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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 299

junho/2007

 

 

CAPA

Realizações e polêmicas de um desafio de dimensões olímpicas
Meio ambiente e desenvolvimento
 
 

PCdoB

O sucesso eleitoral em 2008 começa a ser construído desde já
A campanha ganha força
 
 

 NACIONAL

O desafio de desenvolver e preservar
A China anuncia seu programa ambiental
Empreendimento soberano
Dimensões olímpicas
Pré-vestibular para a Copa 2014
Tecnologia antidoping
O legado do Pan para a segurança pública
As mentiras dos privatistas
 
 

 Movimento

Acelerando a luta contra o racismo
UNE deve manter combatividade e sintonia com as questões nacionais
 
 

 INTERNACIONAL

As condições da mudança na América Latina e Brasil
Razões de fundo da campanha antichavista
Na vanguarda da democratização da mídia
Por que Wolfowitz caiu
 
 

ESPECIAL

Os riscos de seu uso militar

 

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CAPA

 

15º Jogos Pan Americanos Rio 2007

Realizações e polêmicas de um desafio de dimensões olímpicas


 

Já houve bastante controvérsia em relação aos investimentos feitos no Pan, ao cumprimento do prazo das obras e até mesmo sobre o comando das operações de segurança. Mas pouco se falou sobre as dimensões do evento, que terá quase sete mil atletas de 42 países e uma logística complexa.


 

Gustavo Borges, Orlando Silva e Lula com a tocha ddo Pan Americana
 

EDITORIAL

Meio ambiente e desenvolvimento

O começo de junho assistiu a alguns movimentos importantes no que diz respeito à defesa do meio ambiente e às exigências do desenvolvimento. Às vésperas da reunião do G-8 – o grupo que reúne os sete países mais industrializados mais a Rússia – iniciada dia 8 na cidade alemã de Heiligendamm, o governo da China anunciou seu próprio plano para enfrentar as mudanças climáticas e o efeito estufa. Durante a reunião do G-8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também abordou a questão, defendendo posição semelhante à dos chineses.
Dessa forma, o confronto entre os países ricos e os demais, nesta questão crucial, vai consolidando contornos nítidos ganhando novos patamares de enfrentamento.

É uma oposição que cresce nos fóruns internacionais, particularmente naqueles promovidos pela ONU, desde a década de 1970. De um lado, nos países ricos, frente à ameaça de esgotamento e escassez de recursos naturais – como o petróleo – e à degeneração ambiental provocada pela industrialização descontrolada que protagonizaram desde meados do século 18, cresce a consciência dos danos e riscos que essa política representa para a humanidade. Para contê-los, formularam um programa para segurar o crescimento da população e a industrialização, diminuindo o consumo dos recursos naturais, o desflorestamento e a emissão de agentes poluentes na atmosfera, nas águas e na terra.

Não pensam, entretanto, em mudar seu modo de produzir e viver, nem de arrefecer o desenfreado consumismo de suas sociedades. Ao contrário, agitando a bandeira de que esta é uma Terra só, defendem a tese de que a tarefa de “limpá-la” – principalmente a atmosfera – é responsabilidade de todos, e tentam levar os países pobres a restringir seu próprio desenvolvimento.

É contra esta pretensão que países como Brasil, Índia, China, México, África do Sul, entre tantos outros do mundo pobre, se insurgem. Os chineses foram claros, ao anunciar seu próprio plano ambiental: não abrem mão de seu próprio desenvolvimento, mas vão equacioná-lo com as imposições da defesa do meio ambiente.

O governo brasileiro segue a mesma linha, como Lula deixou claro na reunião com os países ricos. “Os países em desenvolvimento têm o direito de crescer como os ricos cresceram e ter a mesma qualidade de vida que eles conquistaram”, disse ele na Alemanha. “Não aceitamos a idéia de que os emergentes é que tem de fazer sacrifícios, inclusive porque a pobreza já é um sacrifício”.

Há uma realidade subjacente neste quadro. Nele, a disputa ambientalista encobre outra, mais efetiva e profunda a esta disputa, a manutenção das atuais relações de hierarquia e subordinação entre as nações, que opõe os ricos, industrializados e poderosos de um lado, e as nações pobres, de outro.

VERMELHO.ORG.BR