Fale Conosco | Marxismo + Brasil | Editorial | Busca: 

PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

 
 

PCdoB

VIDA PARTIDÁRIA
PCdoB em movimento: todos com tarefas na ação política
Para o Secretário Nacional de Organização do PCdoB, próximas atividades devem imprimir maior zelo na vida partidária
Priscila Lobregatte entrevista Walter Sorrentino


Sorrentino: nenhum militante ou organização partidária
sem planos de atuação
Ano emblemático O PCdoB se propôs a capitalizar amplamente suas condições mais favoráveis para a luta política no país a partir da reeleição do presidente Lula, objetivo sinteticamente fixado na idéia de maior ousadia: nas mudanças, no governo Lula, nos movimentos sociais e ousadia no próprio partido. O ano de 2007 foi emblemático para o PCdoB nesse rumo. O partido galgou outro patamar de influência política, está preparando muitas candidaturas majoritárias principalmente nas capitais, apoiou decididamente a constituição da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), deu grandes avanços na luta das mulheres, da juventude e do movimento popular. Todo mundo viu também o enorme crescimento de militantes e filiados. Além disso investimos no trabalho de comunicação, formação e finanças , ou seja, o PCdoB está sendo conseqüente com essa noção de maior ousadia, de aproveitar essa fase mais favorável. Para 2008, estamos preparando um grande protagonismo no Congresso Mundial da Paz, no Congresso da UJS e no Congresso da Conam, então a expectativa é de que este será um ano também muito bem aproveitado.

Plenárias massivas A diretiva da Comissão Política Nacional, levada ao Comitê Central, propõe a realização de plenárias com grande mobilização de militantes e filiados em todo país, começando pelas capitais e atingindo a maioria dos municípios onde estamos implantados. Pudemos mensurar a presença organizada de 92 mil militantes que participaram das conferências de 2007, que votaram, foram eleitos e decidiram os rumos políticos do partido. Temos que mobilizar esse contingente e mais: atrair os filiados – que estão em 230 mil –, os apoiadores, simpatizantes e eleitores do PCdoB. As plenárias são para isso. Vamos preparar essa força para a luta política-eleitoral de outubro, para a campanha pelas reformas democráticas – principalmente a reforma tributária progressiva – , para apoiar a constituição da CTB nos estados e fortalecer a Coordenação dos Movimentos Sociais. A resolução mostra que a nossa pauta política está bem definida. As plenárias servem para colocarmos em ação essa estrutura, de modo que nenhum quadro militante ou organização partidária esteja sem planos definidos de atuação.

Campanha eleitoral e reformas democráticas De fato, a pauta dessas plenárias é essencialmente voltada para a ação política. Haverá discussão sobre a campanha eleitoral, que está em sua fase primária, e vai culminar com as convenções de junho e a fase decisiva de julho-setembro, que exige levantar os pontos mais sensíveis à população das cidades. Ao lado disso vamos ver como mobilizar o povo para as seis reformas democráticas e enfrentar a onda oposicionista que visa acuar o governo e as forças avançadas. Todas se relacionam com a situação do país e a necessidade de avançar em rumos estruturais. Vamos priorizar, inicialmente, a reforma tributária progressiva porque ela está no centro da atual luta política do país e tem um forte sentido de classe, de distribuição de renda, de enfrentamento de interesses de diferentes campos sociais. Para isso, é preciso unir forças.

Alavanca para a atuação militante O nosso esforço é fazer com que a campanha pelas reformas, além de ter o apoio mais amplo possível entre as forças políticas e sociais, possa se desdobrar e impulsionar a atuação militante junto à população. Como dizia Arquimedes, com uma alavanca e um ponto de apoio, a gente move o mundo. É preciso ter instrumentos para que o militante tenha ação regular junto ao povo, ao lado da própria campanha para vereador e prefeito. Aliás, na prática essas formas de luta se combinam, no sentido de falar mais amplamente para toda a população e conquistar votos para o 65.

Carteira Militante Ao lado disso, vamos implementar, em maior escala a Carteira Nacional de Militante 2008. Ou seja, as plenárias serão o tiro de largada da sua implantação. Ela foi introduzida no ano passado e sua ampliação é um movimento progressivo. Neste ano, queremos implantá-la em todo partido, de tal modo que quando chegaram as convenções eleitorais de junho, a carteira vai ser critério para ser votado, para votar e para ser eleito.

