não é? Pelo menos moralmente.

"Mais uma vez, o que dirão as Nações Unidas? O que aconteceria se isso ocorresse em alguns dos países da Alba? O quê? O que dirá a OEA, o que vai dizer o Conselho de Segurança da ONU, o Conselho de Direitos Humanos? O que dirá a tristemente célebre Corte Internacional dos Direitos Humanos? Para que vejamos a dupla moral com que se medem aqui direitos humanos, o respeito à vida, o terrorismo e todos esses fenômenos.

"Diários de guerra no Afeganistão também foram publicados. Registros da guerra do Iraque. Fixem-se nesta frase: '22 de outubro de 2010' - há poucos dias - 'Wikileaks torna público em seu site um compêndio chamado Documento da guerra no Iraque, com 391.831 documentos que vazaram do Pentágono, sobre a guerra do Iraque e sua ocupação, entre 01 de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2009, nos quais são revelados, entre outras coisas, o uso sistemático das torturas, a cifra de 109.032 mortos no Iraque - dos quais 61.081 eram civis, o equivalente a 63%; 23.984 'inimigos rotulados como insurgentes', 15.196 chamados 'do país anfitrião'. Que maneira de visitar um país! 'E 3.771 mortos 'amigos', forças da coalizão. Os documentos revelam que a cada dia, morreram 31 civis, em média, durante um período de seis anos'.

"Quem investiga isso? Quem é responsável por isso? Não, é o império, é o Estado falido norte-americano. Leio esta frase: 'Estes documentos que estão organizados em ordem cronológica e por categorias descrevem ações militares mortais que afetam o Exército dos Estados Unidos, incluindo o número de mortos, feridos e detidos, como resultado dessas ações, bem como a localização geográfica exata de cada evento; além disso, detalha as unidades militares envolvidas e as armas utilizadas'. Detalhes suficientes para uma investigação.

"O que dirá o Congresso dos Estados Unidos sobre este assunto? Lá está nosso embaixador em Washington. És ainda embaixador lá? Sim, é embaixador. Que saibamos aqui, não se disse nada, certo?

"Aqui diz: 'A maioria dos registros do diário foram escritos por soldados e membros dos Serviços de Inteligência, que escutavam os relatos transmitidos por rádio a partir da linha de frente de combate.

"'Vítimas civis provocadas pela força de coalizão. Ao mesmo tempo - diz aqui -, veio à luz um grande número de ataques e mortes, em conseqüência dos disparos das tropas contra motoristas desarmados, ante o temor de que estes fossem terroristas suicidas.

"'Um relatório detalha como uma criança foi assassinada e outra ficou ferida quando o carro em que viajavam foi alvejado por soldados. Em compensação por este ataque, pagaram para suas famílias 100 mil afeganis pela criança morta, 1.600 euros'. O capitalismo paga 20 mil afeganis, 335 euros, por ferido, e 10 mil afeganis, 167 euros, por veículo. E a tudo isso chamam, nos relatórios, de 'pequenas tragédias', 'pequenas tragédias'. Esta é a grande ameaça, a maior ameaça que o mundo vive hoje.

"O império ianque, sem dúvidas, entrou numa fase de declínio político, econômico e, acima de tudo, ético; mas quem pode negar o seu grande poderio militar, que, conjugando estes fatores, o converte no mais poderoso império da história da Terra, em uma ameaça muito maior para nossos povos. O que nos resta? Também já foi dito: unidade, unidade e mais unidade.

"O Congresso dos Estados Unidos vai ser, a partir de janeiro, um Congresso da extrema direita? Bem, o Parlamento da Venezuela, a partir de 05 de janeiro, deve ser de extrema esquerda.

"E eu faço um chamado aos deputados e deputadas eleitos pelo povo, pelos movimentos populares, movimentos sociais, os partidos da revolução, que têm um forte compromisso a partir de 05 de janeiro.

"De fato, é inédito, e Eva nos lembra. Como é que aqui ainda continua sendo permitido que nós, tendo essa constituição - quanto custou, quantos anos de batalha, quanto suor, quanto sangue, quantos esforços; aqui está muito claramente estabelecido, também está ali na primeira constituição, a primeira ata de independência e nossa primeira constituição, somos um país soberano - sob pena de que nos chamem novamente de 'a pátria boba ou a revolução boba" ou, se queremos usar uma expressão mais popular, de 'a revolução estúpida'... Como nós vamos permitir que partidos políticos, ONG's, personalidades da contrarrevolução continuem a ser financiados com milhões e milhões de dólares do imperialismo ianque e caminhem por aí fazendo uso da plena liberdade de abusar e violar nossa Constituição e de tentar desestabilizar o país?

"Imploro que se faça uma lei muito severa para impedir isso. Essa deve ser a forma como nós devemos reagir à agressão imperial, à ameaça imperial, radicalizando posições, não afrouxando absolutamente nada, ajustando posições, fincando o passo, consolidando a unidade revolucionária. Não só um Parlamento muito mais à esquerda, muito mais radicalmente à esquerda. Necessitamos de um governo muito mais radicalmente à esquerda, uma força armada, general Rangel - general-em-chefe, que será empossado no fim do sábado, que é dia 27 de novembro, Dia da Força Aérea -, muito mais radicalmente revolucionária, junto ao povo.

