Movimentos

31 de maio de 2010 - 16h34

CMS reúne 3 mil e aprova Projeto Brasil 2010


Leonardo Severo/CUT
A quadra dos bancários ficou lotada durante a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, nesta segunda-feira (31/5), em São Paulo (SP) A quadra dos bancários ficou lotada durante a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, nesta segunda-feira (31/5), em São Paulo (SP)

"Essa Assembleia é uma forte, uma contundente demonstração de unidade dos movimentos populares do campo e da cidade que enviam um recado bastante claro: queremos consolidar as mudanças dos últimos anos, ampliar as conquistas, avançar nas mudanças que ainda faltam e impedir qualquer retrocesso", explica Antonio Carlos Spis, um dos coordenadores da mesa, membro da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Comitês Populares de Campanha

A outra coordenadora da mesa da Assembleia, Lúcia Stumpf, da União Brasileira de Mulheres (UBM), acredita que o próximo passo é a formação de “comitês populares de campanha”. Os comitês seriam “iniciativas do próprio movimento social, que se organizem não em torno de candidaturas, mas que sejam organizações nas quais o povo se encontre e tenha uma atuação baseada no Projeto Brasil”.

O Projeto Brasil 2010, aprovado na Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais, é a plataforma unificada das entidades da CMS para debater com a sociedade, aproveitando o clima favorável ao debate político proporcionado pelas eleições. Mas os integrantes da CMS fazem questão de reforçar que não se trata de uma plataforma exclusivamente eleitoral, visto que trata de pautas centrais ao desenvolvimento do Brasil. Além do documento, a CMS aprovará um conjunto de ações na sua próxima reunição da operativa, em 11 de junho, com o objetivo de pautar ações unificadas dos movimentos sociais durante o período eleitoral.

Pautas e bandeiras

As diversas entidades que compõem a CMS se manifestaram no plenário lotado da quadra dos bancários. A atividade contou com a participação de pelo menos 20 estados . As falas foram no sentido de defender as reformas estruturais para o Brasil, há anos debatidas pela CMS – Reformas Urbana, Agrária, Educacional, Política, Tributária e a Democratização dos Meios de Comunicação. Outro ponto unificado e citado por praticamente todas as entidades foi o combate à criminalização dos movimentos sociais.

A solidariedade internacional também foi um tema recorrente, especialmente a valorização da integração solidária da América Latina, apoio a Cuba e à Palestina. O combate à homofobia, ao machismo e ao racismo se fizeram presentes na maioria das falas, reforçando o caráter emancipacionista da plataforma aprovada.  

30 mil na Conclat

Em todas as falas do período da manhã, as lideranças citaram ainda a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), que ocorre nesta terça-feira (1/6), no Estádio do Pacaembu. A expectativa é que o encontro reúna mais de 30 mil militantes do movimento sindical.

Em sua intervenção, o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Augusto Chagas, disse que o Brasil ainda possui importantes contradições a serem superadas, como “pagar mais juros que investir em áreas sociais (...), enfrentar os barões da comunicação e enfrentar os interesses da terra”. Em seguida, defendeu a bandeira de 50% do Fundo do pré-sal para a educação e finalizou dizendo que o papel dos movimentos sociais é “arrancar das mãos da burguesia brasileira mais conquistas, mais direitos!”.

A bandeira da verba do pré-sal para a educação foi defendida também pelo presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Yann Evanovick e pela representante da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), além do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), que falou em nome de todos os parlamentares presentes.

Pós-Lula

A presidente da Confederação Nacional de Associações de Moradores (Conam), Bartíria Costa, convocou as entidades a defenderem o “aprofundamento do processo iniciado em 2002”, referindo-se à eleição do governo Lula. Na mesma linha, a vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Márcia de Almeida Machado e o presidente da CUT, Arthur Henrique, defenderam a eleição da pré-candidata Dilma Rousseff como elemento fundamental ao avanço do projeto de Brasil dos movimentos sociais.

O representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, falou em seguida, declarando: “não viemos fazer comício para a Dilma, mas é bom dizer, para que não fiquem dúvidas: todos aqui queremos derrubar os tucanos em todo o país, porque representam o atraso, o retrocesso”. O líder do MST descreveu a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais da CMS como uma “grande mobilização em defesa das causas populares desses movimentos que estão aqui, que ajudaram a derrubar o neoliberalismo e a Alca”.

Falaram, ainda, na mesa da CMS: Edson França, da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), representando o conjunto do movimento negro; o Ditinho, da Central dos Movimentos Populares (CMP), o Bira da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), a Soninha da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), a Gilvânia, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Paulinho da Força Sindical, representando o Fórum das Centrais, que organizam a Conclat na terça-feira (1/6).

Após as falações da mesa, foram lançadas duas campanhas: Cartão ao trabalho infantil, apresentada pelo professor Paulo de Lara, e a Campanha contra as bases militares estrangeiras na América Latina, apresentada pela presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes. Em seguida, foram abertas as falas ao plenário.

Divulgando o Projeto Brasil

Foram feitas propostas de adendo ao documento, que serão incorporadas na próxima reunião da operativa da CMS, marcada para 11 de junho, quando também serão debatidas ações da CMS de divulgação do Projeto Brasil. As principais propostas são de envio do documento a presidenciáveis e formação de comitês populares de campanha do Projeto Brasil.

De São Paulo, Luana Bonone



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