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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 254

setembro/2004

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CAPA

Politizar a campanha eleitoral e mobilizar a militância
EDITORIAL
A auto estima dos brasileiros e a oposição sem rumo
 

PCdoB

Politizar o debate eleitoral, concentrar energias e reforçar a mobilização militante para garantir o projeto político do PCdoB
Contribuições na campanha eleitoral
Fundamental é o projeto político do Partido
Panorama nacional indica crescimento da esquerda
"Sou PT, voto Inácio 65"
Luciana cresce nas pesquisas
Candidatos a prefeito do PCdoB
 

NACIONAL

Um debate necessário e urgente
É preciso um projeto nacional
Resgatar o nacionalismo
Homenagem na Câmara
Geral e irrestrita, graças à mobilização popular
Erradicação
Corrupção atinge Amazonino
Marta lidera e é preferência na periferia
Metalúrgicos do Rio debatem projeto nacional
Previsão de folga para 2005
As heranças de Vargas
Sob as ordens do mercado
 

INTERNACIONAL

Carta de Arafat
Duas forças em confronto
Traços novos no horizonte
 

MOVIMENTO

CSC não avaliza projeto de reforma sindical do FST
O futuro da universidade
 

ESPECIAL

A melhor campanha da nossa história

 

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CAPA

Politizar a campanha eleitoral e mobilizar a militância


Fixar o 65 para eleger candidatos comunistas

A
análise do quadro eleitoral feita pela Comissão Política do PCdoB no dia 8, em São Paulo, constatou que a eleição de vereadores e prefeitos ocorre no momento em que a retomada do crescimento econômico (já se fala em 4% ou mais este ano) inaugura uma nova fase para o governo Lula, com reflexos diretos sobre o quadro político geral e a eleição. Em primeiro lugar, a oposição - que acusava o governo de incapaz e responsável pela estagnação econômica – teve que adotar outro discurso e passou a taxá-lo de autoritário.

Apesar desses argumentos absurdos e artificiais, o cenário atual indica uma tendência  favorável aos partidos da base governista. Em nove das onze capitais onde a decisão  poderá ocorrer já no primeiro turno delineia-se a vitória das forças progressistas.

Todavia, a qualidade política do resultado nacional destas eleições somente se evidenciará  no final de outubro uma vez que a decisão na maioria das capitais se dará no segundo turno. 

“Este é um quadro onde a campanha do PCdoB tem obtido boa receptividade e acolhida”, diz o presidente do Partido, Renato Rabelo. A votação comunista pode crescer e é possível mais do que dobrar o número de vereadores e conseguir  vitórias inéditas em eleições para prefeituras de capitais e outras cidades importantes.

A disputa, difícil e acirrada, é enfrentada com garra e determinação pelos comunistas, que vem acumulando grande experiência. A eleição deste ano é uma realidade nova para o PCdoB, pelo grande número de candidatos com que concorre: quase cinco mil em todo o país.

As candidaturas dos comunistas a cargos majoritários em cinco capitais e em dezenas de cidades do interior conduziram o PCdoB a um estágio novo na sua participação institucional. Novos e maiores desafios proporcionam o alargamento da visão e do relacionamento político do PCdoB.

O lançamento de um número maior de candidaturas a vereador, inclusive com chapas próprias, apresenta ganhos e problemas novos. Contudo, um acertado e antigo aprendizado dos comunistas nesse tipo de luta mantém-se atual: é necessário definir prioridades e concentrar esforços naqueles candidatos capazes de ter mais votos e, assim, eleger-se e ajudar a eleger outros, em particular nas cidades onde o Partido tem chapa própria na disputa para as Câmaras Municipais. Se o Partido, no âmbito local, não definir prioridades e concentrar esforços, correrá o risco de não eleger vereadores, ou eleger um número pequeno. É preciso valorizar os candidatos capazes de ter mais votos; não se pode tratar tudo por igual nem diluir a campanha dando peso igual a toda chapa de vereadores.

Outro desafio destacado pelos dirigentes do PCdoB é a necessidade de politizar a campanha.  Para tal é preciso mostrar aos eleitores o sentido nacional da disputa, que é consolidar a vitória das forças políticas que sustentam o governo. Somente estas forças novas serão capazes de assegurar uma administração democrática que garanta uma melhoria da qualidade de vida para o povo.

O êxito exige o engajamento da militância e a contribuição dos amigos e aliados. O entusiasmo e a dedicação à conquista do voto são decisivos na reta final.

Finalmente, as direções do PCdoB devem tomar medidas políticas para sustentar materialmente as campanhas, enfrentando as grandes dificuldades ainda existem neste aspecto vital das disputas eleitorais.

 

EDITORIAL

A auto estima dos brasileiros e a oposição sem rumo

A comemoração dos 182 anos da independência brasileira foi uma festa popular em Brasília, que teve a presença destacada do presidente Lula. Mesmo em cidades pequenas e médias do interior, a comemoração do 7 de setembro sempre foi uma oportunidade de congraçamento cívico. Marca popular que, abandonada nos anos de predomínio neoliberal, volta a ser fortalecida pelo governo federal.

Um dos objetivos da festa planejada pelo governo federal foi comemorar também o sentimento nacional dos brasileiros e incentivar a auto-estima do povo, em alta neste momento em que o país reencontra o caminho do crescimento.

O assanhamento conservador foi imediato. Eles perderam seus surrados argumentos da incapacidade do governo, que levava o país à estagnação, esquecidos dos desmandos de seu longo consulado, sob Fernando Henrique Cardoso, cuja incúria e desprezo ao país acumulou dívidas, desmontou o Estado nacional e cavou o poço da paralisia econômica e do retrocesso refletido na herança perversa que deixaram ao governo das forças populares e democráticas.

A oposição sugere que o governo promove retrocessos, e o artigo dominical de Fernando Henrique Cardoso revela o que esta expressão esconde. “O risco”, escreveu, “não está no ‘neoliberalismo’, mas nos sinais de aparelhamento do Estado e de um dirigismo econômico e político tão anacrônico e negativo para o desenvolvimento e para a democracia.”. Isto é, encaram como risco exatamente o que é uma virtude do atual governo, o esforço para recuperar a capacidade de investimento do Estado e de seu papel na promoção do desenvolvimento. A oposição conservadora procura recuperar a ofensiva, acusa o governo de autoritário e a reação à comemoração do 7 de setembro está inscrita nessa busca de argumentos contra o governo Lula. Os saudosistas do neoliberalismo defendem justamente aquilo que é um dos fundamentos de seu dogmatismo, o enfraquecimento do sentimento nacional. O refrão neoliberal rejeita o sentimento nacional e acusa Lula de repetir os ditadores do passado. O tucano Antonio Carlos Pannunzio, deputado federal e presidente estadual do PSDB de São Paulo, foi explícito: “A história indica que os regimes totalitários manobram o povo insuflando um nacionalismo exacerbado na população. Por isso, o ufanismo de Lula nos deixa apreensivos”. Um exagero que só pode ser atribuído à busca a qualquer preço de argumentos contra o governo por uma oposição que perdeu as bandeiras e está sem rumo.

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