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A reforma política ficou para agosto,
quando poderá haver novas tentativas
para romper o impasse criado na
Câmara dos Deputados. A paralisia resulta
da oposição dos conservadores, principalmente
do PSDB, que querem deixar tudo como
está e não aceitam os aspectos democráticos
da reforma, principalmente o financiamento
público de campanha e o voto em
lista, e resistem a aperfeiçoar a democracia
e alargar a participação popular.
O impasse criado embute uma séria
ameaça à democracia, materializada em duas
propostas de emendas constitucionais (PECs)
que estão tramitando no Congresso. Uma delas,
do senador direitista Marco Maciel (DEMPE),
ressuscista a cláusula de barreira. Outra,
do deputado tucano Arnaldo Madeira (SP),
cria o voto distrital para as eleições de vereadores
e deputados. No dia 12 de julho a proposta
foi aprovada pela Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania da Câmara.
O grave defeito do voto distrital é o esmagamento
das minorias, que elegem um número
de representantes inferior à sua influência
real na sociedade. Se, por exemplo, um partido
“A” tiver 51% dos votos em todos os distritos, fica
com 100% das vagas, e um partido “B”, que
teve 49% dos votos, fica sem nenhuma.
A direita diz querer aproximar os eleitores
de seus representantes. Pela PEC, os estados
serão divididos em tantos distritos
quantos os deputados que elegem. Por
exemplo: Tocantins, que elege oito deputados
federais, terá oito distritos; São Paulo,
que tem 70 deputados, terá 70 distritos.
Isso resulta em distritos imensos: em
Tocantins, com 874 mil votantes, os distritos
terão 109 mil eleitores. Em São Paulo, onde
há 28 milhões de eleitores, os distritos terão
403 mil eleitores. Quantos são os municípios
brasileiros destas dimensões? Mais ainda:
em quais municípios deste porte existe
esta alegada aproximação entre eleitores e
seus vereadores, por exemplo?
Além disso, para haver igualdade de
condições, um partido precisa estar organizado
em todos os distritos; não é o que acontece
com os pequenos e médios. O PCdoB, por
exemplo, está presente em cerca de um terço
dos mais de 5.500 municípios brasileiros. No
sistema distrital ficaria, portanto, fora da disputa
nos outros dois terços dos municípios.
Já os partidos da classe dominante estão
em quase todos os municípios. No sistema
proporcional, mesmo fora de muitos municípios,
um partido pode receber o voto do eleitor
que, neles, concorde com suas idéias. No sistema
distrital, esse eleitor fica sem representação.
O sistema distrital favorece também o poder
econômico pois o candidato pode concentrar
seus recursos um único distrito, contra
adversários mais pobres. E que, geralmente,
são ligados ao povo, e não aos ricos. |