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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 257

outubro/2004

 

 

CAPA

A batalha do segundo turno
EDITORIAL
A alta de juros, contra as aspirações
 

PCdoB

Segundo turno: ampliar e consolidar a vitória das forças progressistas
Vitória do governo Lula, com ação destacada do PCdoB
Ousadia e vitórias do PCdoB no primeiro turno
PCdoB dobra bancada
Unir forças contra a direita
São João do Carú elege comunista
A batalha para derrotar os conservadores
Jogo sujo
Eleger Pont e reafirmar mudanças
PCdoB elegeu 273 vereadores, 10 prefeitos e 28 vice-prefeitos*
Cartas
 

NACIONAL

Exército recua e lamenta morte de Herzog
Argumento estapafúrdio e golpista
Fim do Banco de horas
Ameaça de retrocesso
Cobrador acusado de receber propina é morto no litoral paulista
Importante vitória contra a desregulamentação da jornada
 

INTERNACIONAL

A visita do senhor Powell
Inspeção dentro das normas
Em busca de alternativas
Cresce a pobreza em Nova York
Eleição e mentiras
Tabaré é o favorito
A mancha da corrupção
 

ESPECIAL

Os 30 anos do Arquivo Edgard Leuenroth

 

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CAPA

A batalha do segundo turno
A prefeita é recebida com festa em encontro com professores das redes estadual e municipal 

As forças da mudança voltam a enfrentar os pregoeiros do atraso no dia 31 de outubro, no segundo turno da eleição municipal deste ano, que vai ocorrer em 44 municípios brasileiros, entre os maiores do país e que reúnem 22% do eleitorado. Será a ocasião de “desempatar” os resultados de 3 de outubro e decidir o resultado final do pleito. Nela, as forças progressista lutam para ampliar a vitória do primeiro turno e confirmar a derrota da direita conservadora. 

São Paulo será o palco da principal batalha, confrontando dois projetos de poder, o das forças democráticas e progressistas, que querem a reeleição de Marta Suplicy, e o dos saudosistas da década neoliberal, reunidos em torno da candidatura José Serra, do PSDB, partido que é o núcleo da direita reciclada e dos setores conservadores.

Outras batalhas significativas ocorrerão também em capitais e cidades grandes como Manaus, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador e Curitiba, e nelas as chances dos candidatos da base do governo Lula são expressivas. Em Manaus, a campanha do conservador Amazonino Mendes foi “reforçada” com o empenho do publicitário Egberto Batista e seu manancial de manobras sujas e de baixo nível. Egberto foi um dos principais marqueteiros de Fernando Collor de Mello, em 1989, e autor da baixaria de levar Miriam Cordeiro ao programa eleitoral, na campanha daquele ano. Egberto trouxe tática semelhante para a campanha deste ano em Manaus, aparentemente com pouco êxito pois há equilíbrio entre Amazonino Mendes e o candidato da forças progressistas e do PCdoB, o socialista Serafim Correa, cuja vantagem é ter aprovação ascendente pelo eleitorado, enquanto a de Amazonino cai. 

Em Fortaleza, a candidata petista Luzianne Lins passou incólume pelo primeiro turno sem ser atacada por nenhum candidato, chegou ao segundo turno e, unindo em torno de seu nome os setores progressistas da cidade, desponta como a candidata da base do governo Lula. Em Salvador, o carlismo, a corrente política do senador Antônio Carlos Magalhães, cacique do PFL, pode sofrer um sério golpe com a derrota de seu candidato, César Borges, para o pedetista João Henrique. Outra capital onde a base do governo disputa em boas condições é Curitiba, onde Ângelo Vanhoni (PT) tem chances contra o tucano Beto Richa.

A eleição deste ano – e particularmente seu segundo turno – ganhou um inegável sabor de teste para 2006 depois que importantes lideranças tucanas, entre elas Fernando Henrique Cardoso e o professor de filosofia José Arthur Gianotti passaram a difundir a tese, falsa, da necessidade de um contrapeso ao poder do PT e das forças populares, que consideram excessivo. Alegação que esconde a verdadeira motivação, como mostra o professor Wanderley Guilherme dos Santos (ver texto à pág. 5): o PSDB corre o risco de, nestas eleições, ser confirmado como um partido paulista. Daí a necessidade de eleger, para a prefeitura de São Paulo, um candidato de expressão nacional, como José Serra. Este talvez seja o principal sentido da batalha de São Paulo: na capital paulista, testam forças as duas correntes que disputarão o comando do país daqui a dois anos, aquela que pretende a continuidade do processo de mudança dirigido pelo presidente Lula, e a corrente dos saudosistas do neoliberalismo. 

 

EDITORIAL

A alta de juros, contra as aspirações de progresso

Dando continuidade ao movimento de retomada iniciado em setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juros em 0,5 ponto porcentual, que passaram a 16,75% ao ano. É a taxa mais alta desde de novembro de 2003. Com ela, o Banco Central cede às pressões do capital financeiro e mantem-se fiel à orientação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A decisão vai influir na taxa de crescimento de 2005 e foi duramente criticada pelos que defendem a retomada do crescimento econômico, com distribuição de renda. Mesmo o líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Professor Luizinho (PT-SP), avaliou a posição do Copom como de "certo exagero". A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou-a inadmissível pois torna "mais distante as possibilidades de solução para o grave problema do desemprego", e denunciou que o Copom trabalha "em sintonia com a especulação financeira e à revelia das expectativas de todos os demais segmentos da sociedade brasileira". A medida foi criticada inclusive por expressões do patronato, como o presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e ex-presidente da Fiesp, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, para quem "o que a economia brasileira está enfrentando não são pressões inflacionárias decorrentes do excesso de demanda."

As vendas de fim de ano também serão afetadas e a Federação do Comércio de São Paulo destacou que "os efeitos da elevação e mesmo da interrupção da trajetória de queda da Selic já podem ser notados", paralisando a melhoria que vinha ocorrendo no volume de crédito e nos prazos de financiamento.

"Inevitavelmente, o comércio sofrerá com isso", diz a entidade, para quem a alta da Selic "não se justifica como forma de conter a inflação, que se tem mostrado sob controle".

Para os brasileiros, a decisão mais adequada seria, ao contrário, a diminuição dos juros, incentivando o crédito, a produção e o desenvolvimento e, em conseqüência, possibilitando a geração de empregos e melhoria da renda dos trabalhadores. A alta do juro, ao contrário, diminui a capacidade de investimentos das empresas e afeta negativamente o crescimento da economia, piora a competitividade das empresas brasileiras no exterior, e aumenta os índices de inadimplência. Quando os juros sobem, são necessários mais recursos para pagar o serviço da dívida e o próprio governo se endivida mais para rolar os títulos.

O que se evidencia é a necessidade de que – ao contrário do que sinalizam as decisões recentes do Copom, de aumentar os juros – a orientação econômica do governo entre em sintonia com as aspirações de progresso, desenvolvimento e justiça social, com as quais o presidente Lula se comprometeu junto aos brasileiros.

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