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BRASIL/CHINA |
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Uma parceria estratégica |

Os presidentes do
Brasil, Lula, e Hu Jintao, da China, assinam acordos em Bejing
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esperou voltar ao Brasil para comemorar o êxito da viagem à China e, num Café com o Presidente divulgado no dia 31 pela Radiobrás deixou claro seu entusiasmo com os resultados obtidos pela maior viagem ao exterior já feita por um chefe de Estado brasileiro, com uma comitiva de mais de 420 empresários, líderes políticos e diplomatas.
Lula foi enfático: “o balanço que faço é o mais positivo que um governante pode fazer de uma viagem internacional”. Ao sair do Brasil, disse, estava convencido de que “a viagem seria de total sucesso”, dado o interesse dos empresários chineses e brasileiros. Sucesso pelo interesse dos dois governos, disse Lula, em transformar as relações bilaterais em parceria estratégica. “Ora, havendo a vontade dos dois governos, fica mais fácil trabalhar com os empresários e convencê-los a fazer parceria com empresários chineses”. O Brasil produz coisas, disse ele, “que a China não produz, e a China produz coisas que o Brasil não produz. A China tem mais tecnologia em algumas coisas, o Brasil tem mais tecnologia em outras coisas”.
Não podemos, disse Lula, ficar “esperando que as pessoas apareçam para nos descobrir. Nós é que temos que viajar ao mundo e nos mostrarmos como somos e o que produzimos”. E a lista de possibilidades citada por ele é grande. Vai desde parcerias na área de software, à ajuda chinesa para o lançamento de satélites pelo Brasil; a ajuda brasileira à construção de aviões pela China; associação entre a Petrobras e a petroleira chinesa Sinopec, para procurar petróleo em outras terras, em outros mares; além do comércio, em que o Brasil pode vender açúcar, café, etanol, máquinas, carros, ônibus para a China.
A viagem, disse Lula, “certamente, vai render mais possibilidade de parcerias empresariais, conseqüentemente, mais geração de empregos. Ela vai render mais exportação do Brasil, conseqüentemente, mais produção dentro do Brasil, conseqüentemente, mais empregos e mais salários”. E concluiu: “é para isso que nós estamos viajando, para dinamizar a economia brasileira, para gerar empregos, para gerar riquezas”.
Mas o governo brasileiro não quer “apenas uma política de comércio de compra e venda”, mas uma “política chamada de complementaridade”, com uma dimensão estratégica. E esse foi o sentido da repercussão da viagem de Lula na imprensa internacional. Ela reflete a convergência que há entre Brasil e China a respeito de questões fundamentais da política internacional, como lembrou o presidente do PCdoB, Renato Rebelo e membro da comitiva presidencial, “Lula chegou a afirmar que o resultado dessa viagem abre o caminho para uma nova geografia política e econômica mundial”. Busca-se, disse ele, “uma parceria estratégica de longo prazo, propiciando um novo equilíbrio de forças no mundo” (leia matéria na página 3).
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Desenvolvimento contido |
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Os números divulgados pelo IBGE no dia 27 de maio sobre o crescimento da economia brasileira causaram euforia em alguns setores, e reflexão em outros. No último trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,6% em relação ao último trimestre do ano passado (ou 2,7%, caso o parâmetro seja o primeiro trimestre de 2003). Há quem tenha visto, nesse desempenho, a confirmação do acerto da política econômica vigente. Os críticos dessa política, por sua vez, assinalam que o crescimento veio apesar da rigidez ortodoxa vigente, e que o desempenho poderia ser melhor sob diretrizes mais favoráveis ao desenvolvimento. E que não se encantam com a perspectiva de crescimento anual anunciada, que contrasta vivamente com o desempenho da China (9,7% de crescimento no ano), da Malásia (7,6%), México (4,5%), Chile (4,5%) e Argentina (10%). Sob o longo período liberal de Fernando Henrique Cardoso ocorreram alguns espasmos estatísticos, sem fôlego para se sustentar; foram exceções num cenário desfavorável à retomada do crescimento, e que estiveram longe de atender às necessidades de desenvolvimento de um país do porte do Brasil. Os números anunciados também contrastam com os dados do mesmo IBGE que mostram o crescimento do desemprego em abril. Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, a desocupação atinge 13,1% da População Economicamente Ativa (PEA). É o índice mais alto desde que o Instituto começou a calculá-lo; é preciso registrar, ao lado disso, dados do Ministério do Trabalho que mostram o aumento de 1,5% do emprego formal na indústria, nas capitais, e 3% no interior do país. Finalmente, é preciso registrar que a reação da atividade econômica deve-se, sobretudo, aos setores da exportação e da agropecuária. E que reitera um aspecto tradicional da economia brasileira, o crescimento ancorado no desempenho de seu setor externo. Ele não pode ser desprezado, particularmente na situação atual em que a fragilidade externa compromete o equilíbrio econômico com a imposição de pesadas obrigações decorrentes do pagamento de juros, parcelas da dívida e remessas ao exterior. O desempenho externo representa, sem dúvida, precioso auxílio para restabelecer o equilíbrio das contas externas do país sem que este seja obrigado a recorrer a novos endividamentos, como ocorreu durante o período FHC. Este ano, as exportações poderão chegar a 86,5 bilhões de dólares, gerando um superávit comercial de US$ 28 bilhões. Entretanto, o Brasil encontrará a rota de um ciclo duradouro de crescimento, em patamares condizentes com suas demandas, entre outra medidas, com o fortalecimento de seu mercado interno, e os dados neste particular mostram uma recuperação tímida: segundo o IBGE, depois de 15 meses de retração, o consumo das famílias revelou um aumento de 1,2% no primeiro trimestre de 2004. Se a política econômica ortodoxa ainda não destravou o crescimento, a conjunção destes fatores – baixo consumo das famílias, desemprego e baixos salários – significa uma trava adicional cuja remoção exige uma política econômica que, voltada para o crescimento, o emprego e a valorização do trabalho, incorpore os 170 milhões brasileiros ao mercado consumidor.
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