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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 273

agosto/2005

 

 

CAPA

Contra a corrupção, com Lula, pelas mudanças
Recompor a frente democrática, patriótica e progressista para defender
 

PCdoB

Plataforma progressista e popular
Mulheres devem ter participação de destaque
Seminário debate currículo
Filiações no RJ
 

NACIONAL

Jamil Murad fala sobre a crise política atual e dos possíveis caminhos para sair dela
Convicções anti-democráticas
Autocritica
O foco de FHC e o foco de Lula
Licença para matar
Vitória nas ruas
A luta pelo progresso do Brasil
Liberais x desenvolvimentistas
 

INTERNACIONAL

Um canal para as Américas
Um gigante do pensamento socialista
 

MOVIMENTOS

Movimento sociais preparam-se para o 16 de agosto

"A CUT é apartidária,  mas não apolítica"

Caraíba Metais usa violência contra trabalhadores
Trabalhadores da Ford iniciam criação de rede mundial
Os 30 anos de criação do semanário Movimento
Encontro em Caracas
Elo republicano
 

ESPECIAL

2 bilhões de noveleiros

 

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CAPA

GRANDE ATO PÚBLICO EM BRASÍLIA DIA 16 DE AGOSTO

Contra a corrupção, com Lula, pelas mudanças

Manifestação em defesa do governo Lula exigindo punição dos corruptos

O desafio para as forças democráticas e populares é recompor a frente de centro-esquerda e reforçar o papel político do presidente Lula, com uma plataforma que resgate os compromissos com as mudanças, o desenvolvimento econômico sustentado, distribuição de renda, recuperação do salário mínimo, reforma agrária, investimentos em saúde e educação. E também de adotar uma concepção de frente política e de efetivo governo de coalizão. Em sua última reunião, a Comissão Política Nacional do PCdoB aprovou um documento com estas diretrizes (ver abaixo). Para enfrentar esse desafio, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) fortalece a mobilização contra a corrupção, com Lula, pelas mudanças e prepara o grande ato marcado para o dia 16 de agosto, em Brasília.

 

 

Recompor a frente democrática, patriótica e progressista para defender

Instaurada há mais de dois meses, a crise política que atinge o governo do presidente Lula continua em desenvolvimento, não alcançou o seu desfecho e tende a um agravamento crescente. O conteúdo e sentido desta crise são negativos às forças progressistas que ascenderam ao governo da República com a histórica vitória do povo brasileiro na sucessão presidencial de 2002.

Nas últimas semanas, a situação se agudizou em decorrência da revelação de graves fatos que debilitaram o Partido dos Trabalhadores. Este enfraquecimento decorreu de erros políticos e éticos praticados por dirigentes da legenda, fato este reconhecido pela própria nova direção do PT. A oposição conservadora tem explorado ao máximo estes erros para dar mais contundência à sua investida para desmoralizar o PT e o conjunto da esquerda, debilitar o governo e a liderança do presidente Lula — tudo isso canalizado ao seu projeto de retornar, a qualquer custo, ao governo da República.

Este quadro deu margem para a oposição assumir a iniciativa política, exercer certo controle sobre a dinâmica do confronto, com o que busca imprimir à crise o sentido e o desfecho que melhor seja conveniente aos seus interesses. Achando-se donas da situação, as forças conservadoras capitaneadas pelo PSDB e o PFL, a pretexto de combater a corrupção, fazem circular pela mídia notícias de articulações que não descartam, inclusive, iniciativas para uma eventual cassação do mandato do presidente. Com esse mesmo propósito golpista, mas sob outra roupagem surge noutro pólo a proposta de antecipação das eleições.

Nesse mesmo contexto, aparecem propostas referentes “a uma concentração dos grandes partidos”, ou seja, uma espécie de pacto das elites não só para blindar a atual política econômica, mas aprofundar seus componentes de cunho neoliberal, como é o caso da proposta de se adotar o déficit nominal zero. Embora apresentada com certa sutileza, trata-se de uma espécie de chantagem. Esta seria uma pré-condição para as elites aceitarem pôr fim à crise.

