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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 256

outubro/2004

 

 

CAPA

A luta para ampliar a vitória
EDITORIAL
FHC, um mestre da arte de iludir
 

PCdoB

Aurora Mazzo (1922-2004)
O proletariado perde um combatente
PCdoB quer sintonia com Lula
Comunistas apóiam Serafim
Vitória e acúmulo de forças
A vitória de Chaparral contra a oligarquia
Segundo turno difícil
João Henrique é reeleito
Operário, médico, comunista
PCdoB elege dez prefeitos em seis estados
A multiplicação dos votos
Avanço comunista nos legislativos municipais
 

NACIONAL

Cresce o acesso ao portal Vermelho
Esquenta o debate
Disputa equilibrada
Jandira sai da eleição como pólo progressista carioca
Gestão vitoriosa
A calamidade das águas no Brasil
Novos rumos
 

INTERNACIONAL

Duas Agendas
400 super-ricos são donos de 10% do PIB
Cobiça internacional
Quatro anos da intifada
República Popular comemora 55 anos
 

MOVIMENTO

Festa e luta pelo Brasil afora
A paixão revolucionária da juventude
Bancários enfrentam intransigência dos banqueiros
Servidores encerram campanha
Greve por tempo indeterminado
Sindicalistas perseguidos
 

ESPECIAL

Clássico da estratégia e tática revolucionárias

 

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CAPA

A luta para ampliar a vitória

As forças progressistas pretendem consolidar o resultado obtido em 3 de outubro

Luciana (de amarelo, ao centro) comemora, com eleitores, vitória no 1º turno
Olinda (PE) consagra Luciana

a Prefeita foi reeleita e garantiu maioria na Câmara

Os partidos que integram a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional foram os vencedores das eleições municipais.

No conjunto, os partidos governistas somaram 57 milhões de votos. O PT, principal partido no governo, foi o mais votado, com mais de 16,3 milhões de votos. A oposição ficou com 32 milhões de votos, e o PSDB, principal legenda oposicionista, com 15,7 milhões de votos. O confronto entre essas forças voltará a ocorrer nas 44 cidades onde haverá segundo turno, quando será possível confirmar a derrota da oposição conservadora e neoliberal, objetivo que exige um esforço redobrado das forças progressistas. É uma vitória necessária para melhorar as condições políticas que favoreçam a realização das mudanças que o país exige. 


Êxitos do PCdoB no primeiro turno

Secretariado Nacional do PCdoB

A primeira fase das eleições municipais que acaba de se concluir foi marcada pelo confronto entre as forças lideradas pelo presidente Lula e as forças da oposição conservadora. Esta polarização manifestou-se de forma concentrada na disputa entre o PT e o PSDB.

O resultado deste primeiro turno indica um desempenho positivo das candidaturas da base do governo. Agora, no segundo turno, para que se amplie e consolide a vitória obtida, é preciso repetir a performance da fase inicial, sobretudo em cidades importantes, como é o caso de São Paulo.

O Partido Comunista do Brasil – PCdoB –, integrante do campo político do governo do Lula, realizou uma grande campanha em um numeroso conjunto de municípios. Pela primeira vez lançou uma quantidade expressiva de candidatos a prefeito e vice-prefeito, além de várias chapas próprias a vereador. No âmbito de suas relações políticas, realizou um leque diversificado de alianças. 

Embora ainda não se tenha todos os números da participação do Partido, pode-se afirmar que o PCdoB obteve avanços em relação às eleições de 2000.

No que se refere à eleição de prefeitos, o PCdoB saltou de 1 (um) para 10 (dez) e, no caso de vice-prefeitos, de 7 para 27. Destes, 5 são de capitais: Recife, Aracaju, Rio Branco, Macapá e Boa Vista. Destaca-se a vitória conquistada em Olinda (PE), com a reeleição da prefeita Luciana Santos, já no primeiro turno.

Quanto ao número de votos para prefeito, houve um aumento significativo. Em 2000, o Partido obteve, com 26 candidatos, 382.827 votos. Em 2004, com 105 candidatos lançados, o número saltou para 889.065 votos. 

Em relação a vereadores, os dados disponíveis no momento registram uma ampliação dos votos e da presença dos comunistas nas Câmaras Municipais das capitais: o montante de votos foi de 546.060, 82,8% a mais do que o conquistado em 2000. Foram eleitos 21 vereadores em 16 capitais, enquanto em 2000 foram 18 em 14 capitais. O Partido obteve, pela primeira vez com chapa própria, o quociente eleitoral em 4 capitais. Nas cidades com mais de 150 mil eleitores, em 2000 foram eleitos 27 vereadores. Já em 2004 este número subiu para 39.

