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| Em Manaus, Michiles, Eron, os ministros Alfredo Nascimento e José Dirceu, a candidata Vanessa Grazziotin e o vice-governador Omar Aziz |
Para o governo Lula, é fundamental que os candidatos da base aliada tenham uma vitória expressiva na eleição municipal de outubro, para impulsionar as forças comprometidas com as mudanças. O Brasil já viveu situação semelhante. Em 1985, quando o país mal havia saído da ditadura militar, a eleição para prefeito de capitais (depois de um prolongado jejum eleitoral) foi marcada pelo confronto entre os conservadores, avariados depois da vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, e as forças democráticas. Naquela conjuntura, a eleição de Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo teve repercussão nacional, sendo pretexto para o fortalecimento dos setores militares e conservadores do governo federal. Guardadas as proporções, a eleição de outubro poderá ter significado semelhante. Daí sua importância e a necessidade de fortalecer a corrente mudancista elegendo prefeitos e vereadores de suas fileiras. Importância sinalizada pela presença, em Manaus (AM), do ministro chefe do Gabinete Civil da presidência da República, José Dirceu, no comício de Vanessa Grazziotin (da frente Manaus Melhor, formada pelo PCdoB, PL, PT e outros partidos da base governista), em 23 de julho. E frisada por uma declaração do ministro: “quero voltar para Manaus, para a posse de Vanessa”. O cenário é de uma disputa acirrada em muitas cidades, grandes e pequenas, pelo Brasil afora. Em Fortaleza, pesquisas de opinião divulgadas em 25 de julho mostram a liderança de Inácio Arruda (PCdoB) com 28% dos votos. Em Recife, vislumbra-se a reeleição de João Paulo (PT), com Luciano Siqueira (PCdoB) como vice, situação semelhante à de Olinda, onde a candidatura comunista de Luciana Santos se fortalece. Contudo candidaturas do campo conservador se apresentam também competitivas. A exceção nessa ferrenha disputa é Aracajú (SE) onde a chapa Marcelo Deda (PT) e Edvaldo Nogueira (PCdoB) é franca favorita. O confronto também ocorre nas cidades pequenas médias, onde candidaturas comunistas disputam com chances reais de vitória - como Ijuí (RS) ou Barra do Garças (MT). São Paulo poderá ter, outra vez, papel decisivo, e é na capital paulista que se travará o choque principal; é ali onde a coalizão conservadora joga suas principais fichas, colocando o próprio ex-candidato oficial de 2002, José Serra (PSDB) para tentar derrotar Marta Suplicy (PT, PCdoB e vários partidos da base aliada) e, assim, procurar atingir o próprio presidente Lula. No Brasil moderno, com grande parte da população concentrada em cidades grandes (entre elas algumas megalópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro), as disputas eleitorais conjugam igualmente problemas locais, municipais, com as grandes questões nacionais. Em 2002, a eleição de Lula para a presidência da República representou a derrota das forças conservadoras, neoliberais, que dominaram o governo federal durante a década de 1990. É preciso confirmar agora, na eleição de outubro, aquele resultado e enfatizar a exigência popular por um programa de mudanças profundas na sociedade brasileira.
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