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Os quase quatro meses de crise envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) tiveram o sabor de anti-clímax para os setores conservadores quando, na quarta-feira, dia 12 de setembro, o plenário daquela Casa o absolveu da acusação de perda de decoro parlamentar. Foram 40 votos contra 35 que queriam a condenação, e seis abstenções. Renan era acusado de receber dinheiro de um lobista da construtora Mendes Júnior. E há, ainda, mais dois processos contra ele tramitando no Conselho de Ética do Senado.
A absolvição de Renan foi encarada pela direita como uma derrota inesperada numa batalha que faz parte de uma guerra que vai continuar. Os parlamentares tucanos e ex-pefelistas, entre outros do campo conservador, haviam prejulgado o senador e anteviam, de véspera, sua derrota. A mídia, cumprindo seu papel de cão de guarda dos interesses do sistema de poder da qual ela faz parte, já havia passado a sentença condenatória contra o presidente do Senado, declarando sua culpa e esperando um veredito que julgava inescapável.
Mas quando as portas do plenário se abriram e o resultado foi divulgado, o brado de “traição” estava nas bocas dos senadores e repórteres do campo conservador. Mas “traição” a quem? Aos objetivos inconfessáveis da direita. Colhido nas tramas de um drama mais próprio de uma vara de família da Justiça, Renan foi enredado em uma série de acusações que a mídia e seus acusadores não conseguiram comprovar. Mas que, tendo prejulgado o presidente do Senado, cobravam dele a prova de sua inocência, numa inversão completa de qualquer processo judicial típico de uma República democrática.
Foi mais uma grande derrota para a direita e para a mídia do grande capital. Nesse processo de linchamento onde, como se diz, até as pedras da capital federal sabiam que a questão não era a moralidade do acusado, mas o ataque ao governo e ao conjunto de forças que compõe a base aliada no Congresso brasileiro. Tirar Renan da presidência do Senado significava criar dificuldades para o presidente Lula e colocar uma cunha na aliança entre o PMDB, partido do acusado, e o PT, partido do presidente da República. Mais uma vez, a direita não conseguiu os objetivos que esconde sob o clamor pela moralidade. Daí os brados de “traição” dos cardeais da oposição. Daí a ameaça explícita de repórteres e parlamentares, logo depois de anunciado o resultado favorável a Renan: a guerra vai continuar.
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