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CAPA

 

A queda da cláusula de barreira

Vitória da democracia


 

 

EDITORIAL

2006: O ano em que a direita foi derrotada

Quando começou, o ano de 2006 sorria para a direita e para os conservadores. Os ataques contra o governo Lula e os partidos da base aliada proliferavam na imprensa que faz parte do sistema de poder dominante. O governo e o presidente Lula, embora em recuperação, ainda sangravam devido a essas investidas. E tudo indicava um conjunto de dificuldades que pareciam intransponíveis, apontando para uma disputa eleitoral apertada, com chances para os conservadores do eixo PSDB / PFL, e no qual os partidos de esquerda – o PT, em especial – sairiam menores, ampliando a representação da direita no Congresso Nacional.

Não foi o que aconteceu. A disputa foi realmente difícil, e o arsenal de “maldades” da direita parecia infindável, com manobras sujas para criar fatos políticos de impacto e capazes de forte rendimento eleitoral, como a armação do caso da compra do dossiê por militantes petistas, que gerou a foto de uma pilha de dinheiro e levou a eleição presidencial para o segundo turno.

Mas, abertas as urnas do dia 1º de outubro, o desenho da derrota da direita era indisfarçável. Contra todos os prognósticos dos sabichões de plantão da mídia, o PMDB saiu das urnas com a maior bancada federal, seguido de perto pelo PT; bem abaixo, e com votação declinante, estavam o PSDB, seguido pelo PFL. Mesmo no Senado, PMDB e PFL saíram praticamente empatados, embora o PFL em desvantagem porque tinha, entre seus senadores, a maranhense Roseana Sarney, de malas prontas para trocar o partido pelo PMDB. O PCdoB, com quase 2 milhões de votos (2,1% do total) para a Câmara dos Deputados e mais de 6 milhões para o Senado (7,5%, a quinta maior votação), teve um desempenho memorável.

No segundo turno, Lula superou os 58,3 milhões de votos (mais de 60% dos votos), enquanto o tucano Geraldo Alckmin conseguiu a façanha de ter menos votos do que no primeiro turno, caindo de 39,9 milhões de votos para 37,5 milhões.

A direita foi a grande derrotada. Entre as oligarquias estaduais, o carlismo baiano foi ícone deste declínio que revela um protagonismo popular promissor e aponta para um despertar democrático que pode renovar o cenário político brasileiro.

Mas a mídia e os chamados formadores de opinião (incluídos entre eles setores de classe média sempre tidos como tais pelos analistas políticos) também acertaram pouco e perderam credibilidade. O último acontecimento dessa queda foi a declaração de inconstitucionalidade da cláusula de barreira, pelo STF, que desfez sonhos de hegemonismo construído à margem da constituição.

O Brasil saiu rejuvenescido da eleição. Na outra ponta do espectro político, o governo Lula e os partidos da base aliada saíram fortalecidos, com condições políticas mais favoráveis para a retomada de um processo de desenvolvimento mais acelerado. Se a derrota da direita foi a marca principal de 2006, o traço característico de 2007 poderá ser este, o da vitória do povo na busca do desenvolvimento, do fortalecimento da economia nacional e do bem estar dos brasileiros.

VERMELHO.ORG.BR