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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 246

Maio/2004

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CAPA

Pacto nacional
EDITORIAL
Por uma solução negociada para o salário mínimo
 

PCdoB

Ademir da Guia, pré-candidato
Nádia Campeão inaugura escritório político
Comunistas preparam estratégia da campanha eleitoral
Marxismo, ciência e a lei da mais-valia
Para revolucionar a informação
Cartas
 

MOVIMENTO

A Conferência das Mulheres e o exercício da democracia
A cara do jovem brasileiro
 

NACIONAL

Briga de foice em São Paulo
Reforçar a idéia do pacto nacional
Espaço para o diálogo
PSDB e PFL liberam a jogatina
6,5 milhões de favelados
Mudanças na Lei Rouanet
Confisco
Comida para todos
A valorização do trabalho e o desenvolvimento nacional 
Distribuir terras para criar empregos
Senado discute mudança
Miséria atinge 33% da população
O plano da CNI para a retomada
Cântico de Kant
Balão coloca o Masco a 42 Km de altitude
Samba, patrimônio da humanidade
História do Negro no Brasil
 

INTERNACIONAL

Mercosul e Egito negociam acordo de livre-comércio
Um operário brasileiro na China
Incrementar as relações comerciais
Anotações de uma viagem à grande nação
Lá a saúde não é para todos
EUA renovam ameaças à América Latina
A derrota da direita
Segredos de Larry Rohter
 

ESPECIAL

Ideologia e política no cinema norte-americano*

 

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CAPA

Pacto nacional

Para vencer a crise, retomar o crescimento, criar empregos e valorizar o trabalho


Desenvolvimento, geração de emprego e distribuição de renda: desafios atuais
"Só um pacto nacional conseguirá evitar uma crise desse tamanho, se ela vier” – a frase do ministro da Casa Civil, José Dirceu, causou alvoroço. Ela foi pronunciada no dia 15, durante um jantar em São Paulo, onde estavam presentes 40 dos maiores empresários brasileiros.

Há um aspecto defensivo na proposta de José Dirceu que, precavidamente, vê sinais de crise na conjuntura mundial e indica a necessidade de uma articulação para enfrentá-la, “se ela vier”, como disse. E isso foi o suficiente para desencadear uma instrutiva troca de opiniões, através da imprensa.

De um lado, a oposição conservadora tenta minimizar os sinais de crise. O senador tucano Arthur Virgílio (AM) descarta a proposta. “Não precisa de pacto. Não tem crise alguma”, disse.

Já entre a base governista houve reações diferenciadas. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), diz que a declaração é “apenas uma análise conjuntural”. E acrescenta: o “Brasil precisa crescer acelerado, num ritmo maior”.

Para o ministro do Planejamento, Guido Mantega, a tese “não fragiliza” o governo, mas o fortalece ao propor a união em torno do desenvolvimento. Para ele, Dirceu falou “como uma precaução”, numa situação em que o governo está “pondo em prática uma boa estratégia para poder passar ileso por esta crise e continuar com nosso plano de crescimento, que aliás já começou.” A líder o PT no Senado, Ideli Salvati (SC) não se surpreendeu com a proposta pois, disse, este pacto vem sendo levado a cabo há meses pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Joaquim Levy, secretário do Tesouro, minimizou, por sua vez, a volatilidade atual dos mercados: “Está tendo uma chuva, um pouquinho de vento, mas acho que é passageiro”. E ele discorda do temor de José Dirceu de que uma eventual crise mundial afete o Brasil. “Nossa política econômica é muito segura”, garante. Outro que entrou no debate foi o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que concorda, em tese, com José Dirceu. É importante, afirmou, “fazer um planejamento de contingência”, como sugeriu Dirceu. E ressaltou: as decisões não são tecnocráticas, mas políticas, “porque é preciso ter a sociedade atrás”.

Celso Amorim tem razão. A decisão é política, e não tecnocrática. Os sinais de tempestade se acumulam. O preço do petróleo dispara, e o barril já superou a marca de 41,50 dólares; as bolsas de valores oscilam a cada solavanco da política internacional; no Brasil, o dólar sobe e desce e o risco Brasil (cuja baixa é essencial para lastrear a política econômica que busca atrair investimentos externos) vive numa montanha russa.

Um pacto social, neste quadro, não pode repetir experiências anteriores, onde o custo da crise foi jogado sobre os ombros dos trabalhadores, das empresas pequenas e médias, e do povo brasileiro. Por isso, o PCdoB conclama à construção de um “amplo movimento político e social, de caráter nacional, pelo desenvolvimento com base em uma plataforma comum que priorize os investimentos em infraestrutura e seja capaz de gerar empregos e distribuir renda”, para impulsionar a luta pelas mudanças, condição essencial para o êxito do governo Lula (Leia artigo de Renato Rabelo na página 3).

 

EDITORIAL

Por uma solução negociada para o salário mínimo 

Está para ser votada na Câmara dos Deputados a mensagem presidencial que fixa o salário mínimo em R$ 260,00. A mensagem, enviada na véspera do Dia do Trabalhador, 1º de Maio, causou frustração entre os trabalhadores e protestos de suas entidades de classe. Parlamentares da base governista apresentaram propostas com valores maiores e a bancada do PCdoB formalizou emendas fixando o mínimo em R$ 280,00 e estipulando parâmetros para futuros reajustes e aumentos.

A justificada reação deriva do irrisório reajuste e da quebra de expectativa ante o compromisso assumido pelo governo, de dobrar o valor do salário mínimo ao término de seus quatros anos de mandato. O presidente Lula, em sucessivas reuniões com seus principais ministros, buscou conceder um aumento maior.

Mas prevaleceu a lógica do Ministério da Fazenda, de absolutizar a austeridade fiscal.

O governo Lula está empenhado em ampliar a democracia. Isso passa pelo resgate de um efetivo papel do Congresso Nacional. Na reforma da Previdência, a proposta enviada pelo Executivo foi modificada, para melhor, pelos parlamentares. O mesmo se espera na questão salarial – uma abertura do Planalto para construir, com sua base de sustentação parlamentar e social, uma solução negociada.

O aumento do salário mínimo encerra um conjunto de conseqüências diretamente vinculadas às necessidades do país. Distribui renda e eleva a capacidade de consumo das famílias, fatores importantes para aquecer a economia e catalisar a retomada do crescimento com distribuição de renda. A dimensão social e econômica desse tema fica evidenciada pelo fato de cerca de 60% da População Economicamente Ativa ganhar até dois mínimos.

A hiper-concentração de renda no Brasil, de antigas raízes, muito piorou na última década, quando o país esteve sob a regência do modelo neoliberal. A oposição conservadora, liderada pelo PSDB e PFL, que agora pretende se apresentar como campeã da justiça social, não tem autoridade política para tanto. Esteve por oito anos no governo e o que fez foi aumentar o arrocho.

Um aumento maior do salário mínimo, mesmo que parcimonioso, e a reafirmação de compromissos para uma ascendente valorização do trabalho, além de desencadear uma reação positiva entre os trabalhadores, será uma sinalização concreta de empenho do governo pela retomada do crescimento e geração de empregos.

O governo e sua base parlamentar devem encontrar um desfecho condizente com os compromissos assumidos com o povo na campanha eleitoral. Esta é o vivo anseio existente entre os trabalhadores e os partidos e entidades que os representam.

VERMELHO.ORG.BR