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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 259

novembro/2004

 

 

CAPA

PCdoB nas prefeituras: o desafio de governar bem
EDITORIAL
Pressões conservadoras contra o desenvolvimentismo
 

PCdoB

Comitê Central homenageia Elza Monnerat
Avançar no projeto nacional e preparar as eleições de 2006
Consolidar a base política e aglutinar
Encontro histórico de prefeitos comunistas
Vitórias e desafios 
Sintonia comunista em Pernambuco
Vices comunistas
Prefeituras progressistas
 

NACIONAL

As urnas revelam equilíbrio de forças
Melhor, mas não muito
Um governo de coalizão
Lula lança memorial em Maceió
Avanços entre Brasil e China
 

INTERNACIONAL

Contra a barbárie da guerra
EUA quer o controle militar nas Américas
Falluja, a Guernica dos EUA
A descoberta do Brasil pela Ásia
Ele foi o autêntico líder dos palestinos
A imagem de um povo
Mensagem do PCdoB de condolências à Autoridade Palestina
 

MOVIMENTOS

CSC reage a golpe contra os sindicatos
A singularidade da luta pela igualdade no Brasil
 

ESPECIAL

50 anos do IV Congresso

 

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CAPA

PCdoB nas prefeituras:
o desafio de governar bem


A gestão do Partido Comunista do Brasil nas 11 prefeituras que administrará a partir de 1º de janeiro terá grande significado para o Partido que, pela primeira vez, terá uma “bancada” de prefeitos no país. Foi o melhor resultado da legenda comunista em eleições majoritárias, desde a fundação, em 22 de março de 1922. O PCdoB elegeu dez chefes de Executivo por sua legenda e um (José Edberto Tavares de Quental, de Condado/PE) filiou-se após o pleito. Elegeu também 29 vice-prefeitos, incluindo os de capitais como Recife/PE, Aracaju/SE, Porto Velho/RO, Macapá/AP e Boa Vista/RR. No dia 5, ocorreu em São Paulo o I Encontro Nacional de Prefeitos e vice-prefeitos do PCdoB, com a participação de oito titulares, inclusive de cidades médias, como Barra do Garças (MT) e Camaragibe (PE) e treze vices. Compareceram, também, o presidente do Partido, Renato Rabelo, os ministros da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e do Esporte, Agnelo Queiróz, e outros 23 integrantes do Comitê Central, além de 18 convidados, entre eles representantes dos ministérios da Coordenação Política, do Esporte, da Cultura e das Cidades.

Luciana Santos, prefeita de Olinda/PE, foi reeleita no primeiro turno com 55,78% dos votos válidos. Falou sobre o que considera modo comunista de governar: “É fazer uma política ampla, um governo abrangente, de alianças, e trabalhar muito para fazer as coisas acontecerem. Isso não é fácil, mas, a partir de um diagnóstico da realidade, é possível estabelecer as prioridades de cada município”. Luciana foi a primeira prefeita comunista do Brasil e administra a terceira maior cidade pernambucana, com mais de 380 mil habitantes. 

Segundo o vice-prefeito reeleito de Recife, Luciano Siqueira, o cenário de 2005 será mais positivo: “O governo Lula assinala para um programa ousado de investimentos em infra-estrutura. A economia dá sinais de crescimento e mesmo que não seja no ritmo que todos nós gostaríamos que fosse, parece ser algo consistente”. Comunista, Luciano salienta que é essencial manter o direcionamento do Partido, colocando em prática os princípios de uma gestão de esquerda em consonância com a realidade. A luta de idéias se faz para contribuir com um projeto mais amplo de nação em prol de nossa população. “É possível propor projetos vinculados a um projeto maior e estratégico para o Brasil”, explica.

O desafio é transformar as gestões municipais encabeçadas pelos comunistas, ou com sua participação destacada, em exemplo de competência, eficiência e zelo público, fortalecendo e ampliando as fileiras do PCdoB. Serão necessárias ousadia , criatividade e coragem para fortalecer as tendências políticas progressistas. 


Prefeitos comunistas

Durante o encontro, os oito prefeitos presentes posaram para a fotografia da primeira bancada de chefes de Executivo comunistas. Ela se soma à galeria de fotos históricas do PCdoB, iniciada com o retrato dos participantes do congresso de fundação do Partido Comunista, no Rio de Janeiro, em março de 1922; a foto da bancada Constituinte, em 1946; a imagem da primeira bancada na Câmara Federal após o fim da ditadura militar, em 1985. Neste registro, feito dia 5 de novembro de 2004 estão, a partir da esquerda: José Luiz Parella, de Ibaté/SP; Edinaldo Prado Nascimento, S. João do Caru/MA; Zózimo Chaparral, de Barra do Garças/MT; Luciana Santos, Olinda/PE; Antônio de Pádua Arcanjo, de Santana do Acaraú/CE; César Augusto de Freitas, de Sanharó/PE; José Edberto Tavares de Quental, Condado/PE e João Ribeiro de Lemos, Camaragibe/PE.

 

EDITORIAL

Pressões conservadoras contra o desenvolvimentismo

Cresceram, no decorrer da primeira quinzena de novembro, as pressões contra a política desenvolvimentista implementada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), presidido pelo professor e economista Carlos Lessa.

Embora esta campanha já venha de há algum tempo, ela foi radicalizada pelos órgãos da grande imprensa, que abertamente passaram a exigir a demissão de Carlos Lessa e de seus auxiliares ou a proclamá-la antecipadamente. A manchete do dia 13 do jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, anunciava : “Lula decide tirar Lessa do BNDES”.

A senha para o recrudescimento desse ataque foi dada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele criticou publicamente os créditos direcionados do BNDES - segundo ele, responsáveis pelos altos spreads cobrados pelos bancos brasileiros. A direção do banco estatal reagiu e defendeu os créditos direcionados como necessários para vencer os gargalos da economia. Esta contra-ofensiva dos diretores do Banco seria, segundo a mídia, motivo mais do que suficiente para a demissão de sua diretoria.

Por trás dessa pressão toda está a corrente, presente na sociedade e no governo, que se opõe a um projeto nacional de desenvolvimento soberano e democrático. 

O eixo desse debate é a disputa em torno da formulação desse projeto nacional e da criação de condições concretas para seu financiamento. A política que o BNDES passou a praticar no governo Lula, sob direção de Carlos Lessa, tem por objetivo justamente o fortalecimento da capacidade de investimento do Estado brasileiro.

Para os atuais dirigentes do Banco Central, os recursos do BNDES devem ficar sob controle do sistema financeiro. O oposto do que pleiteia o setor produtivo, que quer estes recursos, com juros baixos, voltados para o financiamento da produção e a retomada do crescimento. Produção e especulação disputam, portanto, recursos de valor considerável: dos 166 bilhões de reais de créditos direcionados concedidos até setembro, mais da metade (91 bilhões) eram do BNDES, na forma de crédito direto ou repasses.

Aqueles que pressionam pela demissão de Carlos Lessa querem mudar a presidência do BNDES para alterar sua política, retroagindo aos fundamentos neoliberais praticados pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Esta é a questão: os conservadores querem tirar de cena aqueles que defendem um novo projeto nacional de desenvolvimento. Na contramão daquilo que o Brasil precisa para mudar e que exige – ao contrário – o aprofundamento da opção desenvolvimentista, compromisso maior do governo Lula que o BNDES e outros órgãos e setores governamentais buscam viabilizar.

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