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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 252

agosto/2004

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CAPA

Apoio a Lula favorece base aliada
EDITORIAL
A subserviência de Fernando Henrique
 

PCdoB

Garantir finanças para a vitória
Colocar a política no comando
Cidade mato-grossense tem uma das melhores campanhas do PCdoB
Propostas para uma cidade melhor
Adversários em dificuldades
Vento forte sobre Fortaleza
Comício reúne três mil
PCdoB cresce no estado
Comitê comunista
Cartas
 

MOVIMENTO

Estudantes debatem os rumos da mudança
Feminismo emancipacionista, compromisso partidário
CSC lidera chapa da CUT dos metroviários de SP
Ampliado prazo para anistia
 

NACIONAL

Romper o silêncio
Afonso Gil encontrado morto
Faleceu Marilda Soares
Governo pagará dívida de FHC
Emprego melhora; renda, nem tanto
O caminho do Brasil
Dois Rumos
Saudades da ditadura
Marta na frente
Adversários em dificuldades
Não é caso isolado
 

INTERNACIONAL

Comunistas colombianos visitam o PCdoB
Progresso chinês entusiasma Aldo
Epístola contra as mulheres
Bolívar, Martí, Bonifácio: identidades e diferenças
Entre Che e Homero
Crise à vista?
Reforma agrária radical
"Não regressar ao passado"
 

ESPECIAL

Resgate de uma história brasileira

 

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CAPA

Eleição 2004
Apoio a Lula favorece base aliada

Nova pesquisa mostra crescimento na aprovação do governo

O ministro do Esporte, Agnelo, e o presidente Lula inauguram fábrica em Feira de Santana, Bahia: retomada do crescimento

A oposição conservadora apostava em uma queda crescente e constante da aprovação popular do governo Lula. Tentou “nacionalizar” a eleição municipal deste ano, visando transformar seu resultado em uma condenação do Palácio do Planalto e em preparação de uma volta triunfante dos neoliberais em 2006. Cinicamente, responsabilizava Lula pela herança maldita deixada pelo governo Fernando Henrique Cardoso e da coalizão PSDB/PFL. 

Mas a divulgação da pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) mostra que a aprovação do governo pulou dos 29,4% de junho para 38,2% em agosto; por outro lado, a avaliação negativa caiu de 24,1% para 17,7%. Isto é, reverteu a tendência de queda dos últimos meses, com uma alta de quase 9 pontos percentuais na aprovação do governo. A aprovação do desempenho pessoal de Lula subiu, passando de 54,1% para 58,1% no período.

São dados que refletem o desempenho positivo da economia nos últimos meses. As exportações levam a saldos recordes na balança de pagamentos; o emprego cresce (o desemprego medido pelo IBGE era, em abril, de 13,1% da população economicamente ativa e recuou para 11,7% em junho), embora a renda ainda não acompanhe a alta. O conjunto de realizações do governo e seu caráter democrático refletem-se na renovação da esperança popular em Lula.
Nesse quadro, a influência das questões nacionais no pleito municipal de fato ocorre, só que no sentido contrário do que a oposição vislumbrava: aprovação crescente do desempenho do governo favorece aos candidatos da base aliada.

Em São Paulo, por exemplo, pesquisa Datafolha/Band mostra Marta com 30%, disparando à frente de José Serra, do PSDB, que tem 25%, e de Paulo Maluf (PP), com 19%. O resultado deixa claro que o presidente da República é um grande cabo eleitoral neste pleito e sua presença – e de seus ministros – nas campanhas ajuda a garantir a vitória de prefeitos e vereadores comprometidos com o projeto de mudanças.

 

EDITORIAL

A subserviência de Fernando Henrique

Os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso rivalizam com qualquer outro período da história da República em termos de desmonte do Estado brasileiro e de subserviência a potências estrangeiras, opção antinacional e neoliberal confirmada por declarações feitas pelo ex-presidente no começo de agosto.

Recentemente, em artigo publicado em O Estado de S. Paulo o ex-presidente atacou o governo Lula dizendo que o esforço de recuperação da iniciativa do Estado e sua capacidade de intervenção na economia tem “a mesma inspiração arbitrário-estatal desenvolvimentista” dos governos militares, sobretudo do período do general Ernesto Geisel.

Para fornecer argumentos à tropa de choque PSDB/PFL para desgastar o governo Lula na campanha eleitoral, Fernando Henrique Cardoso investiu contra os “consórcios públicos” para ampliar a capacidade financeira dos governos para realizar investimentos, em debate no Congresso Nacional; atacou o projeto, também em discussão no Congresso, de criação das Parcerias Público Privadas (as PPPs); finalmente, como não poderia deixar de ser, condenou a política nacionalista e desenvolvimentista do BNDES.

Estes argumentos confirmam que, na frente democrática que lutou contra a ditadura, FHC compreendia “democracia” fundamentalmente como liberdade para o capital – tese que fundamentou a ação neoliberal de seu governo. O resultado já se sabe. A economia brasileira foi brutalmente desnacionalizada e o Estado debilitado. Sob um temporal de escândalos de corrupção, empresas estatais estratégicas foram privatizadas, além de mutilar e sufocar a nascente democracia brasileira, cortar direitos trabalhistas, impor regras eleitorais e partidárias restritivas e tratar a luta social “como um caso de polícia”, repetindo práticas da ditadura militar contra movimentos sociais, sindicatos e sindicalistas.

Além disso, o ex-presidente mantém sua atitude subserviente e abre espaços para a manifestação de interesses antinacionais, como ocorreu em 3 de agosto, quando o Instituto que leva seu nome promoveu um debate sobre as relações internacionais do Brasil de hoje. Ali ocorreu um fato de extrema gravidade: o funcionário do Departamento de Estado e embaixador nomeado dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich (que sequer havia apresentado as credenciais ao presidente Lula), com a intolerável desenvoltura de uma autoridade colonial, fez ameaças dizendo “o Brasil está numa posição alta nos radares” do governo Bush (isto é, está sendo observado com atenção). E que Fernando Henrique Cardoso logo passou recibo: defendeu a Alca, reiterou seu medo de atritos com a potência imperialista do Norte, e disse não ser nada bom entrar no radar do EUA. É uma posição oposta à prática do governo Lula, que busca consertar os estragos causados pela década neoliberal e toma medidas para reconstruir o Estado e os instrumentos de sua soberania.

VERMELHO.ORG.BR