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| Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do BrasiL |
| Espírito de unidade |
Dirigentes da central comentam a primeira reunião da direção executiva da CTB; já temos uma orientação política, diz Fátima dos Reis
Osvaldo Bertolino |

Wagner Gomes, na assembléia de fundação da CTB
(dezembro de 2007)
A primeira reunião da direção executiva da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), ocorrida em 23 e 24 de janeiro de 2008, em São Paulo, foi o segundo passo mais importante para a consolidação da central. A avaliação é do presidente da CTB, Wagner Gomes. “Acho que daqui sai uma definição muito clara sobre as medidas que precisam ser postas em prática rapidamente para que a CTB responda às demandas mais urgentes da classe trabalhadora”, diz ele.
A aprovação de um plano de atuação até o dia 1º de Maio, na avaliação de Wagner Gomes, é a comprovação de que a direção da CTB está empenhada em consolidar a organização da central nos estados e nos ramos profissionais rapidamente.
Ricardo Ponzi, da Federação dos Aquaviários, diz que a reunião representou a continuidade do congresso. Para ele, as resoluções aprovadas são instrumentos de consolidação da central, “que tem um compromisso maior, que são aqueles compromissos tirados no congresso.”
Rumo político bem definido
Divanilton Pereira, da Federação Única dos Petroleiros, tem a mesma opinião. “Esta primeira reunião revela traços importantes da nossa central. Antes mesmo de deliberar nosso plano de atuação e nosso processo de estruturação, tivemos um debate sobre a quadra política internacional e nacional”, afirmou.
Para ele, essa conduta é importante para que a CTB tenha um rumo político bem definido. “Penso que esse é um diferencial da nossa central. E um instrumento para que não fiquemos no pragmatismo. Ou seja: primeiro investigar a realidade e a partir dela estabelecermos nosso plano de atuação. Acho que esse é um traço importante que caracteriza bem a CTB”. Ele destacou que as resoluções aprovadas estão em sintonia com este quadro. Segundo ele, o plano de atuação aprovado diz respeito aos interesses imediatos dos trabalhadores e contempla também as questões mais de fundo, em âmbito nacional. “Neste sentido, destaco essa questão do movimento sindical, do movimento social debater e disputar reformas estruturantes para colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento. Isso tem tudo a ver no que diz respeito à facilitação da luta pelas reivindicações dos trabalhadores brasileiros”, afirma.
Implantação da CTB e formação
Fátima dos Reis, coordenadora geral do Sint-UFG, diz que a reunião deu o rumo para a atuação da CTB. “Saímos daqui sabendo como vamos nos organizar e como vamos fazer o trabalho daqui para frente”, diz ela. “A gente sai daqui com esses documentos que foram produzidos. Toda a documentação que foi produzida e todas as resoluções são de fundamental importância para instrumentalizar os trabalhos em nossas bases”, afirma Fátima dos Reis.
Fátima destacou ainda que o conteúdo dos documentos expressa bem a linha de pensamento da CTB. “A gente sai na frente. Acho que isso é importante. A gente tem posições claras sobre temas que são importantes para a classe trabalhadora. É isso que vai dar o instrumento para a atuação nas bases. Vamos discutir concretamente com os sindicatos locais. Já temos uma direção política dada”, afirma.
Espaço para a construção civil
Eduardo Navarro, presidente da Federação dos Bancários dos Estados da Bahia e de Sergipe, avalia que as decisões tomadas na reunião são balizadores para as ações políticas da CTB até maio. “Aprovamos documentos importante, que respondem às demandas políticas postas neste momento”, afirma.
Raimundo Brito, presidente eleito do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado da Bahia e responsável pelo setor na CTB, diz que a categoria conquistou um espaço novo. “A gente reclamava muito, principalmente quando atuávamos na CUT, porque os espaços para os trabalhadores da construção civil eram sempre restritos. Pela primeira vez a gente faz parte da executiva de uma central”, diz ele.
Unidade para a luta
João Batista Lemos, secretário adjunto de relações internacionais da CTB, diz que a reunião foi vitoriosa tanto pela participação quanto pelas decisões tomadas. “Estamos trabalhando em duas frentes: a legalização e a estruturação da CTB”, afirma.
Ele destaca que metas importantes foram definidas e que precisam ser cumpridas em cada Estado pelos militantes da CTB. “Tanto do ponto de vista das filiações como do plano de atuação”, enfatiza.
Para Batista, a CTB tem que contribuir na luta do conjunto dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário, a aposentadoria especial, a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar. “Para isso temos de estar organizados tanto por ramo, por setor, como nos Estados. E aqui foram tomadas medidas concretas em relação a isso” diz ele.
