Brasil

3 de maio de 2010 - 9h29

 Índices de criminalidade voltam a subir em São Paulo


O número de assassinatos praticados na cidade de São Paulo cresceu 23% no primeiro trimestre deste ano – e último do Governo José Serra (PSDB) -, em comparação com o mesmo período de 2009, ao mesmo tempo em que aumentou 7% no estado, segundo a própria Secretaria estadual da Segurança Pública. Os dados oficiais informam que, de janeiro a março, 376 pessoas foram assassinadas na capital paulista – em média, mais de quatro por dia -, e 1.224 foram mortas no estado – em média, mais de 13 a cada dia.


Nota divulgada sexta-feira pela Secretaria da Segurança classificou os aumentos dos homicídios como “oscilações” indicativas de que “os esforços do governo, das polícias e da sociedade devem ser renovados continuamente com a adoção de novas, mais modernas e eficientes estratégias”. No primeiro trimestre, os eventuais “esforços” do Governo Serra foram notoriamente frustrados. Além de mais assassinatos, houve mais roubos a bancos – aumento de 16% – e mais casos de extorsão mediante seqüestro – aumento de 25% – geralmente atribuídos a organizações criminosas. Só a incidência de crimes contra o patrimônio foi reduzida – em 22%.

O crescimento da violência nas cidades paulistas, durante o primeiro trimestre, dá continuidade a uma escalada da criminalidade já imposta à população em 2009 – 3º ano do Governo Serra e 15º de sucessivos governos do PSDB. O balanço anual apresentado pela Secretaria de Segurança evidenciou que São Paulo se tornou um estado mais inseguro para a população, com mais roubos, mais assaltos seguidos de assassinato, mais assassinatos, mais seqüestros, mais estupros, mais furtos de veículos. Em resumo, todos os índices que formam o cenário de criminalidade pioraram no ano passado, comparativamente a 2008. Vale rever os dados:

a) O volume de ocorrências registradas por furto de veículos aumentou quase 73%. Foram 60.969, em 2008, e 105.341, no ano passado.

b) Os casos de extorsão mediante seqüestro cresceram quase 40% – de 61, em 2008, para 85.

c) O número de ocorrências de roubo (257.004) foi 18% superior ao de 2008 (217.967) – e foi também o maior registrado na história de São Paulo. O recorde anterior (248.406) ocorreu também num governo tucano – de Geraldo Alckmin – em 2003.

d) O número de homicídios dolosos (em que há intenção de matar) foi mais de 4% superior ao de 2008. Subiu de 5.412, em 2008, para 5.650.

e) Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) aumentaram quase 14% – de 267, em 2008, para 304.

f) A polícia paulista matou mais gente. Em 2008, 431 pessoas foram mortas em confrontos – supostos ou não – com policiais. Em 2009 o número de mortos aumentou para 549 – 27% a mais.

g) O número de estupros aumentou. Comparados apenas os últimos trimestres de 2008 e 2009, sob a vigência de novas regras na lei de estupro, os casos registrados em todo o estado aumentaram de 925 para 2.338.

Dois dias depois de divulgados esses números, Serra atribuiu o aumento da criminalidade à crise econômica e ao desemprego. Agora, nem o o então governador, nem o sucessor de Serra no governo, Alberto Goldman (PSDB), e nem qualquer autoridade do setor de Segurança Pública animaram-se ainda a expor alguma explicação para o crescimento da violência em São Paulo. Em típica atitude preventiva, o pré-candidato tucano à Presidência anunciou, há poucos dias, a intenção de criar um ministério para a Segurança Pública, caso seja eleito.

Fonte: Brasília Confidencial

Leia também: Debate sobre segurança traz à tona fracasso de Serra em SP

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