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CAPA

SINDICALISMO

O RUMO DA CONSTRUÇÃO DE UMA CENTRAL CLASSISTA
 

EDITORIAL

Reestatização?

Muitos empresários e seus portavozes parecem sobressaltados com decisões recentes do governo. O jornal O Estado de S. Paulo apertou o botão de alarme dizendo, em editorial (dia 14 de agosto) que o governo retoma o caminho da “reestatização de grandes setores e à centralização de importantes decisões econômicas”.

E lista os sinais dessa tendência. O primeiro é a compra da Suzano Petroquímica, pela Petrobrás, por 2,7 bilhões de reais, sinalizando uma volta da estatal ao setor petroquímico, já sinalizada antes pela compra, juntamente com a Braskem, dfos ativos petroquímicos da Ipiranga. Depois, cita a portaria Ministério de Minas e Energia segundo a qual construtores e fornecedores poderão ter no máximo 20% do capital da sociedade concessionária da Usina Santo Antônio, a primeira hidrelétrica a ser construída no Rio Madeira; lembra ainda que desde 2003 a Eletrobrás compra participação em projetos hidrelétricos leiloados pelo governo, “e essa tendência parece agora intensificar-se”, diz o jornal paulista. No caso das telecomunicações, vê como reestatizante a proposta de criação de uma grande operadora nacional através da fusão de duas empresas, apresentada defendida pelo Ministério das Comunicações. Finalmente, arrola nesta lista de sinais a luta para mudar a lei das agências reguladoras (ver matéria nesta edição).

Um dos principais dogmas neoliberais quer o Estado fora da economia e os serviços públicos, antes geridos pelo governo, controlados pela ação livre e desregulamentada do capital. O Estado de S Paulo é um tradicional defensor destes dogmas, pregando um capitalismo livre de peias e guiado apenas pela busca irrefreada do lucro. Este já foi o mote de campanhas históricas em que aquele jornal se envolveu – e a conspiração contra o governo constitucional de João Goulart, em 1962/1964, talvez tenha sido a maior delas. Em nome desse liberalismo sem freios, os liberais da marginal do Tietê ajudaram a rasgar a Constituição de 1946 e a dar início à ditadura militar de 1964.

Hoje, pelas mesmas razões, é um dos campeões da articulação direitista contra o presidente Lula. E que, em editorial, vai deixando claras as razões verdadeiras dessa oposição enraivecida.

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