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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 283

fevereiro/2006

 

 

CAPA

Tucanos nervosos com crescimento de Lula
Oriente Médio, o calcanhar de Aquiles do imperialismo
 

PCdoB

Deputado consegue o direito de propor Emendas Orçamentárias
Vereador toma posse em Volta Redonda
Autocrítica
A resistência num período de acumulação de forças
O fantasma da revisão ronda o Congresso
Nova sede e ação ampla em Tocantins
Encontro demonstra amadurecimento
Heróis comunistas são homenageados em São Paulo
 

 NACIONAL

Vice de Recife poderá ser candidato ao Senado
Lula pode abrir novo ciclo de desenvolvimento
Gabrielli desmente FHC sobre a Petrobrás
Nervosismo tucano
Cresce a aprovação popular
Trabalho extraordinário
O Maior valor dos últimos 25 anos
PCdoB quer política de reajuste permanente para mínimo
 

 INTERNACIONAL

Avanço animador na América Latina
As charges da turbulência
Trabalho infantil
Combustível para 200 anos na América do Sul
Shafik Handal (1930-2006)
Direita européia quer transformar comunismo em crime político
FSM evolui e passa a discutir o novo socialismo
 

ESPECIAL

Esta terra tem dono
 

 

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CAPA

Tucanos nervosos com
crescimento de Lula

Aldo Rebelo assinou a criação da CPI para apurar as denúncias
envolvendo a venda de empresas estatais sob Collor e FHC

 

A oposição tucana anda com os nervos à flor da pele, depois de uma sucessão de notícias divulgadas desde o início do ano, que mostram a recuperação dos índices de aprovação ao presidente Lula, que voltou ao patamar de 36%, o mesmo que ele tinha em junho, antes do início da crise política.

Mais do que isso, as pesquisas sugerem que o avanço tucano na aprovação popular pode ter sido uma “bolha” que, agora, vai se esvaziando, deixando a impressão forte de que as CPIs e seu teatro eleitoreiro cansaram os brasileiros e a crise parece superada.

Não era o cenário previsto pelo tucanato e seus aliados, e que aponta dificuldades que se aprofundam. Contra todas as previsões oposicionistas e daqueles que garantiam que o governo havia “acabado”, o crescimento de Lula parece consistente e, segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada no dia 14, abria uma vantagem de 10% em relação ao tucano José Serra, prefeito de São Paulo, até então o mais provável concorrente oposicionista à sucessão presidencial. E que, provavelmente, pode não ser mais.

Segundo o Instituto Sensus, Lula teria 47,6% dos votos, contra 37,6% de Serra no segundo turno da eleição. Além disso, venceria todos os candidatos, inclusive Serra, seja no primeiro ou no segundo turnos da eleição.

O nervosismo, nas últimas semanas, já havia jorrado da boca do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, em um artigo ao jornal O Estado de S. Paulo, e em duas entrevistas (à revista IstoÉ e ao programa Roda Viva, da TV Cultura), disse que a “ética do PT é roubar”. Isso valeu um processo movido pelo PT contra ele, por atentar contra a honra de seus militantes, e admoestações vindas de seus próprios partidários, que condenaram abertamente a língua solta e a arrogância do ex-presidente.

O PSDB, por sua vez, exibia cenas de pugilato entre os partidários do governador paulista Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra que, aos trancos, procuravam consolidar-se como os escolhidos do partido para serem o “anti-Lula” de 2006. Se Serra, de um lado, apostava em ser ungido pelos tucanos de alta plumagem, como FHC e Tasso Jereissati, Alckmin apostava em uma prévia interna para indicar o candidato. Sonhos desfeitos pela pesquisa divulgada no dia 14 e que, aparentemente, consolidou a tese da escolha do competidor com Lula pela cúpula do partido. Tudo estaria bem para a oposição se não houvesse um “pequeno” problema. Embora Serra pareça o preferido da cúpula, ele indica que só aceitará concorrer se tiver a unanimidade tucana em torno de seu nome, e isso esbarra na resistência de Alckmin, marcado pela disputa bruta das últimas semanas e que, por isso, teria dificuldade em aceitar a candidatura Serra.

 

EDITORIAL

Oriente Médio, o calcanhar de Aquiles do imperialismo

As manifestações massivas que, como uma onda, varrem as cidades dos países árabes em protestos contra as desrespeitosas caricaturas de Maomé publicadas em um jornal direitista da Dinamarca e reproduzidas pela imprensa conservadora de vários países da Europa, são a ponta do iceberg de um fenômeno mais profundo. As populações árabes, e muçulmanas, parecem cansadas de tanta agressão imperialista, do desrespeito, racismo, humilhação e demais males que a supremacia estrangeira impõe a seus países.

Novidade no noticiário internacional neste início de ano, elas indicam uma exacerbação da luta que teve outras manifestações. Entre elas a surpreendente vitória do Hamas na eleição palestina, a resistência iraniana às investidas norte-americanas e européias contra seu programa nuclear, o avanço dos xiitas na eleição iraquiana. A rebelião deflagrada pela publicação das charges de Maomé deixa claro que a instabilidade na região é o grande obstáculo para os objetivos imperialistas, e lembra a frase do dirigente chinês de Mao Tse Tung, de que “uma única chispa pode incendiar a pradaria”.

Os protestos, que se espalharam rapidamente por todo o mundo muçulmano, com mortes e o incêndio de embaixadas dinamarquesas na Síria e no Líbano, criaram uma situação que a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice classificou como fora de controle.

Mesmo assim, no dia 12 de fevereiro, ela voltou a vociferar ameaças contra o Irã, acenando com a possibilidade de uso de força militar para paralisar seu programa nuclear – palavras que trazem embutida uma verdadeira catástrofe nas relações internacionais, colocando o mundo perigosamente à beira de um conflito generalizado que envolveria não só os EUA e o Irã, mas também os demais países do planeta.

Aliás, a própria reorientação das verbas de assistência norte-americanas e da diplomacia dirigida por Condoleezza demonstram as prioridades da política externa norte-americana, que se concentram na Ásia e na África. Pelo terceiro ano consecutivo, os norte-americanos reduzem as verbas destinadas para países da América Latina (o corte previsto este ano é de 28%), redirecionando-as para países do Sudeste Asiático e da África. A contribuição do governo dos EUA para a Millenium Challenge Corporation (MCC), que distribui recursos da “ajuda” norte-americana cresceu de 325 milhões de dólares para 1,2 bilhão em 2007 e 3 bilhões em 2008, quase dez vezes mais.

Ao mesmo tempo, reduziu o corpo diplomático na Argentina, Paraguai, Colômbia e Brasil (mas não Bolívia e na Venezuela, onde cresceu), e aumentou a representação diplomática na China e na Índia. Isto é, o foco da atenção americana parece ser o Oriente Médio que, como mostram os acontecimentos, é o calcanhar de Aquiles do imperialismo.
 

 

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