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A batalha pelo destino das
cidades e do país |
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A vitória dos aliados de Lula nas eleições vai garantir o caminho das mudanças |
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| Lula
em São Paulo: participação ativa na campanha eleitoral |
As eleições municipais se tornaram um embate entre as forças que buscam o caminho democrático, independente e soberano do país e, do outro lado, os que querem atrelar o Brasil à orientação neoliberal, subordinada aos ditames do capital internacional. As forças principais buscam acumular cacife político para as batalhas eleitorais maiores em 2006, quando serão eleitos o presidente da República, governadores e integrantes do Congresso Nacional e assembléias legislativas, levando à nacionalização das eleições municipais.
O PT e demais partidos que formam a base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputam, sobretudo nas capitais, com a oposição conservadora, capitaneada especialmente pelo PSDB/PFL, o núcleo da direita reciclada do país, a preferência dos eleitores.
Os partidos que integram o governo apresentam, também, suas identidades e propostas próprias, como é o caso do PCdoB. Ao tempo em que apóiam e participam do governo Lula, os comunistas defendem o aprofundamento da democracia, a distribuição de renda, a reforma agrária, a retomada do desenvolvimento sustentado, a afirmação soberana do país no cenário internacional. O PCdoB, mantendo seus objetivos programáticos, com uma política ampla e flexível, tem chances reais de eleger prefeitos em várias capitais e municípios e mais que dobrar sua bancada de vereadores em todo o país.
Em Fortaleza/CE, com Inácio Arruda; em Manaus/AM, com Vanessa Grazziotin; no Rio de Janeiro/RJ, com Jandira Feghali; e em Teresina/PI, com Robert Rios, o PCdoB apresenta candidatos próprios, além de disputar outras capitais com nomes do Partido para vice-prefeitos e apoiar candidatos de coligações que apóiam Lula em cidades como Recife, Aracaju, Rio Branco, etc. Os comunistas também apresentam nomes próprios em cidades de médio porte, como Olinda/PE, onde buscam a reeleição de Luciana Santos e disputam as prefeituras de Barra do Garças/MT, Ijuí/RS, Camaragibe/PE, dentre outras.
A nova fase do governo Lula, com a retomada do crescimento e melhoria nos índices de emprego e renda dos trabalhadores, permite maiores êxitos aos partidos do campo liderado pelo governo. Acumulam-se os fatores políticos favoráveis.
Como afirma o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, em artigo publicado nesta edição, “as novas forças políticas que compõem o governo da República buscam a vitória para sua consolidação; em contrapartida, as forças da oposição conservadora perseguem o êxito para lastrearem o caminho da sua volta ao poder central”. Páginas 5 a 9.
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O terror, a fome e o terrorismo da fome |
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De um lado Lula esgrimindo a bandeira do combate à fome e à pobreza. De outro, o presidente norte-americano George Bush e sua retórica anti-terrorista. Nova York foi cenário, no dia 20 de setembro, do embate entre duas formas diametralmente opostas de percepção da realidade mundial e seus conflitos.
Lula, na reunião da Ação contra a Fome e a Pobreza e na abertura da 59a. Assembléia Geral da ONU, além de outros compromissos importantes, foi enfático: “Da fome e da pobreza jamais nascerá a paz”. E defendeu uma globalização democrática, socialmente justa e que promova o desenvolvimento para mudar o cenário da insegurança coletiva, reduzindo “a ameaça do terrorismo e das armas de destruição em massa”. Aliás, disse, a fome é a maior das armas de destruição em massa. “O caminho da paz duradoura passa”, disse Lula, “necessariamente, por uma nova ordem internacional que garanta oportunidades reais de progresso econômico e social para todos os países”. No outro extremo, a ênfase do presidente norte-americano, George Bush, foi outra: a velha e repetida tecla do combate ao terrorismo. “Todas as nações devem lutar para destruir as redes de terrorismo”, disse ele em seu discurso Assembléia Geral da ONU. Embora tenha defendido a agressão militar norte-americana contra o Afeganistão e o Iraque, é possível identificar, em seu discurso, uma reação ao movimento articulado por Lula, pelos governos da França, Espanha e Chile, e pelo secretário geral da ONU, Kofi Annan. Bush fez questão de referir-se à ajuda norte-americana a países pobres que, segundo ele, alcança 5,6 bilhões de dólares (quantia irrisória face à pilhagem norte-americana no mundo e também ao astronômico orçamento militar do país, de 446 bilhões de dólares, ou 4,4% do PIB americano). Citou também programas de combate à aids e ao tráfico de pessoas, que considerou um dos problemas sociais mais graves da atualidade. São argumentos falaciosos – a “ajuda” aos países pobres pode ser questionada, o combate contra a aids só saiu depois de muito esforço dos povos, e o tráfico de pessoas pode esconder, na verdade, a verdadeira fobia do governo norte-americano contra migrantes pobres que procuram entrar em seu país. Enquanto Bush defende a guerra e a agressão contra os povos, a secretária de Agricultura de seu governo, Ann Veneman, manifestava, na reunião contra a fome, a verdadeira face do governo norte-americano, ao rejeitar qualquer medida para combater a pobreza a partir da taxação do capital e das multinacionais, do comércio de armas e da emissão de poluentes. A fome tem urgência. Lula, a ONU e os governos da França, da Espanha e do Chile estão – na campanha anti-fome – na contramão dos interesses financeiros que dominam a pauta política, econômica e social de nosso tempo. Essa não é, como o cientista brasileiro Josué de Castro já alertou há décadas, uma questão que possa ficar apenas na esfera do mercado, como quer o dogma neoliberal; seu enfrentamento exige a intervenção clara e direta do poder de Estado, e este é o sentido político da iniciativa do governo do presidente Lula. E que, rompendo as fronteiras brasileiras – onde o problema é extremamente grave – ganha dimensões internacionais.
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