Brasil

6 de março de 2010 - 9h21

Perto do fim, governo Serra enfrenta onda de protestos e greves


Nesta sexta-feira, os professores da rede estadual decidiram paralisar as escolas. Pela manhã, em várias cidades do estado, os docentes já tinham aderido à greve. Os servidores da saúde também fizeram uma passeata pela manhã e entraram em “estado de greve”. Os policiais também ameaçam com paralisações. Os movimentos dos servidores têm sua data-base em março

“Nossa greve é salarial. Não adianta o PSDB tentar colocar o bode na sala. Não temos motivação eleitoral alguma. Queremos aumento salarial e avisamos há dois meses que, se não dessem reajuste, a categoria entraria em greve”, advertiu Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores paulistas.

O protesto foi motivado pela proposta, feita pelo governo, de incorporar as gratificações ao salário dos professores. Com esse projeto, o reajuste salarial da categoria ficaria em apenas 0,27% para professores até a 4ª série do ensino fundamental, além de 0,59% para os professores da 5ª série do ensino fundamental ao ensino médio.

Em nome da categoria, a Apeoesp e outras entidades representativas reivindicam um reajuste salarial de 34,3% para todos os professores. Com a greve, os professores pressionam a gestão José Serra (PSDB) a iniciar um processo de negociação para o reajuste dos salários.

“Serra engana e destrói”

Em assembleia realizadas em frente à Secretaria Estadual de Educação, na Praça da República, centro da cidade de São Paulo, a categoria decidiu paralisar as atividades a partir da próxima segunda-feira (8). De acordo com a Apeoesp, nesta sexta-feira cerca de 60% das escolas paulistas já paralisaram suas atividades. Na segunda-feira, os professores foram orientados a irem para as escolas convencer aqueles que ainda não aderiram à paralisação.

Cerca de 10 mil professores participam da manifestação, levantando cartazes com dizeres como “Governador, quer entrar na presidência? Faz a provinha”. Vestida com uma toga, Minervina de Almeida Prado da Cruz reclamava que Serra tem deixado muitos professores sem sala de aula, sem reajustes salariais e os alunos em más condições: “Serra engana e destrói”.

A paralisação deve permanecer até a próxima sexta-feira (12), quando ocorre uma nova assembleia para avaliação e definição dos rumos a serem tomados. O local escolhido para o encontro foi o vão do Masp, na avenida Paulista, de onde os organizadores esperam sair em passeata.

Em nota divulgada na noite desta sexta-feira, a Secretaria Estadual da Educação ignorou as reivindicações legítimas dos professores e classificou a aprovação da greve como “uma decisão política”. É mais uma demonstração de que o governo Serra não está nada disposto a travar diálogo com os trabalhadores.

Além da Apeoesp, também aprovaram a greve entidades como Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo), Apase (Sindicato de Supervisores do Magistério no Estado de São Paulo), CPP (Centro do Professorado Paulista), Afuse (Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo) e Apampesp (Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo).

Protesto na Saúde

Também na sexta-feira, centenas de servidores da rede de saúde fizeram uma passeata em São Paulo. Além de reajustes, eles reclamam que Serra promove um sucateamento do sistema em todo o estado. Segundo a categoria, as terceirizações no sistema prejudicam servidores e pacientes. Foi adotado o estado de greve, e os trabalhadores se preparam para montar um calendário com as paralisações.

O protesto durou cerca de três horas. A concentração começou em frente à Secretaria de Estado da Saúde, junto ao Metrô Clínicas, na Zona Oeste. Dali, o grupo partiu em direção à Avenida Paulista e encerrou o protesto na Rua Bela Cintra, na Bela Vista, em frente ao prédio da Secretaria de Gestão Pública.

Da Redação, com agências


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