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Um comunista preside a Câmara dos
deputados |
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Com a
eleição de Aldo Rebelo, a direita sofreu uma derrota e a crise
arrefeceu |
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Posse de Aldo Rebelo na presidência da Câmara dos Deputados |
"Se
o PFL tivesse ganho, no dia seguinte tentariam me derrubar” –
esta avaliação da vitória de Aldo Rebelo (PCdoB/SP) para a
presidência da Câmara dos Deputados, feita pelo presidente da
República, Luiz Inácio Lula da Silva, indica o que estava em
disputa ali, e também o sentido da vitória do deputado
comunista. A direita investiu tudo para eleger o sucessor de
Severino Cavalcanti. E esperava aprofundar sua investida rumo ao
Palácio do Planalto, seja melhorando suas condições para a
disputa de 2006, ou criando uma alternativa viável, para os
conservadores, num provável desfecho da crise que resultasse no
afastamento dos eleitos em 2002.
Não deu
certo, como mostra o arrefecimento da crise desde o dia 28 de
setembro. A direita sofreu uma derrota importante, e que
claramente não esperava.
Aparentemente, os conservadores ficaram num beco sem saída pois
tudo indica que a crise não pode mais seguir o rumo que vinha
trilhando desde maio.
A reação do
líder do PSDB, o tucano paulista Alberto Goldman, indica esse
dilema: assim que o resultado daquela eleição foi divulgado, ele
se apressou em desqualificar o novo presidente da Câmara
alegando uma pretensa falta de autoridade moral de Aldo Rebelo
para exercer o cargo. E, nos dias seguintes, a imprensa
conservadora – da Veja à Folha de S. Paulo – juntou-se a esse
coro de descontentes.
Eles sabem
por que choram. A ascensão de Aldo Rebelo à presidência da
Câmara é um acontecimento histórico – é a primeira vez que um
comunista, vice-presidente do PCdoB, chega tão alto na estrutura
de poder em nosso país. E assume uma posição estratégica, que
fortalece o governo e suas linhas de resistência contra as
investidas da direita. É também trincheira fundamental para
qualquer mudança institucional, que dá ao detentor desse cargo
uma ampla margem de manobra para articulações políticas e a
construção dos consensos necessários para elas. E Aldo
manifestou, imediatamente após a votação da noite do dia 28, a
consciência da autoridade do cargo, a humildade para colocá-lo a
serviço do país e seu povo, e a disposição para enfrentar o jogo
político e construir o caminho para a volta da Câmara dos
Deputados a seu papel de caixa de ressonância dos sentimentos
nacionais e instrumento capaz de torná-los realidade.
Este é o
desafio que cabe a Aldo Rebelo, desafio que – como assegura
Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB – aumenta a
responsabilidade dos comunistas. O Partido ganha um novo
protagonismo na vida nacional e sua visibilidade cresce. A
vitória de Aldo aponta para o fortalecimento da luta pela
democracia, soberania nacional e bem- estar dos brasileiros.
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Lula elogia Aldo
e seu Partido |
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No programa Café com
o Presidente de 3 de outubro o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva falou sobre a eleição de Aldo Rebelo para a
presidência da Câmara e elogiou o PCdoB. A Classe Operária
reproduz abaixo suas palavras:
“Eu acredito que o Aldo tem toda a
credibilidade, todas as qualidades para ser um excepcional
presidente da Câmara dos Deputados. Aliás, eu já disse que o
Aldo tem a sensatez que a Câmara precisa de um presidente.
Alguém que mantenha um diálogo com todas as forças
políticas, alguém que seja respeitado por todas as forças
políticas e alguém que tenha dimensão do papel de ser
presidente da Câmara dos Deputados. Foi uma disputa
acirrada, uma disputa democrática, demonstrando que o
Congresso Nacional faz as coisas que todo o povo brasileiro
espera. Meus parabéns à Câmara dos Deputados, meus parabéns
ao Thomaz Nonô, que foi o candidato da oposição, e meus
parabéns ao companheiro Aldo Rebelo, que está no lugar que
ele merece, ele fez por merecer isso, ele é um deputado de
muita credibilidade nacional, pertence a um partido que tem
história nesse país, portanto, eu acho que a Câmara agora
vai dar um impulso muito grande para que a gente possa votar
todas as coisas de interesse do povo brasileiro.” |
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Reforma política: a luta não
terminou |
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Atropelado pela crise,
que levou à renúncia de Severino Cavalcanti e à eleição do
comunista Aldo Rebelo para a presidência da Câmara dos
Deputados, o debate sobre a reforma política continua. Como o
prazo fatal para que as mudanças possam valer para a eleição de
1º. de outubro de 2006 venceu no dia 30 de setembro, sem que a
questão fosse votada, o caminho agora é a aprovação de uma
emenda constitucional que prorrogue aquele prazo para o dia 31
de dezembro. E há uma proposta nesse sentido, tramitando na
Câmara dos Deputados, a PEC 446/05, do deputado Ney Lopes
(PFL/RN). O presidente da Câmara, Aldo Rebelo – contrariando
aqueles que, apressadamente, anunciaram sua “derrota” na reunião
do dia 29, que terminou sem consenso – anunciou no dia 4 a
formação de uma comissão com representantes de todos os partidos
para discutir todas as propostas sobre reforma eleitoral e
política e definir um calendário de votações.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania está
analisando a admissibilidade da PEC 446/05, isto é, se ela é
constitucional e legal, está redigida de acordo com a técnica
correta e não fere princípios orçamentários. E há também em
andamento uma consulta ao STF sobre a validade de alterações
pretendidas.
Setembro passou mas o debate continua, e três projetos de
reforma eleitoral tramitamna Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania da Câmara, um dos quais teve origem no Senado: o
Projeto de Lei 3798/04, permitindo a veiculação por rádio e tevê
de entrevistas e notícias com análise sobre candidatos em
campanha. Outro é o PL 4258/04, que institui a checagem da
votação eletrônica, na presença de fiscais dos partidos, sob
controle do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Finalmente, o PL
do Senado, número 5855/05, de autoria do senador Jorge
Bornhausen, pretende coibir o uso de caixa dois nas campanhas,
proíbe showmícios e restringe a divulgação de pesquisas
eleitorais.
O Brasil precisa de uma reforma política democrática pois a
legislação em vigor é duramente restritiva, impondo a
verticalização, isto é, a obrigação dos partidos repetirem, nos
estados e municípios, a mesma aliança que estabelecerem em nível
nacional, e introduziu a cláusula de barreira antidemocrática de
5% dos votos em todo o país para que os partidos tenham
funcionamento parlamentar, direito à propaganda gratuita em
rádio e tevê e recebam verbas do fundo partidário.
São estas restrições que vão valer em 2006 se o Congresso
Nacional não aprovar as mudanças propostas, em busca do
aperfeiçoamento democrático do sistema eleitoral brasileiro.
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