|
|
|
Eleição 2004 |
|
Apoio a Lula favorece base
aliada |
|
Nova pesquisa mostra
crescimento na aprovação do governo |
 |
| O ministro do Esporte, Agnelo, e o presidente Lula inauguram fábrica em Feira de Santana, Bahia: retomada do crescimento |
A
oposição conservadora apostava em uma queda crescente e constante da aprovação popular do governo Lula. Tentou “nacionalizar” a eleição municipal deste ano, visando transformar seu resultado em uma condenação do Palácio do Planalto e em preparação de uma volta triunfante dos neoliberais em 2006. Cinicamente, responsabilizava Lula pela herança maldita deixada pelo governo Fernando Henrique Cardoso e da coalizão PSDB/PFL. Mas a divulgação da pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) mostra que a aprovação do governo pulou dos 29,4% de junho para 38,2% em agosto; por outro lado, a avaliação negativa caiu de 24,1% para 17,7%. Isto é, reverteu a tendência de queda dos últimos meses, com uma alta de quase 9 pontos percentuais na aprovação do governo. A aprovação do desempenho pessoal de Lula subiu, passando de 54,1% para 58,1% no período. São dados que refletem o desempenho positivo da economia nos últimos meses. As exportações levam a saldos recordes na balança de pagamentos; o emprego cresce (o desemprego medido pelo IBGE era, em abril, de 13,1% da população economicamente ativa e recuou para 11,7% em junho), embora a renda ainda não acompanhe a alta. O conjunto de realizações do governo e seu caráter democrático refletem-se na renovação da esperança popular em Lula.
Nesse quadro, a influência das questões nacionais no pleito municipal de fato ocorre, só que no sentido contrário do que a oposição vislumbrava: aprovação crescente do desempenho do governo favorece aos candidatos da base aliada. Em São Paulo, por exemplo, pesquisa Datafolha/Band mostra Marta com 30%, disparando à frente de José Serra, do PSDB, que tem 25%, e de Paulo Maluf (PP), com 19%. O resultado deixa claro que o presidente da República é um grande cabo eleitoral neste pleito e sua presença – e de seus ministros – nas campanhas ajuda a garantir a vitória de prefeitos e vereadores comprometidos com o projeto de mudanças.
|
|
|
|
|
|
A subserviência de Fernando Henrique |
|
|
|
Os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso rivalizam com qualquer outro período da história da República em termos de desmonte do Estado brasileiro e de subserviência a potências estrangeiras, opção antinacional e neoliberal confirmada por declarações feitas pelo ex-presidente no começo de agosto.
Recentemente, em artigo publicado em O Estado de S. Paulo o ex-presidente atacou o governo Lula dizendo que o esforço de recuperação da iniciativa do Estado e sua capacidade de intervenção na economia tem “a mesma inspiração arbitrário-estatal desenvolvimentista” dos governos militares, sobretudo do período do general Ernesto Geisel.
Para fornecer argumentos à tropa de choque PSDB/PFL para desgastar o governo Lula na campanha eleitoral, Fernando Henrique Cardoso investiu contra os “consórcios públicos” para ampliar a capacidade financeira dos governos para realizar investimentos, em debate no Congresso Nacional; atacou o projeto, também em discussão no Congresso, de criação das Parcerias Público Privadas (as PPPs); finalmente, como não poderia deixar de ser, condenou a política nacionalista e desenvolvimentista do BNDES.
Estes argumentos confirmam que, na frente democrática que lutou contra a ditadura, FHC compreendia “democracia” fundamentalmente como liberdade para o capital – tese que fundamentou a ação neoliberal de seu governo. O resultado já se sabe. A economia brasileira foi brutalmente desnacionalizada e o Estado debilitado. Sob um temporal de escândalos de corrupção, empresas estatais estratégicas foram privatizadas, além de mutilar e sufocar a nascente democracia brasileira, cortar direitos trabalhistas, impor regras eleitorais e partidárias restritivas e tratar a luta social “como um caso de polícia”, repetindo práticas da ditadura militar contra movimentos sociais, sindicatos e sindicalistas.
Além disso, o ex-presidente mantém sua atitude subserviente e abre espaços para a manifestação de interesses antinacionais, como ocorreu em 3 de agosto, quando o Instituto que leva seu nome promoveu um debate sobre as relações internacionais do Brasil de hoje. Ali ocorreu um fato de extrema gravidade: o funcionário do Departamento de Estado e embaixador nomeado dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich (que sequer havia apresentado as credenciais ao presidente Lula), com a intolerável desenvoltura de uma autoridade colonial, fez ameaças dizendo “o Brasil está numa posição alta nos radares” do governo Bush (isto é, está sendo observado com atenção). E que Fernando Henrique Cardoso logo passou recibo: defendeu a Alca, reiterou seu medo de atritos com a potência imperialista do Norte, e disse não ser nada bom entrar no radar do EUA. É uma posição oposta à prática do governo Lula, que busca consertar os estragos causados pela década neoliberal e toma medidas para reconstruir o Estado e os instrumentos de sua soberania.
|
|