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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 266

abril/2005

 

 

CAPA

Plataforma para o Brasil
Politizar e intensificar a ação militante
Pela imediata solução das pendências do Araguaiagressão estúpida
 

PCdoB

O exemplo do Rio de Janeiro
Aumenta a reação
Nova categoria de contribuição
2º Encontro de Prefeitos e Vices
Repúdio do PCdoB
 

NACIONAL

Elevar a intervenção nos movimentos sociais para garantir as mudanças
Está chegando a hora
Metrô: o que está acontecendo?
Por melhorias no transporte
A Reforma Política que aprofunda a democracia
Metrô: o que está acontecendo?
Por melhorias no transporte
A Reforma Política que aprofunda a democracia
Agnelo: esporte ganhou status de política de Estado
PEC contra o nepotismo tem vitória na Câmara
Nós e a chacina
 

INTERNACIONAL

Maquinações dos EUA contra Cuba
 

MOVIMENTOS

Mobilizações contra a PEC 369

Redução da jornada de trabalho

UNE na luta pela Reforma Universitária
MST promove 17 ocupações em Pernambuco
A atuação dos comunistas no movimento popular comunitário em um novo ciclo político brasileiro
9º Congresso da Conam
 

ESPECIAL

Papa morto, papa posto

 

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CAPA

Plataforma para o Brasil
avançar nas mudanças!



O Partido Comunista do Brasil está empenhado em atualizar e desenvolver uma plataforma que fortaleça a tendência mudancista do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os comunistas defendem que ao governo Lula tenha um caráter frentista, de coalizão, para garantir as condições necessárias para implementar um conjunto de medidas que garanta aos brasileiros condições dignas de existência, num país democrático e soberano. A decisão do governo de não renovar o acordo do país com o FMI, uma das reivindicações apresentadas pelo Partido, foi saudada como uma ato afirmativo, positivo, do presidente Lula. Segundo Renato Rabelo, presidente do PCdoB, “para obtermos êxito, é fundamental elevar a nossa intervenção nos movimentos sociais, pois sem a pressão dos trabalhadores e do povo organizado, ficamos desfalcados para garantir a efetivação de políticas de integração social e elevação do nível de vida de nosso povo”. Estas são as bandeiras que o PCdoB apresenta:

Contra os juros altos Só os banqueiros e os grandes especuladores ganham com as elevadas taxas de juros, atualmente as mais altas do mundo e majoradas ainda mais a cada mês. É necessária a redução substancial das taxas de juros reais e a destinação de mais investimentos no setor produtivo. 

Contra a independência do Banco Central A autonomia do Banco Central significa, na verdade, subordiná-lo aos magnatas das finanças. É fundamental o aumento do controle público sobre o BC, que deve estar alinhado com o esforço desenvolvimentista do país.

Em defesa do Mercosul, contra a Alca Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil estava atrelado aos interesses dos Estados Unidos na formação da Alca. O governo Lula mudou isso e conta com o apoio do PCdoB na adoção de política externa soberana, de fortalecimento do Mercosul, da unidade dos países da América Latina e diversificação das parcerias econômicas.

Reforma agrária já Latifúndio improdutivo é um atraso. O Partido Comunista foi o primeiro a defender a reforma agrária e continua na luta por terra para quem nela quer trabalhar e pelo apoio à agricultura familiar.

Mais democracia e direitos para os trabalhadores As reformas devem ampliar a democracia e assegurar os direitos dos trabalhadores. O PCdoB é contra propostas que representem retrocessos democráticos e corte de direitos sociais. 

11º CongressO
Politizar e intensificar a ação militante

O PCdoB pretende realizar, no segundo semestre, o maior e mais representativo congresso de sua história. Foi o que afirmou o secretário de Organização do Partido, Walter Sorrentino, durante a reunião da Comissão Política Nacional, dia 9, em São Paulo. “Queremos que seja o maior Congresso, tanto pela mobilização, quanto pelo número de delegados participantes”, disse. “Vamos preparar a militância para isso”.

