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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 250

julho/2004

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CAPA

A retomada do crescimento
EDITORIAL
O balanço dos 18 meses do governo Lula é positivo
 

PCdoB

O Brasil precisa de um PCdoB forte e influente 
PCdoB defende unidade partidária e delibera sobre voto dissidente
Homenagem a Pomar
Mais de 5 mil candidatos em campanha
Fortaleza: disputa começa acirrada
Manaus: festa comunista
Bahia: 466 candidatos a vereador 
“PCdoB entra na disputa eleitoral muito bem situado”
Olinda não pode parar 
Belém: aliança estratégica
Belém: aliança estratégica
Cartas
 

MOVIMENTO

Toda força à jornada de lutas pelas mudanças!
Metalúrgicos da CUT aprovam plano de lutas
Construindo a igualdade 
 

NACIONAL

Dez anos de Real: o Brasil está pior
Garantir verbas para Educação
Estreitando laços com Angola e Moçambique
Estudantes discutem reforma agrária
Levante contra o aumento do ônibus
Favela é cidade
Seminário sobre as idéias de Lênin
Escola na região Centro-Oeste
Caminhos de enxergar e apreciar a cultura
Aborto no banco dos réus
Porto Alegre tem Dia da Literatura e Folclore
Cidades históricas realizam fórum
Notas
 

INTERNACIONAL

Bola da vez do imperialismo
A face repressiva do governo fantoche
Os ricos, sempre mais ricos
O libertador do nosso imenso chão
 

ESPECIAL

O tempo não pára

 

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CAPA

A retomada do crescimento

Lula vê a notícia com otimismo e cautela

Lula inaugura fábrica de processamento de soja da Cooperativa Comigo, em Goiás

O noticiário econômico das últimas semanas desmente os pessimistas que previam o caos com o governo Lula. Ou a incapacidade de seu governo promover a retomada do crescimento da economia. Ao contrário, em um ano e meio de mandato, o governo pode comemorar a volta dos índices favoráveis, observados em quase todos os setores econômicos – uns melhores, outros nem tanto, mas todos positivos.

Aumenta o comércio exterior brasileiro, com as exportações alcançando 46 bilhões de dólares, um crescimento de 30% em relação a 2003. A soma dos últimos doze meses é de 83 bilhões de dólares, com um superávit também recorde de 29 bilhões de dólares. Notícias favoráveis saudadas por Lula no começo do mês, na solenidade de lançamento da Mina do Sossego, no Sul do Pará. Isso, disse o presidente, era “impensável por qualquer economista em janeiro de 2003”.

O grande herói das exportações é o agronegócio – soja, carne, frango, frutas – que, ao lado de industrializados como automóveis, calçados, aviões, ajuda a compor aquele número recorde. O peso das exportações é grande, e a Fiesp prevê que, este ano, as vendas externas alcançarão a marca de 25% do PIB nacional. Exportações que Lula garantiu serem uma das prioridades de seu governo, e que têm alcançado índices “extraordinários”.

Na outra ponta, o crescimento pode ser verificado também nos números exibidos pela indústria. Em São Paulo, por exemplo, as vendas da indústria cresceram 4,9% em maio em relação a abril, segundo dados da Fiesp. Em relação a maio de 2003, o número é mais vistoso, cravando 25,7%. E o acumulado deste ano soma 20,4% em relação ao mesmo período de 2003.

Segundo a Fiesp, os salários também cresceram, embora mais lentamente – em maio, aumentaram 0,9% em relação a abril, e 9% sobre maio de 2003.

Uma das conseqüências destes dados é a revisão, para cima, das previsões de desempenho da economia brasileira. A maioria dos analistas já concorda que, este ano, o crescimento do PIB será maior do que os 3,5% previstos inicialmente; há mesmo quem fale em 4% ou mais – números que o país não exibe há muitos anos. Na indústria, em todo país, o crescimento registrado em maio foi de 7,8% (em relação a 2003) e poderá fechar o ano em 6 ou 7%.

Lula comemora, com razão, estas boas notícias – mas com cautela, como deixou claro em seu programa de rádio quinzenal “Café com o Presidente”, transmitido em 12 de julho. Ele se declarou otimista mas cauteloso, consciente da necessidade “de trabalhar muito mais para que a economia cresça de verdade, de forma sustentada e duradoura”. E o problema é a lentidão da retomada do emprego formal que, disse Lula, não cresce tanto “quanto nós queríamos, mas é o maior crescimento desde 1992”.

Lula tem razão. O Brasil precisa crescer, e é legítimo comemorar a retomada.

Mas o crescimento que o Brasil precisa requer fundamentos sólidos e índices mais elevados, condizentes com seu porte e suas demandas. Só assim será possível alcançar, com mais eficácia e agilidade, a valorização do trabalho.

Coisa que ainda não está acontecendo no ritmo capaz de atender às necessidades dos trabalhadores brasileiros.

 

EDITORIAL

O balanço dos 18 meses do governo Lula é positivo

Ao fazer o balanço dos primeiros 18 meses de seu governo, no dia 5 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse sofrer quando vê “uma crítica na imprensa: é ministro que cai, é ministro que sobe, é ministro que é promovido, é ministro que não é promovido, todo santo dia. É por isso que eu aprendi uma coisa no nosso governo: a arte de governar é a arte de ter paciência. É a arte de não perder nunca a noção do tempo e do compromisso que você tem pela frente. Portanto, não é dado a nós o direito de perder a paciência, mesmo nos momentos de maior adversidade”.

O governo fez um balanço positivo, registrado no discurso do ministro José Dirceu, da Casa Civil, que lembrou a retomada do crescimento econômico e a recuperação industrial, a queda da vulnerabilidade do Brasil em 2004, o aumento das exportações e do saldo de conta corrente. A execução orçamentária evoluiu favoravelmente; em 2002, houve liberação de 45% do orçamento; em 2003, 43% e, em 2004, já foram liberados 61% do orçamento. Este ano, Dirceu anunciou, o governo vai realizar investimentos de 12 bilhões de reais.

Há também dificuldades, e uma delas é o salário mínimo, insuficiente para as necessidades do trabalhador. “O salário mínimo é baixo porque historicamente ele é baixo no país. Não se cuidou adequadamente do salário mínimo no país. É preciso ter calma, porque o povo é inteligente”, disse Lula.

O presidente lembrou que seu governo não poderia ter feito em 18 meses o que “outros não fizeram em 18 anos ou em décadas”. E, numa menção clara às campanhas para as eleições municipais, pediu “um confronto não só de idéias, mas também de realizações, de números”.

E há o que mostrar. O Brasil respira democracia. O movimento social é respeitado pelo governo central e o presidente não tem cedido às pressões da elite e da mídia para reprimir as manifestações populares, como no caso da luta pela reforma atrária. A política externa tem sido firme na defesa dos interesses do país e na busca de parcerias novas, que impeçam o aprofundamento da dependência. Os termos neocolonialistas pretendidos pelos EUA para o projeto da Alca| recebe firme resistência por parte do governo brasileiro. Na área de saúde, há os programas Farmácia Popular, Brasil Sorridente e o de Atenção às Emergências; o governo trabalha para combater as epidemias e endemias; já reduziu, por exemplo, o número de casos de dengue em 57%, em relação a 2002. Apesar das dificuldades, são fatos que permitem um balanço positivo do governo iniciado no dia 1º de janeiro de 2003.

VERMELHO.ORG.BR