David Wylkerson, secretário-geral da Contag, diz que a reunião demonstrou o espírito de unidade da diretoria da CTB. Para ele, ter uma central que sai na frente, se posicionando, mostrando para a classe trabalhadora e para sociedade a defesa de qual sociedade defende é uma grande conquista.
Sobre a questão agrária, David diz que a proposição da CTB de se inserir na reforma agrária é uma proposta nova. “Nunca tivemos em nenhuma outra central essa iniciativa de procurar se inserir na reforma agrária”, pensa ele.
O Dia Internacional da Mulher
Abigail Pereira, secretária de mulheres da CTB, lembrou que as resoluções no plano de atuação contemplam o Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, no qual a CTB participou defendendo a aplicabilidade da lei Maria da Penha, “que conquistamos enquanto lei, mas que queremos que venha para a vida”, afirma. Abigail lembra que as mulheres devem ter um olhar específico para a questão da redução da jornada de trabalho. “Para nós, mulheres, ela tem um duplo objetivo, na medida em que mantemos a dupla jornada de trabalho. Fomos ao mercado de trabalho, mas em condição desigual com os homens porque a dupla jornada de trabalho nos acarreta muito esforço e nos embrutece”, destaca.
Guiomar Vidor, da Federação dos Trabalhadores no Comércio do Rio Grande do Sul, destaca que a reunião foi extremamente importante para estabelecer os primeiros passos da estruturação e fortalecimento da CTB. “Estabelecemos metas para que a gente se focalize nelas e consiga resultados positivos. Acho que com isso a CTB vai se consolidando no cenário nacional e vai demonstrando que ela veio para fazer efetivamente uma diferença naquilo que é apresentado atualmente pelas atuais centrais sindicais. E assim conseguir levar os trabalhadores a um novo patamar da nossa luta”, diz ele.
O debate sobre a questão agrária
Sergio de Miranda, da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Rio Grande do Sul diz que sua participação na CTB é especialmente importante porque é uma experiência nova para ele. “Minha federação e o sindicato ao qual sou associado nunca foram filiados a uma central. Então, o fato de estar participando dessa discussão, especialmente o fato de ter aqui a convivência de muitas categoriais de trabalhadores urbanos com muito conhecimento em termos de central sindical, é importante, um aprendizado”, afirma.
Sobre a questão agrária, Sérgio diz que o assunto tende a ganhar corpo na CTB. “O campo não tem a mesma tradição, o mesmo conhecimento de participar destes debates. Então, certamente esse é um dos motivos que faz com que se comece ainda muito devagar. Mas certamente vamos ampliar esta discussão”, enfatiza.
Maria Andrade, vice-presidente da CTB, diz que a Central está se organizando adequadamente para muitas questões novas. “Acho que a gente tem que pensar não só politicamente, mas também tomar atitudes para fazer uma ofensiva contra a retirada de direitos dos trabalhadores”, diz ela.
Zélia Almeida, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Correios e Telégrafos no Rio de Janeiro e dirigente da federação nacional da categoria, diz que a CTB retomou a discussão de temas que estavam “um pouco adormecidos”. “A CTB veio para cumprir o papel de lutar por melhores condições de trabalho, melhores condições de vida”, destaca.
Diferencial entre as centrais sindicais
Pascoal Carneiro, secretário-geral da CTB, avalia que um dos pontos principais da reunião foi a discussão de um plano estruturante. “A reunião discutiu critérios para consolidar a CTB nos estados e ao mesmo tempo tirou um plano de atuação que vai nos armar para enfrentar todas as políticas contrárias aos interesses dos trabalhadores”, afirma.
Pascoal também destaca a importância dos documentos aprovados. “Aprovamos dois documentos importantes. Um chamando a atenção da sociedade para a campanha conservadora contra a Previdência Social e outro sobre a decisão do Copom de manter a taxa de juros em níveis elevados”, enfatiza.
Joílson Cardoso, secretário de política sindical e relações institucionais da CTB, diz que a reunião definiu os desafios que a central terá pela frente. “A CTB terá de acompanhar uma agenda nacional que está em curso. Essa agenda tem questões positivas para a classe trabalhadora, mas tem também questões muito negativas”, diz ele. “Ou seja: aqui se inaugurou a tarefa de arregaçar as mangas e ir a campo para colocar a CTB na defesa da classe trabalhadora, colocar a CTB como um diferencial entre as centrais sindicais”, finaliza. |
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