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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 263

março/2005

 

 

CAPA

O proletariado no centro do projeto político do PCdoB
EDITORIAL
Coalizão para sair da crise
 

PCdoB

PCdoB debaterá saídas avançadas para o Brasil
Cresce participação comunista em Alagoas
A centralidade do proletariado
Trabalhadores - fator estratégico para o PCdoB
 

NACIONAL

Um novo quadro político
Popularidade de Lula incomoda
Novas ameaças à integridade territorial brasileira
Olinda: reconstruindo um patrimônio nacional
Superar a política econômica
A violência do latifúndio
 

INTERNACIONAL

Evolução Positiva
Esquerda no governo
Processos de mudança num novo contexto continental
 

MOVIMENTOS

8ª Marcha Nacional a Brasília em Defesa dos Municípios
UNE quer regulamentar as mensalidades
Quem são os trabalhadores brasileiros *
Sobre os segmentos prioritários para a intervenção do Partido entre os trabalhadores
Apostando na esperança
O jogo da reforma sindical
 

ESPECIAL

Soy loco por ti, América

 

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CAPA

5º Fórum Social MundiaL
O proletariado no centro do projeto político do PCdoB

Cresceu, nos últimos anos, e mesmo em amplos setores da esquerda, a tese de que o proletariado já não tem o papel histórico transformador atribuído à classe pelos fundadores do marxismo, tese correlata à outra, que garante o fim do trabalho. Estas concepções têm um impacto direto na ação de uma organização política de classe voltada para a realização de transformações estruturais capazes de levar a humanidade a um estágio civilizatório mais alto.
Para enfrentar estas questões, o Partido Comunista do Brasil convoca seu 2° Encontro Nacional Sobre Questões de Partido, cujo tema é a centralidade do proletariado para seu projeto político, marcado para 23 e 24 de abril, em Belo Horizonte, e que vai discutir um documento que deverá balizar o debate 

A pauta envolve questões de extrema atualidade, como o conceito de proletariado, o papel da classe operária e do conjunto dos trabalhadores; inclui o debate da necessidade de valorização do proletariado na atividade do PCdoB.

Três tópicos se destacam neste particular: a consciência de classe, a reafirmação do proletariado como sujeito histórico da mudança revolucionária, e a estratégia política de classe.

A ênfase do documento é a realidade política contemporânea e suas imposições. Elas definem o objetivo estratégico que, hoje, é a superação do neoliberalismo, e a necessidade de ligar a luta de classe com uma bandeira central de intervenção configurada na luta por um projeto político nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho.

Temas de extrema atualidade, cujo enfrentamento e resolução são fundamentais para a definição de um projeto anti-capitalista de mudança social profunda e que corresponda às necessidades e vicissitudes da luta de massas de nosso tempo. “Esse é o sentido”, diz Walter Sorrentino, secretário de Organização do PCdoB, “da elaboração coletiva que queremos realizar no 2° Encontro. Repondo, hoje e sempre, que os trabalhadores são a principal base de sustentação da luta política pelas mudanças, e seu papel é estratégico para a superação do neoliberalismo, de onde a necessidade de um Partido fortemente inserido e estruturado entre os trabalhadores”.  

 

EDITORIAL

Coalizão para sair da crise

Os sinais emitidos pelo Palácio do Planalto e por alguns dirigentes do Partido dos Trabalhadores indicam que o governo do presidente Lula já escolheu o caminho para enfrentar o novo quadro político criado no Brasil depois da eleição de Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados: o caminho da consolidação de um governo de coalizão.

Enquanto interlocutores do presidente Lula garantiam, no dia 2, que a reforma política seria anunciada no dia 7 de março, surgiam sinais dos rumos da mudança no governo. O senador petista Aloízio Mercadante, por exemplo, disse em Montevidéu, onde estava para participar da posse de Tabaré Vázquez, que seu partido poderá perder postos na reforma ministerial, que será feita para “fortalecer a participação dos aliados e aumentar a eficiência em algumas áreas”.

O sinal mais forte de uma saída no sentido de ampliar a base de apoio do governo foi dado pelo próprio presidente Lula que, segundo uma nota publicada na última quarta-feira na versão eletrônica do Jornal do Brasil, ameaçou não concorrer à reeleição em 2006. O desabafo teria sido feito em uma reunião do chamado núcleo político do governo: “se acham que estou atrapalhando, volto pra casa após o mandato”. Lula tem dado sinais de irritação devido à pressão pela saída do ministro Aldo Rebelo da Coordenação Política, que é de sua estrita confiança e cuja atuação valoriza muito. Outra coisa que incomoda o presidente, sugere a nota, são os obstáculos que surgem em setores do PT contra a formação de um governo de coalizão, que pretende sacramentar com a reforma ministerial.

São sinais promissores, principalmente neste momento em que a oposição neoliberal, capitaneada pelo PSDB e pelo PFL, busca adiantar o debate sucessório de 2006, com o objetivo óbvio de recolocar o país na rota da modernização conservadora que foi a marca dos mandatos de Fernando Henrique Cardoso. A exigência de mudanças feita pelo país nas urnas, em 2002, ainda se mantém, e precisa ser reafirmada em 2006, objetivo que exige a formação de um amplo quadro de alianças em defesa do desenvolvimento, da soberania nacional, da distribuição de renda e valorização do trabalho. Aliança ampla, de forças democráticas, patrióticas e progressistas, que um governo de coalizão pode exprimir e impulsionar.

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