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inaugura fábrica de processamento de soja da Cooperativa
Comigo, em Goiás |
O
noticiário econômico das últimas semanas desmente os pessimistas que previam o caos com o governo Lula. Ou a incapacidade de seu governo promover a retomada do crescimento da economia. Ao contrário, em um ano e meio de mandato, o governo pode comemorar a volta dos índices favoráveis, observados em quase todos os setores econômicos – uns melhores, outros nem tanto, mas todos positivos.
Aumenta o comércio exterior brasileiro, com as exportações alcançando 46 bilhões de dólares, um crescimento de 30% em relação a 2003. A soma dos últimos doze meses é de 83 bilhões de dólares, com um superávit também recorde de 29 bilhões de dólares. Notícias favoráveis saudadas por Lula no começo do mês, na solenidade de lançamento da Mina do Sossego, no Sul do Pará. Isso, disse o presidente, era “impensável por qualquer economista em janeiro de 2003”.
O grande herói das exportações é o agronegócio – soja, carne, frango, frutas – que, ao lado de industrializados como automóveis, calçados, aviões, ajuda a compor aquele número recorde. O peso das exportações é grande, e a Fiesp prevê que, este ano, as vendas externas alcançarão a marca de 25% do PIB nacional. Exportações que Lula garantiu serem uma das prioridades de seu governo, e que têm alcançado índices “extraordinários”.
Na outra ponta, o crescimento pode ser verificado também nos números exibidos pela indústria. Em São Paulo, por exemplo, as vendas da indústria cresceram 4,9% em maio em relação a abril, segundo dados da Fiesp. Em relação a maio de 2003, o número é mais vistoso, cravando 25,7%. E o acumulado deste ano soma 20,4% em relação ao mesmo período de 2003.
Segundo a Fiesp, os salários também cresceram, embora mais lentamente – em maio, aumentaram 0,9% em relação a abril, e 9% sobre maio de 2003.
Uma das conseqüências destes dados é a revisão, para cima, das previsões de desempenho da economia brasileira. A maioria dos analistas já concorda que, este ano, o crescimento do PIB será maior do que os 3,5% previstos inicialmente; há mesmo quem fale em 4% ou mais – números que o país não exibe há muitos anos. Na indústria, em todo país, o crescimento registrado em maio foi de 7,8% (em relação a 2003) e poderá fechar o ano em 6 ou 7%.
Lula comemora, com razão, estas boas notícias – mas com cautela, como deixou claro em seu programa de rádio quinzenal “Café com o Presidente”, transmitido em 12 de julho. Ele se declarou otimista mas cauteloso, consciente da necessidade “de trabalhar muito mais para que a economia cresça de verdade, de forma sustentada e duradoura”. E o problema é a lentidão da retomada do emprego formal que, disse Lula, não cresce tanto “quanto nós queríamos, mas é o maior crescimento desde 1992”.
Lula tem razão. O Brasil precisa crescer, e é legítimo comemorar a retomada.
Mas o crescimento que o Brasil precisa requer fundamentos sólidos e índices mais elevados, condizentes com seu porte e suas demandas. Só assim será possível alcançar, com mais eficácia e agilidade, a valorização do trabalho.
Coisa que ainda não está acontecendo no ritmo capaz de atender às necessidades dos trabalhadores brasileiros.
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