Para ele, o Partido “está com uma visibilidade nunca antes alcançada. A mobilização para o 11º Congresso está deflagrada, e não queremos ‘fazer mais do mesmo’, mas fazer em nível mais elevado o que já fizemos de correto e inovar, ser criativos. Devemos politizar e intensificar a ação da militância, e os programas de TV e rádio do Partido foram importantes ajudas para isso. O Partido está chamado a fortalecer o rumo das mudanças e pode delimitar os combates mais imediatos e pontuais, como as reformas sindical e universitária, num ambiente de unidade e luta no campo governista e de enfrentamento à oposição conservadora”.

 

EDITORIAL

Pela imediata solução das pendências do Araguaiagressão estúpida

Este ano de 2005 marcou os vinte anos do fim da ditadura militar. A Guerrilha do Araguaia contribuiu para que a democracia voltasse a reger a vida do país.

Por isto, neste mês de abril, quando se completam 33 anos dessa jornada heróica, por todo país realizam-se comemorações em homenagem ao seu legado e à memória dos guerrilheiros. 

O Araguaia foi a resistência armada à truculência do regime ditatorial de maior duração. Durante quase 3 anos, menos de uma centena de guerrilheiros, com o apoio da população local, enfrentaram e resistiram a milhares de efetivos das Forças Armadas. Essa resistência enfraqueceu a ditadura e fortaleceu o ânimo da oposição democrática.

Desencadeado a 12 de abril de 1972, na fase mais feroz da Ditadura Militar, esse movimento popular armado resistiu, heroicamente, por quase três anos as investidas de um contingente de mais de 12 mil homens das Forças Armadas.

Quando a resistência organizada se encerrou, em meados de 74, e, definitivamente, o conflito se findou, em janeiro de 75, se verificou que não havia nenhum prisioneiro. Os guerrilheiros que caíram nas garras dos efetivos das Forças Armadas, quase todos, foram covardemente executados. Dos que tombaram em combate, vários foram decapitados. Os corpos foram mutilados e lançados em lugares inóspitos e desconhecidos.

Essa selvageria foi, também, perpetrada contra a população da região do Araguaia. Ela foi vítima de violências, prisões arbitrárias e torturas. Com essas ações bárbaras, os militares visavam conter o apoio popular à guerrilha.

A Guerrilha do Araguaia é um tema que persiste. A censura que lhe foi imposta durante tanto tempo, o confinamento, a destruição dos arquivos oficiais, represaram as análises, o interesse e as polêmicas que ela suscita. Mas o tema permanece de certa forma inconcluso, também, porque a consciência humanística e os valores religiosos do povo brasileiro não aceitam o fato de que se negue até os dias de hoje o direito humanitário dos familiares dos guerrilheiros e do Partido a que pertenciam, o PCdoB, de enterrar em túmulo honroso os restos mortais dos combatentes.

Em dezembro do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 1a Região, decidiu quebrar o sigilo dos documentos do Araguaia. O governo Lula, acertadamente, não recorreu da sentença nas instâncias superiores. O que se espera, agora, dele, como um governo democrático, é que agilize, sem demora, as providências que são de sua responsabilidade para que apareçam mais esclarecimentos sobre o conflito, entre eles, o paradeiro dos restos mortais dos guerrilheiros. 

A abertura imediata dos arquivos da época da Ditadura Militar, entre eles os documentos referentes ao Araguaia, é uma exigência das forças democráticas do país. Esta providência, longe de debilitar a democracia brasileira, contribuiria, isto sim, para amadurecê-la. A nação e as instituições que a representam, ao tomarem conhecimento dos atos bárbaros praticados, certamente adotarão providências para que condutas e ações hediondas, à margem dos princípios da civilidade, dos direitos humanos, jamais voltem a ser praticadas em nome de instituições que formam o Estado brasileiro.

Trinta e três anos depois, a Guerrilha do Araguaia, mesmo derrotada militarmente, continua a vicejar. Os guerrilheiros são celebrados pelo povo e amados pela juventude. As sementes que eles plantaram, de convicção ao grande ideal socialista, de amor ao Brasil e à causa democrática e patriótica, germinam sem cessar.

VERMELHO.ORG.BR