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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 296

fevereiro/2007

 

 

CAPA

A luta contra a pobreza
Desafios e promessas do segundo mandato
 

PCdoB

Um bloco de esquerda para ficar
Nova fase de afirmação
 

 NACIONAL

Rumo à cidadania
Aprendendo um ofício
Violência diminui em Maracanaú
Programa  injeta mais de 200 mil por mês na economia local
 

 Movimento

Metalúrgico classista
Mundanças e permanências
A geração que vem com tudo
Uma agenda histórica
A UNE de volta para casa
Os impasses da emancipação feminina
 

 INTERNACIONAL

A luta e as alternativas dos povos
Uma grande reunião
Em busca da unidade latino-americana
Chávez anuncia o rumo ao socialismo
Partido Comunista convoca congresso extraordinário
 

ESPECIAL

Jorge Mautner
 

 

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CAPA

 

Bolsa Família

A luta contra a pobreza


 

Maria Cristina Goes Santos (foto), seu marido, filhos, irmã e sobrinhos (oito pessoas no total), de Diadema, São Paulo, estão entre os mais de onze milhões atendidos pelo Bolsa Família, programa do governo federal para combater a pobreza no Brasil e recuperar a dignidade e a cidadania dos muito pobres; 65% dos beneficiados são, diz um estudo da UFF, negros e pardos. E ajuda inclusive a questionar a aguda exploração do trabalho pois, diz Lúcia Modesto, do Ministério do Desenvolvimento Social, dá às famílias um contraponto para reivindicar salários melhores.


 

 

EDITORIAL

Desafios e promessas do segundo mandato

O anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em 22 de janeiro, a posse dos novos deputados e senadores, no dia 1º de fevereiro, e mesmo o anúncio pelo presidente Lula de novos critérios para calcular as contas da Previdência Social (segundo os quais grande parte do alegado déficit passaria a ser considerado como despesas do Tesouro Nacional) indicam a vontade de colocar o país em um novo rumo de desenvolvimento, e também a constituição de uma base parlamentar capaz de apoiar esta busca.

A discussão pública provocada pelo anúncio do PAC obrigou os analistas e economistas neoliberais a exporem de forma clara os interesses que defendem em análises que tentam apresentar como técnicas ou supostamente científicas.


Numa mal disfarçada torcida pelo fracasso do plano de crescimento, o tom geral destes analistas foi de condenação à retomada do papel do Estado na indução do desenvolvimento. Como Paulo Leme, economista da corretora novaiorquina Goldman Sachs, que condenou “a ingerência do Estado na economia”. Charles Dallara, do Instituto de Finanças Internacionais, que reúne 360 bancos de 60 países, recomendou que o Brasil e o México “reafirmem o compromisso com o livre mercado”. Tasso Jereissati, atual presidente do PSDB, disse que “o grande agente de crescimento econômico” é a iniciativa privada, não o Estado.


Da burguesia industrial, por sua vez, vieram cautelosas manifestações de otimismo em relação ao plano. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, disse que se “tudo o que foi anunciado efetivamente ocorrer”, ele não tem “a menor dúvida de que haverá investimentos privados”. Para Rogelio Goldfarb, presidente da Anfavea, embora não seja possível a previsão de um crescimento sustentável, o PAC representa “ o início de um processo”. Ivoncy Ioschpe, da Iochpe-Maxion, diz que “ o governo está criando condições para que os investimentos aconteçam”. E peso-pesados da economia, como Jorge Gerdau Johannpeter e Antônio Ermírio de Morais, apoiaram o plano ou minimizaram as críticas feitas contra ele.


Estas manifestações, de dois setores importantes das classes dominantes, atualizam o velho conflito que opõe os que defendem o desenvolvimento aos partidários do travamento da economia.


Esse conflito que demonstra os poderosos interesses que o governo enfrentará para avançar nos propósitos desenvolvimentistas que vêm manifestando. São interesses contrários ao desenvolvimento, que fundamentam o programa neoliberal e que têm, na sociedade brasileira, uma parcela de poder que não pode ser negligenciada.


Há condições para este enfrentamento: o governo conseguiu, na Câmara dos Deputados, uma maioria inédita de 352 deputados (mais de dois terços do total).

No Senado, tem o apoio de 49 dos 81 senadores (mais da metade), o que cria condições mais favoráveis do que as existentes no primeiro mandato para enfrentar as tempestades que podem vir pela frente.


E que podem permitir a formação, diz Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB, da ampla coalizão de governo necessária para criar um quadro político favorável ao seu trabalho. É preciso lembrar, alerta ele, que o PAC está refém da política econômica vigente, como mostrou o balde de água fria jogado pelo Banco Central ao reduzir em apenas 0,25% a taxa de juros logo após o anúncio do programa.

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