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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 270

junho/2005

 

 

CAPA

Enfrentar e vencer a ação golpista
A oposição quer imobilizar o governo, não apurar corrupção
 

PCdoB

Defender o governo Lula da ofensiva eleitoreira da oposição
Agenda para 2006
Metalúrgicos fortalecem fileiras comunistas
O Partido do socialismo com a cara e o jeito do Brasil
Condado PE começa a mudar
 

NACIONAL

A bandeira rota da moralidade
A atitude golpista da oposição
Quem luta contra a corrupção no Brasil
Novos destinos para as águas do Velho Chico
São Francisco, o rio da unidade nacional
Projetos do passado
Água, instrumento de poder
Uma experiência internacional
Gil completa a diretoria da Ancine
 

INTERNACIONAL

Vitória Latino-Americana
Contra a constituição neoliberal
 

MOVIMENTOS

Reta final exige esforço de toda militância

A nova versão do MEC

Aula de política
De braços dados com a polícia política 
Na empresa e nas ruas, a luta pela democracia
Fugindo da Volks para não ser preso
Demissão para intimidar
A luta contra o racismo é parte integrante do projeto de emancipação nacional  e social
Protesto e repressão
 

ESPECIAL

O renascimento da fênix

 

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CAPA

GOVERNO SOB ATAQUE

Enfrentar e vencer a ação golpista

Contra a investida da direita, o governo precisa punir exemplarmente os corruptos, adotar uma agenda positiva, reconformar a maioria e mobilizar a sociedade

Lula na abertura do 4º Fórum Global de Combate à Corrupção: "na própria carne se necessário."



O ataque contra o governo é intenso, e a oposição conservadora, que representa principalmente os interesses do grande capital financeiro internacional e brasileiro, usa todos os meios de que dispõe – sua representação parlamentar, governadores de Estado e, principalmente, a grande imprensa, onde prolifera há décadas a defesa do programa neoliberal e da subordinação do Brasil aos interesses do imperialismo.

Essa virulência cujo alvo é um governo que estas forças não controlam não é novo, e repete situações semelhantes já ocorridas na história da República, desde Floriano Peixoto. Foram essas mesmas forças, com a mesma bandeira falsamente moralista, que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1964, que tentaram impedir a posse de Juscelino Kubitschek em 1955, que conspiraram contra João Goulart de 1961 a 1964, e que tentaram vilipendiar Itamar Franco em 1993. E que estiveram no governo com os militares direitistas de 1964, com Fernando Collor de Mello em 1990 e com Fernando Henrique Cardoso de 1995 a 2002, forças que estiveram não só atrás dos desmandos dos governos autoritários mas, principalmente, foram o esteio do programa neoliberal contrário aos interesses dos trabalhadores, da economia brasileira e da soberania nacional. Governos que enfrentaram fortes denúncias de irregularidades, jogadas para baixo do tapete por operações abafa de triste memória.

No tiroteio pela imprensa dos últimos dias, uma frase quase não foi notada. Ela foi dita pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, no dia 7, em discurso na posse de novos procuradores da República, onde relativizou as suspeitas de corrupção levantadas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reconhecendo que o Brasil passa por momentos difíceis, disse que a “imprensa hiperavalia” o quadro e “faz um manchetismo danado”, e que não se deve “apavorar nem se amedrontar por causa disso”. É uma opinião importante, dada pela única autoridade que, no país, tem o poder de iniciar, no Supremo Tribunal Federal, qualquer ação contra o presidente da República.

O presidente Lula, aliás, foi autor de outra frase significativa nesta crise.

Durante o 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, ocorrido em Brasília, dia 7, ele assegurou que “cortará na própria carne se necessário”, para esclarecer e punir as denúncias. Ao mesmo tempo, garantiu que vai estimular o Congresso a desenvolver suas investigações. “Independentemente do uso político-eleitoral que alguns estão fazendo, no meu governo levarei as investigações até as últimas conseqüências. Por isso jurei a Constituição. Sou o principal guardião das instituições deste país, funcionário público número um”, afirmou o presidente, que recusou o uso de panacéias para “enfrentar problemas que se arrastam por décadas, quando não por séculos”.

O combate é político, e seu alvo é 2006; Lula tem razão: é preciso investigar, julgar e punir aqueles que cometeram crimes contra o patrimônio público. Mas as ações precisam ir adiante, para consolidar a ação do governo, fortalecer a avaliação favorável que o povo faz do governo e derrotar a investida da direita neoliberal. O governo precisa adotar uma agenda positiva, reconformar a maioria parlamentar e mobilizar a sociedade.

 

EDITORIAL

A oposição quer imobilizar o governo, não apurar corrupção

Ao contrário do que hipocritamente alardeia, a oposição não busca apurar denúncias de corrupção mas pretende, na verdade, transformar o Congresso Nacional em palanque eleitoral para imobilizar e desestabilizar o governo - esta foi a conclusão da Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) reunida no dia 3 de junho, em Brasília.

A reunião aprovou, também, um manifesto na qual se afirma que “é imperativo que as forças progressistas e populares se mobilizem e combatam a ofensiva que a oposição conservadora empreende contra o governo democrático do presidente Lula”.

Para os comunistas, a luta contra a corrupção tem sido realizada de maneira firme pelo governo Lula. Muito ao contrário da era FHC, na qual houve  dezenas e dezenas de denúncias de corrupção e nada foi investigado ou apurado.

O PCdoB considera que o governo Lula precisa realizar uma contra-ofensiva para conter e vencer a investida da oposição conservadora. Para isso, é imprescindível a urgente adoção de algumas medidas.

As investigações acerca das denúncias de corrupção nos Correios, na Câmara dos Deputados devem ir a fundo e os culpados exemplarmente punidos. E, ao mesmo tempo, o governo precisa implementar, imediatamente, uma plataforma com medidas claras em prol do desenvolvimento, do emprego, da distribuição de renda. Também é preciso recompor uma maioria parlamentar para assegurar a governabilidade. Os movimentos sociais que tiveram papel importante na eleição de Lula, nessa hora em que o conservadorismo busca desestabilizar o governo, precisam entrar em ação, “tomar a palavra” para desmascarar a oposição. (Leia na página 2 a íntegra do manifesto aprovado pela Comissão Política Nacional do PCdoB, intitulado “Defender o governo Lula da ofensiva eleitoreira da oposição”).

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