|
A
oposição tucana anda com os nervos à flor da pele, depois de uma
sucessão de notícias divulgadas desde o início do ano, que
mostram a recuperação dos índices de aprovação ao presidente
Lula, que voltou ao patamar de 36%, o mesmo que ele tinha em
junho, antes do início da crise política.
Mais do que isso, as pesquisas sugerem que o avanço tucano na
aprovação popular pode ter sido uma “bolha” que, agora, vai se
esvaziando, deixando a impressão forte de que as CPIs e seu
teatro eleitoreiro cansaram os brasileiros e a crise parece
superada.
Não era o cenário previsto pelo tucanato e seus aliados, e que
aponta dificuldades que se aprofundam. Contra todas as previsões
oposicionistas e daqueles que garantiam que o governo havia
“acabado”, o crescimento de Lula parece consistente e, segundo a
pesquisa CNT/Sensus divulgada no dia 14, abria uma vantagem de
10% em relação ao tucano José Serra, prefeito de São Paulo, até
então o mais provável concorrente oposicionista à sucessão
presidencial. E que, provavelmente, pode não ser mais.
Segundo o Instituto Sensus, Lula teria 47,6% dos votos, contra
37,6% de Serra no segundo turno da eleição. Além disso, venceria
todos os candidatos, inclusive Serra, seja no primeiro ou no
segundo turnos da eleição.
O nervosismo, nas últimas semanas, já havia jorrado da boca do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, em um artigo ao
jornal O Estado de S. Paulo, e em duas entrevistas (à revista
IstoÉ e ao programa Roda Viva, da TV Cultura), disse que a
“ética do PT é roubar”. Isso valeu um processo movido pelo PT
contra ele, por atentar contra a honra de seus militantes, e
admoestações vindas de seus próprios partidários, que condenaram
abertamente a língua solta e a arrogância do ex-presidente.
O PSDB, por sua vez, exibia cenas de pugilato entre os
partidários do governador paulista Geraldo Alckmin e o prefeito
José Serra que, aos trancos, procuravam consolidar-se como os
escolhidos do partido para serem o “anti-Lula” de 2006. Se
Serra, de um lado, apostava em ser ungido pelos tucanos de alta
plumagem, como FHC e Tasso Jereissati, Alckmin apostava em uma
prévia interna para indicar o candidato. Sonhos desfeitos pela
pesquisa divulgada no dia 14 e que, aparentemente, consolidou a
tese da escolha do competidor com Lula pela cúpula do partido.
Tudo estaria bem para a oposição se não houvesse um “pequeno”
problema. Embora Serra pareça o preferido da cúpula, ele indica
que só aceitará concorrer se tiver a unanimidade tucana em torno
de seu nome, e isso esbarra na resistência de Alckmin, marcado
pela disputa bruta das últimas semanas e que, por isso, teria
dificuldade em aceitar a candidatura Serra. |
|
As manifestações
massivas que, como uma onda, varrem as cidades dos países árabes
em protestos contra as desrespeitosas caricaturas de Maomé
publicadas em um jornal direitista da Dinamarca e reproduzidas
pela imprensa conservadora de vários países da Europa, são a
ponta do iceberg de um fenômeno mais profundo. As populações
árabes, e muçulmanas, parecem cansadas de tanta agressão
imperialista, do desrespeito, racismo, humilhação e demais males
que a supremacia estrangeira impõe a seus países.
Novidade no noticiário internacional neste início de ano, elas
indicam uma exacerbação da luta que teve outras manifestações.
Entre elas a surpreendente vitória do Hamas na eleição
palestina, a resistência iraniana às investidas norte-americanas
e européias contra seu programa nuclear, o avanço dos xiitas na
eleição iraquiana. A rebelião deflagrada pela publicação das
charges de Maomé deixa claro que a instabilidade na região é o
grande obstáculo para os objetivos imperialistas, e lembra a
frase do dirigente chinês de Mao Tse Tung, de que “uma única
chispa pode incendiar a pradaria”.
Os protestos, que se espalharam rapidamente por todo o mundo
muçulmano, com mortes e o incêndio de embaixadas dinamarquesas
na Síria e no Líbano, criaram uma situação que a secretária de
Estado norte-americana, Condoleezza Rice classificou como fora
de controle.
Mesmo assim, no dia 12 de fevereiro, ela voltou a vociferar
ameaças contra o Irã, acenando com a possibilidade de uso de
força militar para paralisar seu programa nuclear – palavras que
trazem embutida uma verdadeira catástrofe nas relações
internacionais, colocando o mundo perigosamente à beira de um
conflito generalizado que envolveria não só os EUA e o Irã, mas
também os demais países do planeta.
Aliás, a própria reorientação das verbas de assistência
norte-americanas e da diplomacia dirigida por Condoleezza
demonstram as prioridades da política externa norte-americana,
que se concentram na Ásia e na África. Pelo terceiro ano
consecutivo, os norte-americanos reduzem as verbas destinadas
para países da América Latina (o corte previsto este ano é de
28%), redirecionando-as para países do Sudeste Asiático e da
África. A contribuição do governo dos EUA para a Millenium
Challenge Corporation (MCC), que distribui recursos da “ajuda”
norte-americana cresceu de 325 milhões de dólares para 1,2
bilhão em 2007 e 3 bilhões em 2008, quase dez vezes mais.
Ao mesmo tempo, reduziu o corpo diplomático na Argentina,
Paraguai, Colômbia e Brasil (mas não Bolívia e na Venezuela,
onde cresceu), e aumentou a representação diplomática na China e
na Índia. Isto é, o foco da atenção americana parece ser o
Oriente Médio que, como mostram os acontecimentos, é o calcanhar
de Aquiles do imperialismo.
|