Pesquisa e publicidade A diretiva da CPN coloca em teste a força mobilizadora do partido. Num país com dimensões continentais como o Brasil, evidentemente a chave do sucesso está nas direções estaduais, na compreensão da orientação nacional e no fato de concretizá-la com esmero. Acho que uma boa campanha publicitária poderá favorecer muito esse movimento. Vamos fazer uma pesquisa para melhor compreender os sentimentos da base popular e a imagem do partido perante ela e organizar, a partir de seu resultado, uma campanha para este primeiro semestre.

Mais zelo pelo partido Visto em conjunto, essas iniciativas respondem à designação do Comitê Central de se imprimir maior zelo na vida partidária. Não porque o zelo não exista, mas porque, tendo crescido as fileiras militantes, muita gente vem para o partido sem formação política. É preciso, portanto, um trabalho mais amplo para incorporar, de fato, essas pessoas na ação política organizada porque no fundo é isso que forma essas pessoas no espírito da política do partido. Não somos de festejar apenas meros números de militantes e filiados. O que queremos é incorporá-los na ação política, formá-los nos princípios comunistas e isso se dá na vida partidária coletiva.

Renovar a visão do papel da base Existe um problema no partido, que também não é só fruto do crescimento, e que não é simples de resolver. Trata-se da ordenação do trabalho militante pela base (OBs). O PCdoB é partido de ação permanente, não apenas nos anos eleitorais. Sua militância, em geral, está mergulhada em todos os aspectos da vida política e social dos municípios. Muitas vezes, entretanto, existe uma visão estreita e atrasada do papel e função da organização de base, como se fossem pequenos núcleos de militantes mais comprometidos. Não. As organizações de base devem ter sim esse núcleo – que na verdade ordena a atividade permanente da base –, mas devem ser organizações de dezenas e centenas de pessoas, com reuniões plenárias de tempos em tempos, preparando a intervenção na luta política e social, geral e específica. Essas plenárias gerais poderão se desdobrar em plenárias por área, como juventude, movimento social, bairro, local de trabalho e assim por diante.

A importância de se fortalecer o PCdoB Nossa compreensão é de que fortalecer um partido militante e transformador como o PCdoB não corresponde somente aos interesses do próprio partido. É uma tarefa de ordem democrática geral da vida do país. Isso quer dizer conferir um instrumento de cidadania política a milhares de trabalhadores e gente do povo, que vêm para a militância e se incorporam à luta política e social do país. Outro aspecto importante, também no sentido de que esse fortalecimento do partido não é um bem em si próprio, é que ele deve corresponder a uma maior ação política em todos os terrenos. É o que a gente sempre diz: as opções organizativas têm sempre uma raiz política e é isso que a resolução adotou. Na verdade, nos organizamos para mobilizar o povo. Nossas secretarias de organização são mais bem concebidas como secretarias de organização e mobilização partidária.

Um PCdoB mais conhecido O sentido de todo esse movimento que o partido vai fazer não é apenas, como já disse, de realizar um teste de mobilização organizada, mas tem muito a ver com um problema de fundo: o que queremos é fazer com que o partido seja conhecido de todo o povo e de todos os trabalhadores. De fato, demos um grande passo em 2007 e precisamos consolidar em 2008 esse rumo. Porque o PCdoB e o 65, por não ter participado de eleições majoritárias, não tem uma imagem muito difundida junto à opinião pública. Por meio de instrumentos como a luta eleitoral com candidatos majoritários, temos a expectativa de, em 2008, consolidarmos essa abertura do partido, abertura no sentido de a imagem do partido ser mesmo levada à grande opinião pública, às grandes massas da população. A idéia é que o partido também seja visto como alternativa e consiga atrair todos aqueles que queiram, de fato, adentrar na luta política e vejam no PCdoB uma alternativa real às suas aspirações. Queremos romper com qualquer imagem fechada que o partido ainda possa ter. De certa forma, estamos conseguindo porque houve a adesão de muita gente influente em todo país. Outubro o dirá.
VERMELHO.ORG.BR