Destaque novo e positivo nestas eleições foi o lançamento de quatro candidaturas majoritárias em capitais: Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro e Teresina. Esta participação inaugura uma fase mais ousada do PCdoB de disputa por cargos executivos. Cada uma dessas candidaturas cumpriu, conforme a realidade local, o papel de dar mais visibilidade e força à legenda comunista e fortalecer suas lideranças.

Embora se sublinhem esses aspectos positivos, é preciso destacar o fato de o Partido não ter conseguido — como era o seu propósito — eleger prefeitos em capitais. No caso específico de Fortaleza, onde a probabilidade para esse intento era maior, o objetivo não foi alcançado especialmente porque a esquerda participou dividida, uma vez que o PT lançou candidatura própria.

Os dados acima analisados registram avanços e êxitos; contudo, por não ter elegido prefeito em capitais, pode-se afirmar, numa avaliação inicial, que o PCdoB obteve uma vitória modesta nesta grande jornada.

Embora ressaltem a influência danosa do poder econômico nesta disputa, os comunistas consideram as eleições em curso, por sua amplitude e a maciça participação do eleitorado, um passo a mais na direção do fortalecimento da democracia no país. 

Finalmente, o PCdoB reforça a necessidade do empenho redobrado do conjunto das forças progressistas pela vitória, neste segundo turno, dos candidatos do campo político liderado pelo presidente Lula. Ao derrotar as candidaturas da oposição conservadora, e garantir a vitória de seus candidatos, as forças avançadas criarão melhores condições para a realização das mudanças que o país precisa.

 

EDITORIAL

FHC, um mestre da arte de iludir

Fernando Henrique Cardoso, que já foi príncipe dos sociólogos e presidente da República, revela-se um mestre do sofisma – a arte de iludir – nos artigos dominicais em que acusa o governo Lula de autoritário e anti-democrático.

Sofisma, diz o dicionário lingüista Antonio Houaiss, significa raciocínio concebido para criar “a ilusão da verdade” que, simulando obedecer às regras da lógica, tem “uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.” 

Fernando Henrique e alguns outros intelectuais, tendo feito o mesmo trânsito do campo progressista para a direita reciclada do neoliberalismo, têm incorrido nesse tipo de argumento, buscando palavras que possam esconder a essência de sua opção conservadora e direitista e apresentá-la como o que não é: uma escolha progressista e avançada.

A última de FHC é o artigo “Serra e a democracia”, do dia 3 de outubro. Ele fala no risco “de se consolidar no Brasil um estilo não-democrático de utilização das regras democráticas”. Sofisticamente, reconhece que não há risco para a democracia, mas fala em “sinais inquietantes” de perda do sentimento republicano e acena com o fantasma do “partido único.”

FHC esteve à frente da Presidência da República entre 1994 e 2002, com apetite para ficar mais: naquela época, seus partidários defendiam sem pudor um projeto tucano de poder de pelo menos vinte anos! FHC fez tudo o que pôde para cumprir esse desejo hegemonista – comprou votos de parlamentares para aprovar sua própria reeleição; tratou como criminosos o movimento social, sindicalistas, grevistas e os lutadores pela reforma agrária, enquanto estendia tapetes vermelhos para os grandes financistas brasileiros e estrangeiros, para os latifundiários e para emissários de agências internacionais ou governos estrangeiros. Privatizou, desmantelou o aparelho de Estado, manteve artificialmente o real supervalorizado (cujas conseqüências danosas o Brasil sofre até hoje). Procurou convencer o país de que não havia outro rumo senão a inserção subalterna do Brasil numa globalização neoliberal impulsionada pelo imperialismo norte-americano. Desqualificou quem pensava de outra maneira, apontava outro rumo e denunciava as mazelas neoliberais. Governou para os ricos e – segundo denúncia feita ao jornal O Pasquim por um jornalista de suas relações – dizia que a modernidade não tem lugar para todos e uma parte da população teria mesmo que ser sacrificada.

Hoje ele lidera articulações para que esse projeto rejeitado pelos brasileiros volte ao controle da Presidência da República. E confessa que a “eleição de Serra ajudará a construção de um outro pólo, uma conjunção de forças sociais e de partidos, capaz de disputar as eleições de 2006”. Revela, assim, o objetivo real de suas arengas: reconstruir um pólo neoliberal para voltar a disputar a Presidência em 2006.

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