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O começo de junho assistiu a alguns
movimentos importantes no que diz respeito à defesa
do meio ambiente e às exigências do desenvolvimento.
Às vésperas da reunião do G-8 – o grupo
que reúne os sete países mais industrializados
mais a Rússia – iniciada dia 8 na cidade alemã
de Heiligendamm, o governo da China anunciou seu próprio
plano para enfrentar as mudanças climáticas
e o efeito estufa. Durante a reunião do G-8, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva também abordou a questão,
defendendo posição semelhante à dos chineses.
Dessa forma, o confronto entre os países ricos e os
demais, nesta questão crucial, vai consolidando contornos
nítidos ganhando novos patamares de enfrentamento.
É uma oposição que cresce nos fóruns
internacionais, particularmente naqueles promovidos pela ONU,
desde a década de 1970. De um lado, nos países
ricos, frente à ameaça de esgotamento e escassez
de recursos naturais – como o petróleo – e à
degeneração ambiental provocada pela industrialização
descontrolada que protagonizaram desde meados do século
18, cresce a consciência dos danos e riscos que essa
política representa para a humanidade. Para contê-los,
formularam um programa para segurar o crescimento da população
e a industrialização, diminuindo o consumo dos
recursos naturais, o desflorestamento e a emissão de
agentes poluentes na atmosfera, nas águas e na terra.
Não pensam, entretanto, em mudar seu modo de produzir
e viver, nem de arrefecer o desenfreado consumismo de suas
sociedades. Ao contrário, agitando a bandeira de que
esta é uma Terra só, defendem a tese de que
a tarefa de “limpá-la” – principalmente a atmosfera
– é responsabilidade de todos, e tentam levar os países
pobres a restringir seu próprio desenvolvimento.
É contra esta pretensão que países como
Brasil, Índia, China, México, África
do Sul, entre tantos outros do mundo pobre, se insurgem. Os
chineses foram claros, ao anunciar seu próprio plano
ambiental: não abrem mão de seu próprio
desenvolvimento, mas vão equacioná-lo com as
imposições da defesa do meio ambiente.
O governo brasileiro segue a mesma linha, como Lula deixou
claro na reunião com os países ricos. “Os países
em desenvolvimento têm o direito de crescer como os
ricos cresceram e ter a mesma qualidade de vida que eles conquistaram”,
disse ele na Alemanha. “Não aceitamos a idéia
de que os emergentes é que tem de fazer sacrifícios,
inclusive porque a pobreza já é um sacrifício”.
Há uma realidade subjacente neste quadro. Nele, a disputa
ambientalista encobre outra, mais efetiva e profunda a esta
disputa, a manutenção das atuais relações
de hierarquia e subordinação entre as nações,
que opõe os ricos, industrializados e poderosos de
um lado, e as nações pobres, de outro. |