Brasil

14 de setembro de 2010 - 16h04

Montenegro (Ibope): Dilma está mais preparada do que eu esperava


Sobre o debate de domingo (12), da Rede TV!/Folha de S.Paulo, Montenegro avalia que "foi um debate muito tenso, mas acho que a Dilma Rousseff se saiu muito bem. Melhor do que os outros".

"Primeiro, porque todos preferem formular perguntas a ela, e acaba que a candidata do governo tem muito mais exposição que os outros. O debate vira uma grande entrevista da Dilma. Depois, porque ela soube lidar com as características de cada um dos adversários: brincou com as brincadeiras do Plínio de Arruda Sampaio; foi simpática com a Marina Silva, que é mulher como ela e participou do mesmo governo; e, sobretudo, encarou o José Serra com altivez", avaliou o presidente do Ibope.

Ele disse ainda que no caso do Serra, "a Dilma deu-lhe uma pancada que o deixou até meio desconcertado". "Foi na hora em que ele falou do Irã, e ela respondeu que os EUA se deram mal em tratar os árabes com soberba. Ela conseguiu fazer a ligação entre a soberba americana e a soberba do Serra. Acho que ali ele quase foi a nocaute".

Montenegro acha que a história de quebra de sigilos, denúncias contra a sucessora de Dilma na Casa Civil e os ataques sistemáticos da oposição e da mídia contra a candidata do presidente Lula "isso tudo está tornando a Dilma uma vítima das elites. Ela está até ficando mais humana, mais simpática".

"Eu mesmo, que não morria de amores por ela, estou começando a gostar. Ela está se mostrando mais preparada do que eu esperava. E estou começando a sentir pena do cerco que a mídia está fazendo. Parece que esse negócio de democracia só é aceito por determinados setores quando eles estão vencendo…", concluiu Montenegro.

Refazendo análise

Há um ano, Carlos Augusto Montenegro declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faria o sucessor, apesar da alta popularidade. Na ocasião, o responsável por um dos mais tradicionais institutos de pesquisas do País assegurava que o presidente não conseguiria transferir seu prestígio pessoal para um “poste”, como tratava a ex-ministra Dilma Rousseff.

Mas como todo bom analista político que adapta suas análises à realidade concreta, e respaldado por números apresentados em pesquisas diárias, Montenegro fez, em entrevista recente à revista IstoÉ, um mea-culpa. “Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana”, afirmou. “O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff.”

Segundo Montenegro, a ex-ministra da Casa Civil vem se conduzindo de forma convincente e confirma, na prática, o que o presidente disse sobre ela na histórica entrevista concedida à ISTOÉ na primeira semana de agosto: “Lula acertou. Dilma é um animal político. Está mostrando muito mais capacidade do que os adversários.”

Para Montenegro, "Dilma tem 80% de chances de resolver a eleição no primeiro turno. Mas, se não for eleita agora, será no segundo turno".

Na entrevista, Montenegro descreve o que ele avalia como sendo a principal razão para o provável êxito eleitoral do campo lulista. "O Brasil nunca viveu um momento tão bom. E as pessoas estão com medo de perder esse momento. O Plano Real acabou derrotando o Lula duas vezes. Mas o Lula, com o governo dele, sem querer ou por querer, acabou criando um plano que eu chamo de imperial. É o império do bem, em que cerca de 80% a 90% das pessoas pelo menos subiram um degrau. Quem não comia passou a comer uma refeição por dia, quem comia uma refeição passou a fazer duas, quem nunca teve crédito passou a ter crédito, quem andava a pé passou a andar de bicicleta ou moto, quem tinha carro comprou um mais novo e quem nunca viajou de avião passou a viajar. Os industriais também estão felizes, vendendo o que nunca venderam. Os banqueiros idem", relatou.

Por fim, Montenegro disse que está provado que o modelo da oposição não deu certo. "Talvez ganhe em alguns Estados importantes, como São Paulo, Minas, Paraná e Goiás. Sempre terá um papel importante. Mas essa eleição mostra que está na hora de uma reforma política. É preciso diminuir o número de partidos. Os programas partidários também precisam ser mais respeitados. Os partidos são os pilares da democracia", concluiu.

Com agências


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