O plano da direita não deu certo. E FHC quer
incendiar o palheiro!
O
Brasil está a menos de um mês da eleição de 1º de outubro e tudo
indica que Lula terá um segundo mandato para aprofundar as
mudanças iniciadas em janeiro de 2003. Segundo as últimas
pesquisas (como a feita pelo Instituto Vox Populi, divulgada no
começo de setembro pela revista CartaCapital), o presidente tem
50% das intenções de voto na pesquisa estimulada, e 43% na
espontânea. Ou seja, tem 17 pontos acima da soma dos outros
candidatos (na estimulada, tem está 14 pontos à frente). E vence
em todas as faixas de renda, exceto entre os mais ricos, com mais
de 10 salários mínimos ao mês. Está na frente também em todas as
regiões, disparado no Nordeste com 67%, e com 45% no Sudeste, 43%
no Centro-Oeste/Norte e 38% no Sul.
Para a direita, este é um desempenho inesperado, e os analistas do
ninho tucano-pefelista procuram, estonteados, explicar aquilo que
para eles é inexplicável. Tentam inclusive desqualificar o
eleitor, como o senador Jéferson Peres (PDT/AM) e sua estridente
manifestação de desalento, na tribuna do Senado, em 30 de agosto,
quando anunciou sua saída da política, acusou os políticos de
antiéticos, voltou à carga contra o presidente Lula e seu governo,
e chegou a incluir, em sua catilinária, o eleitorado que, pensa,
minimiza a corrupção.
A declaração do senador amazonense é reveladora do desespero da
oposição neoliberal que quer um eleitor de encomenda que atenda
aos seus propósitos - isto é, que vote nos candidatos da direita.
Uma idéia elitista, do tempo em que a elite dizia que o brasileiro
não sabe votar, e que reaparece de forma canhestra na opinião
manifestada por Jefferson Péres.
Outro analista aponta o que chama de “apatia democrática”, insinua
que Lula se beneficia do fato de não existirem “projetos
antagônicos em disputa” (ele não leu o Programa de Governo
divulgado dia 31?), e considera a eleição “ruim” (Fernando de
Barros e Silva, Folha de S. Paulo, 4/9/2006).
Mas o campeão do besteirol continua sendo o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, autor de uma frase que dificilmente será
esquecida pelo apelo anti-institucional que evoca: “É fogo no
palheiro, é disso que precisamos”. A frase deste candidato a Nero
foi dita em um almoço com empresários no Jockey Club de de São
Paulo. Ela é uma amostra do desespero que campeia entre quem viu
falidos os esforços feitos desde maio de 2005 para destruir a
imagem de Lula e seu governo.
Mas a disputa de outubro tem outro aspecto que precisa ser levado
em conta: a eleição para a Câmara dos Deputados. Agora, os
conservadores se preparam para o embate apegando-se à cláusula de
barreira de 5% dos votos para a Câmara dos Deputados, sendo no
mínimo 2% em pelo menos nove estados. E para o confronto jurídico
que se anuncia: pela regra em vigor, os deputados eleitos por
partidos que não cumprirem aquela exigência tomarão posse mas
serão mandatários de segunda classe, impedidos de participar de
comissões técnicas e de CPI’s, além de ficarem de fora nos votos
de liderança.
Estarão criados assim dois tipos de deputados, uns com direitos
integrais, e outros com o mandato parcial. Isto é, uma situação de
desigualdade que fere a Constituição e poderá criar impasses
jurídicos que somente o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá
resolver (veja matéria sobre o Programa de Governo das págs 3 a
6). |