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O
10º
Congresso do PCdoB ocorreu em 2001; nestes quatro anos que o
separam do 11º Congresso, que será aberto no dia 20 de outubro,
o Partido viveu um processo intenso de crescimento de sua
atividade política, reflexo direto da eleição de Luiz Inácio
Lula da Silva para a Presidência da República em 2002. O Partido
inicia seu 11º Congresso vivendo uma fase nova em sua história.
Pela primeira vez tem responsabilidades de governo – participa
da administração federal, tem um ministro, um vice-governador e
vários prefeitos e vices, uma bancada federal formada por 11
deputados e um senador, e um de seus dirigentes, o deputado
federal Aldo Rebelo, é o presidente da Câmara dos Deputados,
posição de poder inédita para os comunistas brasileiros.
É uma
situação nova na história comunista no Brasil, que exige uma
atualização na política do Partido e a consolidação do
movimento, iniciado já no 9º Congresso, em 1997, da busca de um
socialismo com características brasileiras. Esta é parte do
conjunto de desafios que serão enfrentados pelos mais de mil
delegados que estarão presentes na plenária final do 11º
Congresso. Qual será o rumo a seguir nos próximos quatro anos?
Que espécie de partido é preciso para enfrentar para o tempo
atual? Qual sua forma organizativa?
Os
comunistas não têm muitas dúvidas a respeito, como demonstraram
os debates preparatórios para o Congresso: é preciso combinar
inovação com permanência, preparar o Partido para novas
filiações, mas manter o centralismo-democrático como seu eixo
estruturante.
O 11º
Congresso ocorre num momento de forte investida da direita
contra o governo Lula; os conservadores, articulados em torno do
eixo PSDB/PFL, procuram preparar sua volta para o governo
através do desgaste do governo Lula, da destruição do partido do
presidente, o PT, e da desmoralização da esquerda em geral. É
uma situação que impõe, para os comunistas, o exame de uma pauta
que engloba ações imediatas e uma perspectiva de médio prazo. As
primeiras dizem respeito ao fortalecimento da linha de defesa do
governo, à justa apuração e punição de eventuais ilícitos
cometidos, à defesa de uma agenda positiva de medidas que
atendam aos anseios do povo e do país, ao impulso do movimento
social em defesa das mudanças prometidas em 2002 e à defesa do
mandato do presidente Lula.
Em
perspectiva, é preciso trabalhar pela repactuação do projeto de
mudança, com ênfase na luta contra o neoliberalismo, reforçando
a alternativa desenvolvimentista democrática, reorganizando a
aliança de centro-esquerda e a recomposição do núcleo de
esquerda da base de apoio do governo.
É uma agenda
considerável, sobre a qual o Congresso do Partido vai debater,
deliberar e firmar as posições que orientarão a ação comunista
nos próximos quatro anos. São desafios de uma quadra histórica
nova, em que a luta de classes alcança novo patamar, o da luta
direta pelo controle do governo da República. E, de seu
enfrentamento, surgirá um Partido renovado, fortalecido e pronto
para ocupar seu lugar na vanguarda da luta do povo brasileiro.
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Os congressos comunistas
são autênticos exercícios de democracia, raramente vistos em
outras agremiações políticas, principalmente nos partidos da
burguesia. O debate das teses que serão aprovadas na plenária
final do 11º Congresso do PCdoB envolveram cerca de 70 mil
militantes, em inúmeras conferências distritais, municipais e
estaduais, que ocorreram em 1.365 cidades brasileiras. Em termos
numéricos, é mais do que o dobro dos quase 34 mil militantes
envolvidos nos debates do 10º Congresso, realizado em 2001.
Trata-se de um esforço coletivo enorme, iniciado no mês de
julho, e cujo resultado é a elaboração coletiva da linha
política que vai orientar o Partido nos próximos quatro anos.
Por isso, os comunistas defendem o centralismo-democrático como
o método fundamental de construção partidária. O resultado desse
envolvimento de tantos militantes no debate livre e amplo das
teses do Partido cristaliza-se num conjunto de documentos que
definem uma política que passa a ser de todos, do presidente do
Partido ao mais novo filiado comunista. Este é o compromisso
coletivo – debater, elaborar e – depois – adotar como sua a
linha política construída por todos.
Nos últimos anos, o PCdoB enfrentou o debate sobre este seu eixo
estruturante, o centralismo-democrático. A idéia de que esta é
uma tese ultrapassada virou moda em muitos setores da esquerda
que, a pretexto de uma “democratização” das organizações,
preconizam a liberdade de escolha de adotar ou não as decisões
coletivas.
Mas a vida demonstrou a permanência daquela forma organizativa
fundada por Lênin no início do século XX. Com ela, o PCdoB se
consolidou, cresceu, ganhou forças e enfrentou embates
poderosos. Enfrentou discrepâncias políticas de certo modo
inevitáveis diante do ineditismo dos desafios provenientes das
novas responsabilidades políticas assumidas pelo Partido.
Reforçou o centralismo-democrático e o aprimorou, com tolerância
e firmeza, demonstrando na prática que, longe de ser um
obstáculo ao debate ou às opiniões pessoais, é um paradigma
insubstituível ao labor do Partido Comunista. Buscou pôr a
política no posto de comando, tomando por base o
centralismo-democrático e aprimorando sua aplicação. Ele é a
base da democracia comunista, que torna o Partido o instrumento
necessário para o avanço da luta dos trabalhadores e do povo. |