"Não deve haver lugar em nossas fileiras civis, militares, para as meias-medidas. Não, uma única linha: radicalizar a revolução! Isso deve sentir essa grosseira burguesia apátrida. Esta burguesia venezuelana, sem vergonha e sem pátria, deve sentir, deve saber que não é gratuito que um de seus mais notáveis representantes vá ao mesmíssimo Congresso do império para arremeter contra a Venezuela e que siga tendo aqui um canal de televisão. E assim por diante, e assim por diante! A burguesia venezuelana deve saber que vai custar caro a agressão contra o povo, e que não andará passeando por aí.

"Lembro - olha ali José Vicente Rangel, Maduro e seu colega, obrigado por acompanhar-nos - quando, no governo de Betancourt, foram detidos, inclusive sem julgamento prévio, deputados dos partidos de esquerda, que, sem qualquer evidência, foram levados à prisão, e tiraram sua imunidade parlamentar.

"Em poucas semanas vai entrar nesta sala um grupo de deputados de extrema-direita. Bem, só é preciso recordar que aqui há uma Constituição. Houve uma época em que proibiram o Partido Comunista da Venezuela, e muitos outros partidos, e implodiram a imunidade parlamentar de muitos deputados, mesmo sem provas. Alguns foram para as montanhas, como o grande Fabricio Ojeda, que renunciou a seu assento e foi para a montanha para dar o sangue pela revolução e pelo povo. Imagino que este digno Parlamento não vai aceitar, tendo a representação majoritária das forças populares, que aqui venha a força de extrema-direita tentar subverter a ordem constitucional. Suponho que o Estado, estou certo que o Estado irá ativar todos os mecanismos para defender a Constituição e a lei ante as agressões que não irão demorar.

"Em suma, a ameaça... Como é que chamaram o evento dos terroristas? 'Ameaça nos Andes', não, Nicolás? 'Perigo nos Andes'. É como o título de um filme, 'Perigo nos Andes'; perigo no mundo advertiria ou alertaria melhor, o perigo é mundial.

"Agora mesmo há uma situação, neste momento, lá na Península Coreana. Quando vim para cá, as notícias ainda estavam confusas, como confuso foi o naufrágio do navio da Coreia do Sul, o Cheonan; mas logo surgiram evidências de que foi afundado pelos EUA. Agora, em uma pequena ilha, naquela península dividida pelo império ianque, invadida, devastada por anos, há uma situação de guerra, bombas, mortos e feridos.

"Fidel Castro vem, há vários meses, alertando sobre os graves riscos de uma guerra nuclear. Recentemente eu estive lá novamente e ele me explicava, desenvolvia seu pensamento - já o conhecemos bastante, mas, claro, não há nada melhor que conversar - e me dizia: 'Chávez, qualquer tiro nessa área, cheia de armas de destruição em massa, de armas atômicas, pode se transformar em uma guerra que poderia ser, em primeiro lugar, convencional ... ", mas ele está convencido de que vai diretamente dar em uma guerra nuclear, que poderia marcar o fim da espécie humana. Assim, o perigo não está nos Andes, esquálidos de Washington, o perigo é global.

"Aqui na Venezuela, como Eva dizia, se ascendeu uma luz, e na América Latina se ascendeu outra, outra e, mais uma vez. Nós podemos dizer hoje - não que a Venezuela, não - : "A América Latina é um continente de esperança e o império ianque não pode fechar as portas da esperança.

"A nós, venezuelanos e venezuelanas, sempre nos coube, por algum motivo, ou por algumas razões de sinais diferentes, estar na vanguarda das lutas, há séculos.

"Vejo lá o retrato de Miranda, de Bolívar, vejam lá Martín Tovar y Tovar, Carabobo, e tudo isso Roy lia ou dizia com paixão: Vai aqui, em nos nossos genes, no nosso sangue. Parafraseando Mao, o Grande Timoneiro.

"Esse império, esse Estado falido que são os Estados Unidos, apesar de seu imenso poder, de suas ameaças, vai acabar sendo um gigantesco tigre de papel, e nós estamos obrigados a nos convertermos em verdadeiros tigres de aço, pequenos tigres de aço, invencíveis, indomáveis.

"Senhora presidente, eu prometi ser breve, eu disse no início e repito: Eu acho que tudo o que tinha a dizer aqui já disseram Eva Golinger, corajosa mulher, e este valente cavalheiro Roy Daza, neste documento que agora entendo que vai circular pelos quatro cantos da Venezuela, e mais além, pela América Latina.

"Agradeço o convite para este evento, agradeço o gesto, e, apenas como mais um, me somo a este enorme batalhão, por assim dizer, em defesa da Venezuela, a defesa da pátria venezuelana.

"Olhando para o quadro, mais que um quadro, para a obra monumental de Tovar y Tovar,  vê-se a infantaria lá e vê-se a cavalaria lá. Tiremos inspiração de lá: Infantaria, calar baioneta, a passo redobrado! Cavalaria, a galope, em defesa da pátria bolivariana, da Aliança Bolivariana, de nossos povos!

"Abaixo o império ianque", exclamou, por fim, e saldou com vivas a Alba, a Pátria e a Revolução. Não há a menor dúvida de que Chávez, um homem de profissão militar, mas muito mais apegado à persuasão e ao diálogo que à força, não hesitará em impedir que a direita pró-imperialista e anti-patriótica lance venezuelanos ludibriados contra a força pública para ensanguentar as ruas da Venezuela.

Na Bolívia e na Venezuela, a máfia imperialiasta recebeu uma resposta tão clara e vigorosa como talvez nem imaginasse.


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