Neste ambiente, no qual ganha volume uma onda política conservadora, causa indignação à consciência democrática deparar-se com o desempenho performático de figuras velhas e jovens de uma oligarquia dominante, que de braços dados com a corrupção, sempre agiu e governou contra o Brasil e o povo. Este tipo de gente, sob os holofotes da mídia, desempenha com pompa e cinismo, o papel de magistrados e de “salvadores da pátria”.

Essa movimentação de nítida natureza antidemocrática levou o presidente Lula, que continua com considerável apoio popular, a reagir proclamando que não se curvará à investida das elites. Emitiu dessa maneira a necessária e oportuna mensagem política de que irá lutar para defender o mandato presidencial oriundo dos votos de 52 milhões de brasileiros.

Com o intuito de enfrentar a presente adversidade, o governo, recentemente, concluiu a reforma ministerial. Houve esforços para diminuir a presença excessiva do PT e ampliar em certa medida a sua composição embora não tenha resultado, talvez pela própria circunstância, num autêntico governo de coalizão com mais nitidez programática e formado por um leque amplo de legendas e personalidades de reconhecida autoridade política.

Em face da gravidade a que chegou a crise emerge uma tarefa que nesta hora é primordial para as forças democráticas: é preciso impedir que a ofensiva da oposição provoque a falência da importante experiência de governo das forças progressistas do país, experiência que, embora recente e contraditória, continua sendo promissora aos destinos do país e aos interesses do povo.

É imperativo, pois, paralisar a crise, barrar a tendência que a ela imprime a oposição com o fito de levar o governo à débâcle. Para isso é preciso reagrupar as forças democráticas, patrióticas e populares que se dispersaram ao longo da jornada. Este reagrupamento deve ser direcionado, de imediato, para fortalecer a autoridade do presidente da República. A concretização desse movimento imprescindível exige, todavia, a implementação imediata de uma plataforma que fortaleça e resgate os compromissos com a mudança.

Sem a adoção por parte do governo de uma agenda que assegure o desenvolvimento econômico e o progresso social, torna-se difícil tanto recompor a frente das forças democráticas e progressistas quanto reforçar politicamente o presidente da República.

A recomposição dessa frente requer a iniciativa do diálogo e do debate entre os partidos, correntes e personalidades democráticas e progressistas e os movimentos socais tendo por base a reconstrução dessa plataforma mudancista. É preciso que de imediato o governo torne realidade algumas medidas concretas em prol do desenvolvimento como a redução dos juros e o aumento dos investimentos e, por outro lado, realize ações que dêem respostas aos anseios populares, como o cumprimento integral do plano nacional de reforma agrária e uma política crescente de valorização do salário mínimo.

Em resposta às motivações mais concretas da crise é preciso que o governo e as forças avançadas continuem na linha de frente pela apuração e punição dos responsáveis por atos de corrupção praticados.

Impõe-se também uma renovação da legislação partidária e eleitoral através de uma reforma política democrática que assegure a pluralidade partidária e institua o financiamento público das campanhas eleitorais como um mecanismo que seja um óbice aos esquemas ilícitos derivados em grande medida do sistema vigente no qual as campanhas são custeadas, no geral, pelos grupos privados e pelo poder econômico.

Ainda para um desenlace positivo dessa crise que assola o governo é auspicioso que a nova direção dos Partidos dos Trabalhadores tenha anunciado o compromisso de trabalhar para restaurar a respeitabilidade da legenda através de um profícuo esforço de reconstrução direcionado para reaproximá-la de suas bases populares e que resulte no seu fortalecimento enquanto agremiação da esquerda brasileira.

Nesta hora, não há outro caminho senão o da luta, da mobilização e da resistência. O governo Lula e as forças que o apóiam com coragem política, com determinação para resgatar os compromissos de mudança e a imprescindível mobilização do povo, estão chamados a enfrentar e vencer esta violenta investida da oposição conservadora.

São Paulo, 25 de julho de 2005
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil - PCdoB
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