
Desenvolvimento,
geração de emprego e distribuição de renda: desafios atuais
"Só um pacto nacional conseguirá evitar uma crise desse tamanho, se ela vier” – a frase do ministro da Casa Civil, José Dirceu, causou alvoroço. Ela foi pronunciada no dia 15, durante um jantar em São Paulo, onde estavam presentes 40 dos maiores empresários brasileiros.
Há um aspecto defensivo na proposta de José Dirceu que, precavidamente, vê sinais de crise na conjuntura mundial e indica a necessidade de uma articulação para enfrentá-la, “se ela vier”, como disse. E isso foi o suficiente para desencadear uma instrutiva troca de opiniões, através da imprensa.
De um lado, a oposição conservadora tenta minimizar os sinais de crise. O senador tucano Arthur Virgílio (AM) descarta a proposta. “Não precisa de pacto. Não tem crise alguma”, disse.
Já entre a base governista houve reações diferenciadas. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), diz que a declaração é “apenas uma análise conjuntural”. E acrescenta: o “Brasil precisa crescer acelerado, num ritmo maior”.
Para o ministro do Planejamento, Guido Mantega, a tese “não fragiliza” o governo, mas o fortalece ao propor a união em torno do desenvolvimento. Para ele, Dirceu falou “como uma precaução”, numa situação em que o governo está “pondo em prática uma boa estratégia para poder passar ileso por esta crise e continuar com nosso plano de crescimento, que aliás já começou.” A líder o PT no Senado, Ideli Salvati (SC) não se surpreendeu com a proposta pois, disse, este pacto vem sendo levado a cabo há meses pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Joaquim Levy, secretário do Tesouro, minimizou, por sua vez, a volatilidade atual dos mercados: “Está tendo uma chuva, um pouquinho de vento, mas acho que é passageiro”. E ele discorda do temor de José Dirceu de que uma eventual crise mundial afete o Brasil. “Nossa política econômica é muito segura”, garante. Outro que entrou no debate foi o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que concorda, em tese, com José Dirceu. É importante, afirmou, “fazer um planejamento de contingência”, como sugeriu Dirceu. E ressaltou: as decisões não são tecnocráticas, mas políticas, “porque é preciso ter a sociedade atrás”.
Celso Amorim tem razão. A decisão é política, e não tecnocrática. Os sinais de tempestade se acumulam. O preço do petróleo dispara, e o barril já superou a marca de 41,50 dólares; as bolsas de valores oscilam a cada solavanco da política internacional; no Brasil, o dólar sobe e desce e o risco Brasil (cuja baixa é essencial para lastrear a política econômica que busca atrair investimentos externos) vive numa montanha russa.
Um pacto social, neste quadro, não pode repetir experiências anteriores, onde o custo da crise foi jogado sobre os ombros dos trabalhadores, das empresas pequenas e médias, e do povo brasileiro. Por isso, o PCdoB conclama à construção de um “amplo movimento político e social, de caráter nacional, pelo desenvolvimento com base em uma plataforma comum que priorize os investimentos em infraestrutura e seja capaz de gerar empregos e distribuir renda”, para impulsionar a luta pelas mudanças, condição essencial para o êxito do governo Lula (Leia artigo de Renato Rabelo na página 3).
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