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CAPA

CPI investiga privatizações

Aldo Rebelo assinou a criação da CPI para apurar as denúncias
envolvendo a venda de empresas estatais sob Collor e FHC

Os trabalhadores protestaram contra as privatizações, como na Marcha do Sem Terra a Brasília, em 1997 (acima).j Mas, para proteger aqueles negócios escusos, FHC jogou a polícia sobre manifestantes contra o leilão da Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro (detalhe).

A marca mais visível dos governos de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso foram as privatizações de empresas estatais, símbolo de uma política equivocada e antinacional, e marcadas por denúncias de graves irregularidades que nunca foram apuradas.

Demanda antiga dos setores progressistas e patrióticos, agora aquelas denúncias serão investigadas: no dia 16, o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), assinou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito das Privatizações, que abarcará o período de 1990 a 2002, o que implica na investigação das ações de desestatização promovidas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A CPI foi criada a partir de requerimento de 2003 apresentado pelo deputado José Divino (PMR/RJ) e vai averiguar as condições em que foi feita a venda de empresas estatais, e verificar irregularidades que tenham prejudicado o erário.

Ao justificar o pedido de CPI, Divino argumentou que o Programa Nacional de Desestatização, operado pelo BNDES, não foi transparente no processo de venda das empresas públicas. Para ele, a venda das empresas a preços irrisórios foi um crime contra o Estado brasileiro. A CPI das Privatizações será formada por 23 titulares e 23 suplentes, que têm de ser indicados pelos líderes partidários em até 48 horas. A instalação ocorrerá somente após a escolha dos integrantes, com a eleição do presidente, vice-presidente, e a escolha do relator – e, se os partidos não indicarem os membros para compor a CPI, o presidente da Câmara já anunciou que vai indicá-los.

No foco da investigação, a oposição – que, no poder, foi responsável por essas privatizações que causaram escândalo – acusou a formação da CPI de eleitoreira e “revanchista”. Aldo Rebelo rebateu essa acusação dizendo que “as CPIs obedecem ao critério da ordem de apresentação dos requerimentos. A presidência delibera conforme essa ordem, sem analisar qual CPI é mais fácil ou difícil de ser digerida”.

As privatizações foram uma das principais cicatrizes deixadas pela política neoliberal hegemônica nos anos 90. Naquele período, foram privatizadas empresas estratégicas para o Brasil, como a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Telebrás e a Usiminas. Na ocasião, o PCdoB, o PT e outros partidos e organizações de esquerda se manifestaram através de seus parlamentares e da mobilização dos trabalhadores e da sociedade para tentar evitar as vendas.

Mas a força do lobby neoliberal e a influência do tucanato sobre os meios de comunicação tentaram convencer o país de que elas eram uma necessidade para o desenvolvimento nacional. Alegavam que as empresas eram deficitárias, ineficientes e serviam como cabide de emprego. Na verdade, procuravam desmontar empresas estratégicas para a soberania e para o desenvolvimento nacionais.

A venda da Telebrás, por exemplo, foi envolvida por denúncias de que o próprio presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, se emprenhou para o favorecer uma das empresas compradoras, um grupo italiano. Outro ponto escandaloso foi o exíguo valor pago pelo sistema Telebrás: R$ 22 bilhões – a mesma quantia que, dois anos antes, o governo havia investido na infra-estrutura do sistema de telecomunicações. Sob FHC, o BNDES também foi instrumento dos abusos neoliberais. O banco, cuja função é financiar o desenvolvimento nacional, emprestou para o comprador o valor que ele deu de entrada para adquirir a Telebrás, a quantia de R$ 8 bilhões.

São denúncias que precisam ser investigadas, e a criação da CPI das Privatizações é um passo para pôr a limpo aquele período de desestatização que esfolou o Estado e gerou lucros para os envolvidos.

 

EDITORIAL

Salário mínimo, motor do desenvolvimento

As centrais sindicais queriam 400 reais; segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), o valor deveria ser 1.500 reais. Mas tudo indica que o resultado das conversas entre o governo e as lideranças dos trabalhadores vai levar o valor do salário mínimo a 350 reais.

Está abaixo do que se pretendia, mas indica o prosseguimento de uma política de recuperação, lenta, da renda dos trabalhadores. Ultrapassa a casa dos 150 dólares, acima da marca lendária dos 100 dólares. Em comparação com o período FHC, é um ganho substancial. Em 1995, seu primeiro ano de mandato, o presidente tucano fixou o valor do mínimo em 150 reais, ou 111,50 dólares; esse valor caiu muito durante os oito anos de FHC, fechando em 200 reais (ou 80,64 dólares) em maio de 2002, último valor decretado por ele. Sob Lula, o valor começou a ter uma recuperação discreta mas constante, chegando em 2006 ao equivalente a 150 dólares.

A fixação do novo valor ainda está sob acentuado debate e enfrenta oposição dentro do próprio governo, enfrentando sérias resistências de setores da equipe econômica. Mas, segundo alguns economistas, a elevação de seu valor será benéfica para a economia, pois vai engrossar a massa salarial em cerca de 15 bilhões de reais, aumentando assim a capacidade de consumo da população e, em conseqüência, o dinamismo da economia. É um caminho que fortalece a tese da necessidade de valorização do trabalho e distribuição de renda – trabalhadores com melhores salários representam um dos motores mais fortes para reativar o desenvolvimento, reanimar a economia e fortalecer o país.
 

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