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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 294

novembro/2006

 

 

CAPA

Lula: a solução é crescer
 

PCdoB

PCdoB: êxitos e dilemas
A ampliação relativa da força comunista
 

 NACIONAL

A vitória da defesa do desenvolvimento
Aldo assume a Presidência
"A imprensa fez um desserviço ao povo brasileiro"
Lula terá maioria em 2007
Direita tem as maiores perdas
Votos jogados no lixo
Os grandes desafios econômicos são políticos
Com a faca e o queijo na mão
As condições estão dadas
 

 Movimento

O julgamento da infâmia
Mundanças e permanências
 

 INTERNACIONAL

Perigos e potencialidades da situação internacional
CIA quer silenciar torturados
As dimensões da derrota de Bush
EUA teme "populismo" na América do Sul
 

ESPECIAL

A reconquista do Senado
 

 

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CAPA

 

58.290.261 VOTOS GARANTEM A REELEIÇÃO

Lula: a solução é crescer


 

 

EDITORIAL

Compromisso com o desenvolvimento

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29 de outubro mudou a pauta política em curso no país. A cruzada moralista da direita e da mídia passou para o segundo plano, substituída pelo debate sobre os rumos da economia. No qual, como sempre, os conservadores tentam impingir a defesa dos seus próprios interesses como verdades eternas e intocáveis.

O segundo turno teve um toque plebiscitário que tornou praticamente indefensável o programa neoliberal e as privatizações, que nem mesmo o candidato da direita, Geraldo Alckmin, pôde defender abertamente na campanha eleitoral.

O mantra atual dos conservadores é o ajuste fiscal, e vai se formando um consenso entre comentaristas, economistas e políticos do campo tucano/pefelista, em torno do dogma do corte de gastos (sociais, é claro) e da diminuição do tamanho Estado. É a atualização de um debate antigo, no Brasil, que opõe desenvolvimentistas e liberais – uns, com foco no controle da moeda, da inflação e dos gastos públicos. Outros, mirando o fortalecimento da intervenção do governo para fomentar o desenvolvimento. E não é por acaso que os liberais (ou moneratistas, ou neoliberais, não importa o nome que tenham) expressam os interesses dos donos do dinheiro, da propriedade e dos aliados do imperialismo. Uns partidários do atraso e da fidelidade aos interesses do imperialismo; outros, lutam pelo progresso, independência e soberania do Brasil.

Os conservadores agem assim desde o início da trajetória independente do Brasil, no começo do século XIX, quando um economista liberal como José da Silva Lisboa, o visconde de Cairú, defendia o livre comércio, a vocação agrária do Brasil e sua subordinação a uma ordem internacional dominada pela grande potência da época, a Inglaterra.

Contra eles, eleva-se o clamor nacional pelo desenvolvimento, que também tem raízes ilustres, como o patriarca da Independência, José Bonifácio, que defendia o uso da força do governo para fortalecer a economia nacional, queria o fim da escravidão e do latifúndio, e dizia que ser infeliz um país dominado pela alta finança.

Este confronto está recolocado. O país está pronto para crescer, reconhecem muitos economistas. E o próprio presidente Lula, já na noite de sua reeleição, reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento e a retomada do crescimento. “Queremos governar para todos os brasileiros, mas os pobres sempre vão ter prioridade no meu governo”, disse então. “A solução está no crescimento econômico e na distribuição de renda, coisa que já começamos a fazer no nosso primeiro mandato”, lembrou. E, ao dizer que “mais do que enxugar a máquina, é preciso fazer o Brasil crescer”, o presidente renovou esse compromisso com o rumo que levará o Brasil a se reencontrar com sua história e com sua vocação de país grande e justo.

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