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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 278

outubro/2005

 

 

CAPA

Renovar o Partido para os tempos atuais
Democracia comunista e centralismo-democrático
 

PCdoB

Flexibilidade e firmeza
O novo desafio da participação no governo
Coesão tática, renovação e acumulação de forças
Tempo de crescimento
Alta exigência e risco
Concepção una e sistêmica do trabalho ideológico
Nova etapa do IMG
Princípios bimestral
Formação e Propaganda
70 mil comunistas
 

INTERNACIONAL

Comunistas buscam ampla aliança contra o neoliberalismo e o belicismo dos EUA
Solidariedade internacional
 

MOVIMENTOS

Fortalecer o PCdoB entre os trabalhadores

Unificar a luta do povo

Força comunista
União da Juventude Socialista
Movimento Estudantil
Uma luta de todos
O garimpeiro de diamantes
Momento favorável
 

ESPECIAL

Vitalidade e resistência

 

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CAPA

Renovar o Partido para os tempos atuais

 

O 10º Congresso do PCdoB ocorreu em 2001; nestes quatro anos que o separam do 11º Congresso, que será aberto no dia 20 de outubro, o Partido viveu um processo intenso de crescimento de sua atividade política, reflexo direto da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em 2002. O Partido inicia seu 11º Congresso vivendo uma fase nova em sua história. Pela primeira vez tem responsabilidades de governo – participa da administração federal, tem um ministro, um vice-governador e vários prefeitos e vices, uma bancada federal formada por 11 deputados e um senador, e um de seus dirigentes, o deputado federal Aldo Rebelo, é o presidente da Câmara dos Deputados, posição de poder inédita para os comunistas brasileiros.

É uma situação nova na história comunista no Brasil, que exige uma atualização na política do Partido e a consolidação do movimento, iniciado já no 9º Congresso, em 1997, da busca de um socialismo com características brasileiras. Esta é parte do conjunto de desafios que serão enfrentados pelos mais de mil delegados que estarão presentes na plenária final do 11º Congresso. Qual será o rumo a seguir nos próximos quatro anos? Que espécie de partido é preciso para enfrentar para o tempo atual? Qual sua forma organizativa?

Os comunistas não têm muitas dúvidas a respeito, como demonstraram os debates preparatórios para o Congresso: é preciso combinar inovação com permanência, preparar o Partido para novas filiações, mas manter o centralismo-democrático como seu eixo estruturante.

O 11º Congresso ocorre num momento de forte investida da direita contra o governo Lula; os conservadores, articulados em torno do eixo PSDB/PFL, procuram preparar sua volta para o governo através do desgaste do governo Lula, da destruição do partido do presidente, o PT, e da desmoralização da esquerda em geral. É uma situação que impõe, para os comunistas, o exame de uma pauta que engloba ações imediatas e uma perspectiva de médio prazo. As primeiras dizem respeito ao fortalecimento da linha de defesa do governo, à justa apuração e punição de eventuais ilícitos cometidos, à defesa de uma agenda positiva de medidas que atendam aos anseios do povo e do país, ao impulso do movimento social em defesa das mudanças prometidas em 2002 e à defesa do mandato do presidente Lula.

Em perspectiva, é preciso trabalhar pela repactuação do projeto de mudança, com ênfase na luta contra o neoliberalismo, reforçando a alternativa desenvolvimentista democrática, reorganizando a aliança de centro-esquerda e a recomposição do núcleo de esquerda da base de apoio do governo.

É uma agenda considerável, sobre a qual o Congresso do Partido vai debater, deliberar e firmar as posições que orientarão a ação comunista nos próximos quatro anos. São desafios de uma quadra histórica nova, em que a luta de classes alcança novo patamar, o da luta direta pelo controle do governo da República. E, de seu enfrentamento, surgirá um Partido renovado, fortalecido e pronto para ocupar seu lugar na vanguarda da luta do povo brasileiro.
 

 

EDITORIAL

Democracia comunista e centralismo-democrático

Os congressos comunistas são autênticos exercícios de democracia, raramente vistos em outras agremiações políticas, principalmente nos partidos da burguesia. O debate das teses que serão aprovadas na plenária final do 11º Congresso do PCdoB envolveram cerca de 70 mil militantes, em inúmeras conferências distritais, municipais e estaduais, que ocorreram em 1.365 cidades brasileiras. Em termos numéricos, é mais do que o dobro dos quase 34 mil militantes envolvidos nos debates do 10º Congresso, realizado em 2001. Trata-se de um esforço coletivo enorme, iniciado no mês de julho, e cujo resultado é a elaboração coletiva da linha política que vai orientar o Partido nos próximos quatro anos.


Por isso, os comunistas defendem o centralismo-democrático como o método fundamental de construção partidária. O resultado desse envolvimento de tantos militantes no debate livre e amplo das teses do Partido cristaliza-se num conjunto de documentos que definem uma política que passa a ser de todos, do presidente do Partido ao mais novo filiado comunista. Este é o compromisso coletivo – debater, elaborar e – depois – adotar como sua a linha política construída por todos.


Nos últimos anos, o PCdoB enfrentou o debate sobre este seu eixo estruturante, o centralismo-democrático. A idéia de que esta é uma tese ultrapassada virou moda em muitos setores da esquerda que, a pretexto de uma “democratização” das organizações, preconizam a liberdade de escolha de adotar ou não as decisões coletivas.


Mas a vida demonstrou a permanência daquela forma organizativa fundada por Lênin no início do século XX. Com ela, o PCdoB se consolidou, cresceu, ganhou forças e enfrentou embates poderosos. Enfrentou discrepâncias políticas de certo modo inevitáveis diante do ineditismo dos desafios provenientes das novas responsabilidades políticas assumidas pelo Partido. Reforçou o centralismo-democrático e o aprimorou, com tolerância e firmeza, demonstrando na prática que, longe de ser um obstáculo ao debate ou às opiniões pessoais, é um paradigma insubstituível ao labor do Partido Comunista. Buscou pôr a política no posto de comando, tomando por base o centralismo-democrático e aprimorando sua aplicação. Ele é a base da democracia comunista, que torna o Partido o instrumento necessário para o avanço da luta dos trabalhadores e do povo.

VERMELHO.ORG.BR