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Brasil está diante de uma escolha urgente e de longo alcance, que tem a ver com todos nós, assalariados da cidade e do campo, que produzimos a riqueza do país, e com os nossos irmãos desempregados. Depende de nós, trabalhadores e trabalhadoras, aqui e agora, o país de amanhã.
Em 2002 elegemos para a Presidência da República um representante da nossa classe – o torneiro-mecânico e líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva.
Foi uma enorme vitória. E, acima de tudo, uma vitória dos trabalhadores e do povo.
No entanto, eleger o presidente não basta. Lula começou o seu discurso de posse com a palavra “Mudança”. E é fato que muitas coisas estão mudando.
Mas, para essas mudanças se consolidarem e avançarem, a luta continua. Será preciso reunir forças ainda maiores para superar a herança deixada pelo modelo econômico neoliberal, perverso e injusto, de Fernando Henrique Cardoso.
O salário mínimo só neste 1º de maio atinge R$ 300. Enquanto a taxa de juros reais é a mais alta do planeta, 12% ao ano. Os brasileiros pagam pesados impostos, porém mais de dois terços do arrecadado vão para os agiotas estrangeiros e brasileiros da dívida pública. Isso tudo entrava o desenvolvimento brasileiro, ainda sujeito a forte dependência externa. Mesmo com um crescimento de 5,2% no PIB em 2004, a taxa de desemprego teima em continuar acima dos 10%, e a vida do povo continua difícil.
A construção de um novo modelo de desenvolvimento com valorização do trabalho exige o engajamento das forças sociais interessadas. E os trabalhadores se destacam entre todas elas, pelo seu número e por serem os maiores interessados na mudança que, numa palavra, vai depender de nós, enquanto classe. Se nos omitirmos, a proposta mudancista do governo Lula pode se frustrar. Se entrarmos na arena da luta social e política, como força independente e ativa, temos condições – talvez as melhores de toda a nossa história – de realizar com profundidade as mudanças que o país precisa.
O PCdoB tem se empenhado, desde a primeira hora, de corpo e alma, na luta por um Brasil soberano, livre, com desenvolvimento e distribuição de renda.
Somos um partido interessado em levar este projeto até as últimas conseqüências – para nós ele representa uma etapa de uma caminhada maior, no rumo de um novo sistema, socialista, renovado e que tenha a cara e o jeito do Brasil.
Estamos convencidos de que esta luta pede, exige o fortalecimento dos vínculos entre o PCdoB e os trabalhadores. O Partido precisa da classe. E a classe precisa do Partido. Esta interdependência vem desde o berço do Partido Comunista, em 1922. Mas se reforça hoje, quando o PCdoB realiza um Encontro Nacional em Belo Horizonte exatamente para dar conta desta exigência.
Toda classe social possui um setor relativamente passivo e outro mais consciente, ativo e engajado. Queremos que você faça parte desta última parcela. Que entre no seu sindicato e atue dentro dele, que participe dos movimentos de moradia, de mulheres, de juventude, de cultura e tantos mais, sempre tendo como norte os interesses de classe. Que assine a ficha de filiação ao PCdoB e milite em uma de suas organizações. Que ajude o Partido a fincar raízes cada vez mais fundas entre os trabalhadores.
Não somos um partido de véspera de eleição, mas das pequenas e das grandes batalhas pelos interesses do Brasil e pelos direitos do povo. Propositalmente, fazemos este convite neste 1º de Maio, Dia da Solidariedade Mundial dos Trabalhadores. Não oferecemos vantagens e mordomias, mas um posto de combate por uma causa grande e nobre, a de um Brasil livre e soberano, com desenvolvimento e valorização do trabalho.
Hoje, a luta pelo desenvolvimento do país envolve bandeiras defendidas não apenas pelos trabalhadores, mas que interessam também a uma ampla aliança de forças sociais que envolve setores populares, trabalhadores rurais sem terra, estudantes, camadas médias, setores do empresariado produtivo. Uma aliança capaz de mobilizar as grandes massas. A implementação das mudanças requer um governo de coalizão, amplo, plural, sem exclusivismos.
Ao mesmo tempo – não nos iludimos – são bandeiras que interessam acima de tudo aos trabalhadores e triunfarão na medida em que a classe entre em cena, erga a voz e faça valer sua força. É para isto que esta “Carta do PCdoB aos trabalhadores brasileiros” convoca você.
Belo Horizonte, 24 de abril de 2005
Encontro Nacional do PCdoB
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