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Manifestantes de
todo o país dirigiram-se a Brasília para apoiar o presidente
Lula, pedir mudanças na políticas econômicas e apuração das
denúncias de corrupção |
Os
estudantes com as caras pintadas de verde e amarelo,
sindicalistas, trabalhadores rurais sem-terra, democratas,
ativistas do movimento anti-racista e das lutas pelos direitos
das mulheres foram a Brasília, dia 16, defender o mandato do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por quem tanto lutaram
para eleger.
Existiam também faces pintadas de
preto, em protesto contra a corrupção e as manobras golpistas
que querem desgastar e derrubar o governo.
Cientes do valor das grandes
jornadas que possibilitaram a eleição de Lula, os manifestantes
convocados pela UNE, UBES, CUT, Conam e outras entidades e
partidos populares exigiram, igualmente, mudança na orientação
governista, em especial na política econômica, e o cumprimento
dos compromissos assumidos de realização de reforma agrária,
recuperação de salário, democratização crescente da vida
política e social.
A presença do povo nas ruas
assustou os setores conservadores e os comandantes dos partidos
que advogam o neoliberalismo, como o PSDB e o PFL, assanhados
com a possibilidade de voltar ao governo central. Os meios de
comunicação abriram espaço para editoriais e pronunciamentos
reacionários, assustados com a existência de manifestações a
favor do governo e temerosos do caminho que a situação política
possa tomar com a presença dos setores populares e progressistas
nas ruas. Açularam uma contramanifestação de setores sectários,
no intuito de mostrar que o movimento popular estaria dividido.
E a divisão é um perigo real para
o movimento popular, tamanha a força das elites dominantes e a
dimensão das tarefas a serem cumpridas para garantir um rumo
progressista, de desenvolvimento econômico e social, soberano,
ao país. Como alertou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo,
“toda crise política é uma luta política. A luta atual é densa e
aguda. Não é possível estar despreparado e desarmado para esse
tipo de enfrentamento. A maré não está para os partidos de
esquerda. Os conservadores conseguiram atingir, em pouco tempo,
o estado-maior do PT e do governo. Grande parte do campo
governista caiu na defensiva e no imobilismo, levando a um
grande recuo e dificulta a resistência. Hoje, a disputa está
entre Fica, Lula x Sai Lula. Nossa posição é no Fica, Lula, pois
quem ganha com a saída de Lula são os conservadores, os
reacionários”.
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No dia 16 de
agosto, sob a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), em
Brasília, houve na Esplanada dos Ministérios uma manifestação de
milhares de populares e estudantes pela apuração das denúncias e
punição dos corruptos, pela cobrança ao governo dos compromissos
de mudança e contra as maquinações da oposição neoliberal que
trama cassar o mandato do presidente Lula ou mantê-lo refém sob
a chantagem do impeachment.
Para a CMS, o plano da direita neoliberal, encoberto numa
campanha moralista para a qual seu passado e seu presente não
recomendam, é via essa ofensiva pavimentar o retorno ao governo
da República. Portanto, dia 16 foi o dia do Fica, Lula!
No dia 17 de agosto, no mesmo local, foi a vez dos partidários
do Fora Lula puxado por PSTU e P-Sol com outros coadjuvantes.
Enquanto a manifestação do dia 16 foi caluniada e difamada pela
maioria da mídia, essa foi enaltecida em prosa e verso.
Interessante, como as coisas se encaixam.
No início de agosto, houve uma reunião da oposição da qual
participaram PSDB, PFL, PPS, PV, PDT. Depois de horas de
reflexão, os senhores da guilhotina proclamaram à nação que por
hora não há condições para pedir o impeachment do presidente
Lula. Uns dizem que falta um fato jurídico perfeito, outros
retrucam que fatos há, aos montes. Mas eles, depois de muito
discutirem, se unificaram num ponto: falta o clamor das ruas
pedindo a cabeça do presidente. Enquanto isso, a campanha de
desmoralização do governo prosseguirá de modo ininterrupto.
Mas se não há o clamor pela guilhotina, que se fabrique, então,
o clamor. Aí que entra em cena a chamada ultra-esquerda como
linha auxiliar da direita neoliberal. Se a direita conclui que
precisa de uma multidão na rua gritando Fora Lula, para cassar o
mandato do presidente ou para debilitá-lo; de bom grado, essa
gente lá vai fazer o serviço.
Mas, eles não estão sozinhos nessa faina de fabricar o clamor
pelo impeachment.
A Força Sindical já anunciou um calendário de mobilização em São
Paulo e em outras cidades.
Por sua vez, a Coordenação dos Movimentos Sociais reunida em
Brasília logo depois do ato vitorioso do dia 16 confirmou a
orientação, já anunciada, de fazer propagar manifestações com as
mesmas bandeiras de Brasília nas capitais e principais cidades
do país.
Da parte do presidente Lula, ele voltou afirmar em Vitória da
Conquista, num assentamento de trabalhadores rurais, no dia 17
de agosto, que embora a vontade da oposição seja vê-lo acuado no
Palácio do Planalto, de modo algum isso acontecerá. Ele vai
prosseguir cumprindo uma agenda que o coloque em contato com o
povo.
As forças democráticas, populares e patrióticas, devem em cada
capital, em cada município, procurar organizar de modo unitário
mobilizações contra a corrupção, pelas mudanças e em defesa da
autoridade e do mandato do presidente Lula. O front das ruas é
decisivo para que o desfecho da crise seja favorável ao Brasil e
ao povo. |