|

Findas as eleições municipais, o PT conquistou vitórias significativas, assim como outros candidatos de partidos do campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas perdeu para o PSDB na maior e mais emblemática capital do país, São Paulo. Trata-se de revés importante, semelhante ao que ocorreu na capital gaúcha, Porto Alegre. Como afirma o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, “juntando-se os dois turnos, há um equilíbrio de forças entre a situação e a oposição, ainda que com uma vitória relativa do PT, que se manteve como o maior partido, o mais votado” (veja matéria nesta edição). No segundo turno, os candidatos do PT somaram 6.912.038 votos, contra 6.267.364 do PSDB. Nos dois turnos, uma série da base governista também alcançaram vitórias, como o PL, PPS, PSB e o próprio
PCdoB. Análises apressadas, movidas por interesses antidemocráticos, de limitação da representação partidária no nosso país, insistem em divulgar um nascente bipartidarismo, citando os resultados obtidos pelo PT e PSDB. O PT, o principal partido do campo do governo, arrebanhou mais de 23 milhões de votos, e o PSDB se consolidou como a principal agremiação oposicionista, com mais de 22 milhões de votos. São números gigantescos, mas outros dois partidos conquistaram mais de 10 milhões de eleitores (o PMDB, quase 16 milhões; o PFL, 12,5 milhões). Além disso, vários outros partidos ganharam a confiança dos eleitores – inclusive a confiança reafirmada no PCdoB que, com quase 900 mil votos, ficou em 12º lugar nas totalizações, mesmo concorrendo em poucos municípios para cargos majoritários, elegendo dez prefeitos. Outros números das capitais também refutam a propalada bipartidarização: o PT elegeu nove prefeitos; PSDB, cinco; PDT e PSB, três cada; PMDB e PPS, dois cada; PFL, e PTB, um cada. O Brasil que sai das urnas municipais é um país plural, com diversidades políticas e regionais. Velhos caciques foram derrotados, com os exemplos marcantes de Amazonino Mendes, no Amazonas, e Antônio Carlos Magalhães, na Bahia, ou Paulo Maluf, em São Paulo. Forças novas se apresentaram e vão mostrar agora seu jeito de fazer política nas administrações e nos parlamentos municipais. Os resultados ilustram também a rearticulação e fortalecimento de uma direita reciclada cujo eixo é o PSDB. Há que se destacar, como ensinamento deste pleito, a necessidade das forças progressistas, que buscam um novo rumo para o país, realizarem alianças mais amplas. Outra lição igualmente importante é avançar na implementação de um novo modelo de desenvolvimento que atenda às necessidades do país e da população trabalhadora. Nas eleições de outubro passado ficou evidente a busca de posições para o grande embate nacional, que se realizará em 2006. Uma disputa acirrada está em preparação; daí a importância de avaliações precisas e de adoção de medidas que garantam amplo apoio popular ao governo, na realização das mudanças e na efetivação de um projeto nacional democrático, popular, de inclusão social e afirmação da soberania do país. Tarefa dessa envergadura não terá êxito se não for respaldada por um amplo leque de apoio. “Nenhum partido tem condições de se impor sem alianças. O governo vai precisar reagrupar a sua base de sustentação, ser um governo de coalizão”, enfatiza Renato Rabelo. Fiéis a este pensamento, os comunistas que serão empossados em 1º de janeiro e todos os demais, que concorreram ou participaram das mais variadas formas na disputa municipal, têm presente as indicações da experiência desenvolvida desde a legalidade, em 1985. Os mandatos conquistados, tanto para o executivo quanto para os legislativos municipais, serão instrumentos para assegurar a melhoria da qualidade de vida do povo, o fortalecimento da democracia nos municípios e o êxito do projeto de mudanças no país.
|