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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 265

março/2005

 

 

CAPA

Fim da tutela do FMI
América do Sul busca caminho independente
CUT e o PT procuram o PCdoB para debater reforma sindical
Agressão estupida
 

PCdoB

PCdoB quer reforçar laços com o proletariado
História violentada
Novos parlamentares
Mobilização para o 11º Congresso
Comissão reconhece anistia política a militares do PCdoB
Alternativas para o Brasil avançar nas mudanças
Pela renovação de Ibaté
IMG lança edição atualizada do Curso Básico em Vídeo
Um jornal dos trabalhadores
 

NACIONAL

Cai a máscara de César Maia
A não renovação do acordo com o FMI
Lula conclui reforma ministerial e mantém Aldo Rebelo
Brasil perde o mito César Lattes
 

INTERNACIONAL

Manifestações em todo o mundo pelo fim da guerra no Iraque
Amazônia protesta e Rumsfeld escapa pelos fundos
Caminhos da luta operária
Brasil repudia agenda de norte-americano
Unidade na América do Sul
Embaixador da Síria visita PCdoB
Vegetativa desde 1990 e sem direito de morrer
O Caso Terri Shiavo
 

MOVIMENTOS

Atuação  destacada da UJS no Coneg da UNE

"Na pressão pelas mudanças"

"Houve mais democracia nesta gestão"
Chapa da CSC é reeleita com 98% dos votos
Reeleição em Caxias do Sul
Lições da greve na França
 

ESPECIAL

Vale a pena ouvir de novo
 

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CAPA

Fim da tutela do FMI

Mas prossegue a luta para mudar a orientação da política econômica


Uribe, Zapatero, Chávez e Lula, no encontro dos dirigentes sul-americanos com o primeiro-ministro da Espanha
A decisão do governo Lula, anunciada dia 28 de março, de não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) rompeu uma tutela de sete anos que o Fundo exercia sob a economia e as finanças do país. Sem essa tutela, cria-se a possibilidade de o país retomar a condução da política econômica. O Brasil conquistou, como disse o presidente Lula, a oportunidade “de andar com suas próprias pernas e com sua própria orientação.”

Esta relevante decisão é uma vitória das forças políticas e sociais que lutam para que o governo Lula avance na realização das mudanças. Entre elas, há que se destacar o desempenho do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Desde o ano passado, os comunistas defendiam a não-renovação do acordo sob o argumento de que é imperativo o país retomar a gestão de sua política econômica.

Como sempre, incensado pelos meios de comunicação, Fernando Henrique Cardoso “esnobou”. Disse que no final de seu governo, o país não precisava mais do FMI. E que, em 2002, o acordo só fora renovado pelo “efeito do risco Lula.” Uma mentira descarada. É de domínio público que FHC passou ao sucessor um país na “UTI”, sem credibilidade externa, com as reservas no vermelho e, ainda, com a inflação prestes a estourar.

A supressão da tutela do Fundo é, portanto, um mérito do governo Lula que soube contornar essa “herança maldita” e, agora, com a retomada do crescimento econômico tomou a correta decisão de não renovar com o Fundo.

Venceu-se uma batalha importante, mas a luta continua. O FMI se foi mas seu receituário neoliberal segue em vigência. O ministro da Fazenda anunciou que a “a austeridade fiscal” e as metas inflacionárias continuarão sendo as balizas da política macroeconômica.

Mas, é inegável que a luta por nova orientação macroeconômica se dará doravante em melhores condições. Ninguém poderá se esquivar das mudanças alegando as imposições do Fundo.  

América do Sul busca caminho independente

As declarações de Lula em defesa da soberania e do estreitamento das relações entre os países latino-americanos foram os destaques do encontro entre os presidentes do Brasil, Venezuela e Colômbia e do premiê da Espanha, dia 30. “A Venezuela não precisa ficar sendo acusada de coisas que a gente que convive com você, Chávez, sabe que não fazem parte de seu comportamento e de seu pensamento”, disse Lula, reafirmando ainda a certeza de “nossa solidariedade” ao país. 

CUT e PT procuram o PCdoB para debater reforma sindical

Tendo por pauta a reforma sindical, realizou-se dia 27, na sede do PCdoB, em São Paulo, uma reunião da direção nacional do PCdoB com o presidente da CUT, Luiz Marinho, o secretário de organização dessa entidade, Artur Henrique da Silva Santos e o presidente do PT, José Genoíno. 

Participaram do encontro o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, o vice-presidente, José Reinaldo Carvalho, e o secretário Sindical, João Batista Lemos. Wagner Gomes, vice-presidente da CUT, e Pascoal Carneiro, integrante da executiva dessa central e também membros da direção do PCdoB, estiveram na reunião.

O encontro se realizou por solicitação do presidente da CUT, que o propôs para um debate mais profundo sobre o projeto da reforma sindical. Desta maneira — procurado na semana anterior — o PCdoB considerou útil a idéia e realizou a reunião.

Na ocasião vieram à tona as divergências que as duas partes têm manifestado a respeito da proposta de reforma sindical já protocolada no Congresso. O PCdoB detalhou as razões que balizam o posicionamento contrário dos comunistas à PEC-369 e ao seu correspondente projeto de lei. CUT, PCdoB e PT manifestaram a disposição de continuar o diálogo a respeito do tema. 

 

NOTA

Agressão estúpida

RENATO RABELO*

Com surpresa e indignação tomei conhecimento pelos jornais da absurda demolição do simples e honroso monumento que registrava, em Xambioá, Tocantins, o local onde foram espalhadas as cinzas do grande brasileiro que foi João Amazonas. As notícias dão conta que este ato insano se deu por ordens do prefeito local. 

A confirmar os fatos, trata-se de uma atitude unilateral e estúpida da autoridade do município.Uma afronta lastimável às noções mais elementares de civilidade.

Uma agressão à consciência democrática do povo e das instituições de Xambioá e do Estado do Tocantins.

O espalhamento das cinzas de João Amazonas em Xambioá foi cuidadosamente preparado. À época a Câmara Municipal, por unanimidade, desapropriou à área e o prefeito do município sancionou o projeto. O povo consultado, demonstrou orgulho de o município ser o escolhido para receber as cinzas de Amazonas.

A solenidade de espalhamento ocorrida em 21 de junho de 2003 foi acolhida com os carinhosos sentimentos da população local. O prefeito decretou feriado.

Os sinos da igreja dobraram. Uma numerosa quantidade de pessoas estava presente, entre elas, as autoridades do município, lideranças populares, representantes do governo estadual e da Câmara dos Deputados. Professores e estudantes com faixas e cartazes homenageavam o legado de Amazonas à jornada libertária do povo brasileiro.

Essa demolição estúpida é uma agressão a tudo isso.

O PCdoB irá atuar, em conjunto, com as forças democráticas e progressistas do Estado do Tocantins e de Xambioá, para recompor o registro do local onde foram espalhadas as cinzas de João Amazonas.

*presidente do PCdoB

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