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Palocci depois da CPI do Banespa |
É
uma ironia que a queda do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci
tenha sido provocada pelos ataques da direita e dos
conservadores – afinal, desde o início do governo ele era tido
como uma espécie de garantia daquilo que foi assegurado na Carta
aos Brasileiros, de junho de 2002 (que ele ajudou a redigir): a
continuidade dos contratos e compromissos firmados durante o
longo período de Fernando Henrique Cardoso na presidência da
República, e da opção por uma política econômica austera e
ortodoxa.
Mas Palocci caiu sob o fogo da direita que, desde o começo do
ano tenta reabrir a crise e voltar a fazer o governo sangrar. Há
um conjunto de fatores que levaram a isso – o esforço
conservador para requentar a crise, a recuperação rápida do
prestígio de Lula e seu fortalecimento como candidato à
reeleição, a luta fratricida que o tucanato enfrentou para
definir seu candidato – tudo isso deve ter ajudado. As acusações
começaram em fevereiro, levantando a suspeita de que o então
ministro seria freqüentador de uma casa suspeita em Brasília,
onde lobistas discutiriam seus negócios, dividiriam dinheiro e
participariam de festas pouco recomendáveis. Nada ficou provado.
Em março, a oposição apareceu com o caseiro Francenildo dos
Santos Costa garantindo ter visto o ministro inúmeras vezes
naquela casa. O desdobramento do caso foi rápido. Para
desqualificar o depoimento do caseiro, apareceu um extrato
bancário, divulgado ilegalmente, que levantou a suspeita de que
seu depoimento teria sido comprado. O foco da acusação mudou
então, e a questão passou a ser quem foi o mandante da quebra
ilegal do sigilo bancário do caseiro. Daí para a queda do
ministro foi um passo.
Um passo que, para o líder do PCdoB na Câmara dos Deputados,
deputado Inácio Arruda, pode sinalizar a desejada mudança de
rumo na economia, tese fortalecida pela escolha do economista
Guido Mantega, um desenvolvimentista, para ocupar o Ministério
da Fazenda. “Mesmo que Mantega não pressione para mudanças com
velocidade, a indicação do nome dele é um bom sinal”, disse
Inácio, lembrando as manifestações críticas de Mantega contra as
taxas de juros altas, que impedem o crescimento.
“O presidente Lula agiu corretamente ao substituir Palocci por
Mantega, sinalizando para o conjunto da sociedade brasileira a
busca pelo desenvolvimento, que é a questão-chave para o
Brasil”, disse Inácio, destacando, mais uma vez, que Mantega
notabilizou-se em bater-se pelo desenvolvimento, defendendo
metas de desenvolvimento mais ousadas. Por isso, diz Inácio, a
indicação de seu nome cria a perspectiva de compromisso com o
Brasil.
Nos arraiais oposicionistas, por outro lado, a queda de Palocci
foi vista como sinal de que a crise pode evoluir e atacar
diretamente o presidente Lula; é o reavivamento do sonho tucano
de enlamear o presidente. Um colunista chegou a afirmar, na
internet, que os alvos podem ser Paulo Okamotto, amigo do
presidente, e o próprio filho de Lula, cujos negócios com uma
empresa de tecnologia são esmiuçados por caçadores de
irregularidades. “Palocci era um anteparo que protegia o
presidente. O escudo caiu”, diz o colunista.
São especulações. O que parece mais certo é que o presidente
pode mesmo ter finalmente decidido mudar de rumo. Opinião
reforçada com a aproximação de uma revoada no ministério da
Fazenda – no rastro de Palocci, aquele que era tido como seu
vice, secretário executivo do ministério, Murilo Portugal,
também deixou o governo. E há notícias de que Joaquim Levy,
secretário do Tesouro Nacional, também vai sair nos próximos
dias, para assumir uma vice-presidência no BID (Banco
Interamericano de Desenvolvimento). |
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As eleições de outubro
deste ano vão ocorrer 21 anos depois do fim da ditadura e da
conquista da democracia. Democracia que o Partido Comunista do
Brasil sempre defendeu, ao longo de seus 84 anos de existência,
contra todas as ameaças ditatoriais.
Nesse sentido, o PCdoB alerta os brasileiros sobre a vigência,
nesta eleição de 2006, do retrocesso antidemocrático batizado
com o nome de cláusula de barreira, norma legal aprovada no
governo Fernando Henrique Cardoso e que exige que o partido
político tenha 5% do total de votos válidos para a Câmara dos
Deputados e distribuídos em pelo menos nove estados, com um
mínimo de 2% em cada um deles, para poder ter direito a
funcionamento parlamentar no Congresso Nacional e nas demais
Casas Legislativas, acesso ao Fundo Partidário e aos programas
de rádio e TV.
A democracia brasileira não é dominada por dois ou três grandes
partidos, como ocorre em muitos países. Ao contrário, ela é
pluripartidária, e isso é uma conquista de décadas de luta dos
brasileiros pela verdade democrática, pelo direito de que todas
as correntes de opinião possam disputar eleições e participar em
igualdade de condições do cenário político.
A cláusula de barreira é um mecanismo antidemocrático que
elimina essa conquista, limita a representação parlamentar dos
partidos e contraria a plena concretização da vontade dos
eleitores.
O Partido Comunista do Brasil denuncia ao povo brasileiro que,
além de ser um atentado contra a democracia, a cláusula de
barreira e impede a presença no Congresso Nacional e nas demais
Casas Legislativas de partidos e parlamentares que defendem os
direitos do povo e os interesses do país.
O PCdoB é um dos alvos dessa medida antidemocrática. Os
adversários da democracia querem excluir do Parlamento
brasileiro justamente o Partido que mais mártires e heróis deu à
luta para que a liberdade abrisse suas asas sobre o nosso país.
Partido que contribuiu com um dos seus melhores quadros (o
deputado federal Aldo Rebelo) para disputar e assumir a
presidência da Câmara dos Deputados num momento de grandes
exigências para os rumos democráticos do Brasil.
Diante dessa injustiça, dessa ameaça, o Partido Comunista do
Brasil dirige-se ao povo e ao amplo campo democrático e
patriótico da sociedade brasileira para solicitar, nestas
eleições, o seu voto e o seu apoio. O PCdoB , por sua longa
trajetória de luta libertária, não pode ter sua representação
excluída do Congresso Nacional. O Partido Comunista do Brasil
conta e confia no povo brasileiro para que possa nas ruas e no
Parlamento prosseguir sua jornada em defesa do projeto de um
Brasil soberano, democrático, desenvolvido, que descortine um
futuro socialista para o nosso país.
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