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A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no dia 29 de outubro mudou a pauta política em curso no
país. A cruzada moralista da direita e da mídia passou para o
segundo plano, substituída pelo debate sobre os rumos da
economia. No qual, como sempre, os conservadores tentam impingir
a defesa dos seus próprios interesses como verdades eternas e
intocáveis.
O segundo turno teve um toque plebiscitário que tornou
praticamente indefensável o programa neoliberal e as
privatizações, que nem mesmo o candidato da direita, Geraldo
Alckmin, pôde defender abertamente na campanha eleitoral.
O mantra atual dos conservadores é o ajuste fiscal, e vai se
formando um consenso entre comentaristas, economistas e
políticos do campo tucano/pefelista, em torno do dogma do corte
de gastos (sociais, é claro) e da diminuição do tamanho Estado.
É a atualização de um debate antigo, no Brasil, que opõe
desenvolvimentistas e liberais – uns, com foco no controle da
moeda, da inflação e dos gastos públicos. Outros, mirando o
fortalecimento da intervenção do governo para fomentar o
desenvolvimento. E não é por acaso que os liberais (ou
moneratistas, ou neoliberais, não importa o nome que tenham)
expressam os interesses dos donos do dinheiro, da propriedade e
dos aliados do imperialismo. Uns partidários do atraso e da
fidelidade aos interesses do imperialismo; outros, lutam pelo
progresso, independência e soberania do Brasil.
Os conservadores agem assim desde o início da trajetória
independente do Brasil, no começo do século XIX, quando um
economista liberal como José da Silva Lisboa, o visconde de
Cairú, defendia o livre comércio, a vocação agrária do Brasil e
sua subordinação a uma ordem internacional dominada pela grande
potência da época, a Inglaterra.
Contra eles, eleva-se o clamor nacional pelo desenvolvimento,
que também tem raízes ilustres, como o patriarca da
Independência, José Bonifácio, que defendia o uso da força do
governo para fortalecer a economia nacional, queria o fim da
escravidão e do latifúndio, e dizia que ser infeliz um país
dominado pela alta finança.
Este confronto está recolocado. O país está pronto para crescer,
reconhecem muitos economistas. E o próprio presidente Lula, já
na noite de sua reeleição, reafirmou seu compromisso com o
desenvolvimento e a retomada do crescimento. “Queremos governar
para todos os brasileiros, mas os pobres sempre vão ter
prioridade no meu governo”, disse então. “A solução está no
crescimento econômico e na distribuição de renda, coisa que já
começamos a fazer no nosso primeiro mandato”, lembrou. E, ao
dizer que “mais do que enxugar a máquina, é preciso fazer o
Brasil crescer”, o presidente renovou esse compromisso com o
rumo que levará o Brasil a se reencontrar com sua história e com
sua vocação de país grande e justo. |