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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 274

agosto/2005

 

 

CAPA

Fica, Lula!
As ruas, o novo front da crise
 

PCdoB

Para limitar a representação
Partidos: espelhos do país
Recompondo a base
PCdoB e PSB: consenso
Sintonia fina na mobilização partidária
Rabelo debate a crise, no DF
Na dianteira do combateo
 

NACIONAL

Eleição sem campanha
Miguel Arraes (1917-2005)
Fica, lula!
Prêmio Lila Ripoll de Poesia
Francisco Milani, ator e comunista
Ato contra corrupção e o golpismo supera expectativas
A esquerda que a direita gosta
Sarney: esquerda é uma das "grandes forças do progresso"
Opções Antagônicas
Participação estratégica
Em defesa da ética e da ciência
Autoridades na mira
A consagração de Belluzzo
Solo contaminado
 

INTERNACIONAL

O imperialismo não é invencível
A retirada israelense
 

MOVIMENTOS

0800 contra a violência

Unidade Operária

Perseguições condenadas
Trabalhadores da Ford iniciam criação de rede mundial
Aumenta o número de metalúrgicos empregados
Racha na AFL-CIO
Fraude pode virar profissão
 

ESPECIAL

A vez do esporte de base

 

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CAPA

Fica, Lula!

O movimento popular entra em cena denunciando o golpismo das elites e manifestando apoio ao presidente oriundo das lutas operárias

Manifestantes de todo o país dirigiram-se a Brasília para apoiar o presidente Lula, pedir mudanças na políticas econômicas e apuração das denúncias de corrupção

Os estudantes com as caras pintadas de verde e amarelo, sindicalistas, trabalhadores rurais sem-terra, democratas, ativistas do movimento anti-racista e das lutas pelos direitos das mulheres foram a Brasília, dia 16, defender o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por quem tanto lutaram para eleger.

Existiam também faces pintadas de preto, em protesto contra a corrupção e as manobras golpistas que querem desgastar e derrubar o governo.

Cientes do valor das grandes jornadas que possibilitaram a eleição de Lula, os manifestantes convocados pela UNE, UBES, CUT, Conam e outras entidades e partidos populares exigiram, igualmente, mudança na orientação governista, em especial na política econômica, e o cumprimento dos compromissos assumidos de realização de reforma agrária, recuperação de salário, democratização crescente da vida política e social.

A presença do povo nas ruas assustou os setores conservadores e os comandantes dos partidos que advogam o neoliberalismo, como o PSDB e o PFL, assanhados com a possibilidade de voltar ao governo central. Os meios de comunicação abriram espaço para editoriais e pronunciamentos reacionários, assustados com a existência de manifestações a favor do governo e temerosos do caminho que a situação política possa tomar com a presença dos setores populares e progressistas nas ruas. Açularam uma contramanifestação de setores sectários, no intuito de mostrar que o movimento popular estaria dividido.

E a divisão é um perigo real para o movimento popular, tamanha a força das elites dominantes e a dimensão das tarefas a serem cumpridas para garantir um rumo progressista, de desenvolvimento econômico e social, soberano, ao país. Como alertou o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, “toda crise política é uma luta política. A luta atual é densa e aguda. Não é possível estar despreparado e desarmado para esse tipo de enfrentamento. A maré não está para os partidos de esquerda. Os conservadores conseguiram atingir, em pouco tempo, o estado-maior do PT e do governo. Grande parte do campo governista caiu na defensiva e no imobilismo, levando a um grande recuo e dificulta a resistência. Hoje, a disputa está entre Fica, Lula x Sai Lula. Nossa posição é no Fica, Lula, pois quem ganha com a saída de Lula são os conservadores, os reacionários”.
 

 

EDITORIAL

As ruas, o novo front da crise

No dia 16 de agosto, sob a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), em Brasília, houve na Esplanada dos Ministérios uma manifestação de milhares de populares e estudantes pela apuração das denúncias e punição dos corruptos, pela cobrança ao governo dos compromissos de mudança e contra as maquinações da oposição neoliberal que trama cassar o mandato do presidente Lula ou mantê-lo refém sob a chantagem do impeachment.

Para a CMS, o plano da direita neoliberal, encoberto numa campanha moralista para a qual seu passado e seu presente não recomendam, é via essa ofensiva pavimentar o retorno ao governo da República. Portanto, dia 16 foi o dia do Fica, Lula!

No dia 17 de agosto, no mesmo local, foi a vez dos partidários do Fora Lula puxado por PSTU e P-Sol com outros coadjuvantes. Enquanto a manifestação do dia 16 foi caluniada e difamada pela maioria da mídia, essa foi enaltecida em prosa e verso.

Interessante, como as coisas se encaixam.
No início de agosto, houve uma reunião da oposição da qual participaram PSDB, PFL, PPS, PV, PDT. Depois de horas de reflexão, os senhores da guilhotina proclamaram à nação que por hora não há condições para pedir o impeachment do presidente Lula. Uns dizem que falta um fato jurídico perfeito, outros retrucam que fatos há, aos montes. Mas eles, depois de muito discutirem, se unificaram num ponto: falta o clamor das ruas pedindo a cabeça do presidente. Enquanto isso, a campanha de desmoralização do governo prosseguirá de modo ininterrupto.

Mas se não há o clamor pela guilhotina, que se fabrique, então, o clamor. Aí que entra em cena a chamada ultra-esquerda como linha auxiliar da direita neoliberal. Se a direita conclui que precisa de uma multidão na rua gritando Fora Lula, para cassar o mandato do presidente ou para debilitá-lo; de bom grado, essa gente lá vai fazer o serviço.

Mas, eles não estão sozinhos nessa faina de fabricar o clamor pelo impeachment.

A Força Sindical já anunciou um calendário de mobilização em São Paulo e em outras cidades.

Por sua vez, a Coordenação dos Movimentos Sociais reunida em Brasília logo depois do ato vitorioso do dia 16 confirmou a orientação, já anunciada, de fazer propagar manifestações com as mesmas bandeiras de Brasília nas capitais e principais cidades do país.

Da parte do presidente Lula, ele voltou afirmar em Vitória da Conquista, num assentamento de trabalhadores rurais, no dia 17 de agosto, que embora a vontade da oposição seja vê-lo acuado no Palácio do Planalto, de modo algum isso acontecerá. Ele vai prosseguir cumprindo uma agenda que o coloque em contato com o povo.

As forças democráticas, populares e patrióticas, devem em cada capital, em cada município, procurar organizar de modo unitário mobilizações contra a corrupção, pelas mudanças e em defesa da autoridade e do mandato do presidente Lula. O front das ruas é decisivo para que o desfecho da crise seja favorável ao Brasil e ao povo.

VERMELHO.ORG.BR