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Há certas datas que representam pontos de viragem na história da humanidade. O ano da queda de Roma, 476, ficou na história como o fecho da antiguidade clássica, da mesma forma como 1453 – quase um milênio depois –, quando Constantinopla foi ocupada pelos otomanos, sinaliza o final da Idade Média. Há outros anos; 1789, queda da Bastilha, indica a revolução burguesa na França e um passo decisivo contra o absolutismo; 1822 marca a independência do Brasil.
O ano de 1917 está inscrito nessa série com letras vermelhas: ele assistiu à abertura de uma etapa nova na história da humanidade. A etapa da revolução mais profunda desde que existe a civilização, aquela revolução que abre caminho para a transição ao socialismo e para a superação da história de mais de 10 mil anos das sociedades divididas em classes antagônicas, onde uma minoria domina o poder e controla a vida e a morte da maioria dos demais seres humanos, reduzidos a trabalhar para produzir riquezas que aquela camada minoritária concentra e usufrui.
Este talvez seja um dos sentidos mais profundos da experiência socialista iniciada pelos bolcheviques, com Lênin à frente, em 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário ocidental). Ela ocorreu em um país pobre e provou para os povos da terra que o atraso pode ser superado quando o trabalho é organizado para beneficiar os próprios trabalhadores.
Marcou o século 20. Ao derrotar a agressão nazista, em 1945, consolidou-se como uma experiência avançada que prometia um futuro risonho para todos. A democracia, as conquistas sociais, a independência dos povos da África e da Ásia que ainda estavam sob o jugo colonial, foram conseqüências não só da existência da URSS, mas muitas vezes de seu apoio ativo às suas lutas.
A própria difusão dos partidos comunistas pelo mundo, e seu fortalecimento, foi outra conseqüência da ousadia dos soldados, trabalhadores e camponeses russos de colocar-se de pé, sob a direção do partido bolchevique.
Marx já havia assinalado, muitas décadas antes, que a revolução proletária é diferente das demais porque é movida por uma crítica implacável contra si própria e seus protagonistas. Ela ergue-se, cai para levantar-se novamente, poderá cair outra vez sob os golpes daquela crítica feroz, até finalmente conquistar a forma de estado adequada para a eliminação de toda dominação.
A Grande Revolução Russa de 1917 não fugiu a este vaticínio. Sua trajetória foi marcada por grandes avanços e também grandes contradições. Até finalmente ter um melancólico final sete décadas depois, entre os anos de 1980 e 1990.
Mas deixou seu exemplo luminoso e a certeza, para os que lutam pelo progresso social, que alcançar uma forma nova e superior de sociedade é necessário e possível.
Salve a Revolução de Outubro! Salve os bolcheviques e seu exemplo de luta no presente e confiança no futuro! |