 |
A insânia genocida de Israel contra os árabes
aumentou desde o final de junho, com bombardeios arrasadores
contra a população civil. Desde o começo dos ataques, mais de
700 pessoas morreram (90% no Líbano e 10% em Israel), e
milhares foram feridas. Entre as vítimas, as crianças: segundo
a Unicef, foram mortas 177crianças no Líbano desde o começo
dos ataques; elas são a terça parte dos feridos e quase metade
(mais de 45%) das 800 mil pessoas obrigadas a abandonar suas
casas. |
A
decisão do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, de mandar
avisar à secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice que ela não
era bem-vinda a Beirute, depois do agravamento da crise em
conseqüência do covarde ataque contra a localidade de Qana, no sul
do Líbano – onde a aviação israelense matou 56 civis, sendo 37
crianças – escancarou o descrédito da diplomacia norte-americana
no Oriente Médio.
As declarações de Condoleezza, desde o agravamento dos ataques
israelenses, em julho, não deixam margem à dúvida quanto aos
objetivos dos EUA: impor aos povos do Oriente Médio a submissão à
política e aos interesses geopolíticos e comerciais de Washington.
E, quando fala em cessar fogo, esta expressão tem, em sua boca,
significado bem diferente daquele desejado pelos pacifistas de
todo o mundo, e quer dizer rendição incondicional dos povos árabes
às imposições do imperialismo.
Hipocrisia que se traduz no apoio incondicional a todos os atos
agressivos de Israel, como mostram dois acontecimentos ocorridos
no contexto da atual escalada guerreira comandada pelo governo de
Tel Aviv.
O primeiro: em 26 de julho, os EUA vetaram a condenação de Israel
pelo Conselho de Segurança da ONU, pelo ataque israelense contra
um posto de observação da ONU no Líbano, que matou soldados de
manutenção de paz da Áustria, Canadá, China e Finlândia.
O outro fato foi denunciado pelo jornal americano The New York
Times (22 de julho): o governo dos EUA está enviando para Israel
bombas de alta precisão, guiadas por laser ou por satélite. Elas
foram prometidas desde 2005, mas agora Israel exigiu sua entrega
em ‘’caráter de urgência’’. São cem bombas GBU-28, de duas
toneladas, lançadas por caças F-16, e capazes de explodir abrigos
subterrâneos.
A declaração do primeiro ministro libanês contra Condoleezza
reflete a indignação geral contra essa política genocida e é
compartilhada pelo Partido Comunista do Líbano. Khaled Hedadeh,
secretário geral do partido, emitiu nota, dia 2 de agosto,
denunciando a “máquina de matar americano-israelense”, cujos
massacres que vitimam “crianças, mulheres e pessoas idosas” provam
que os israelenses “não são o nosso único inimigo pois os Estados
Unidos da América também são”. E condena sua ação com palavras
claras e diretas: É preciso recusar as negociações em que a “Dama
da Guerra, Condoleezza Rice” tome parte. Pedimos, diz, “ao sr.
Siniora, primeiro-ministro libanês, que se recuse a encontrar a
Dama da Guerra e peça um mediador honesto.” |