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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 244

Abril/2004

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CAPA

O desenvolvimento exige
a valorização do trabalho
EDITORIAL
1° de Maio – dia de luta e festa
 

PCdoB

Aproximação do Vietnã com o Brasil 
Cresce influência na USP
Estava em dia, ganhou viagem a Cuba
A Guerrilha do Araguaia renasce a cada dia
As conferências municipais e as assembléias de base
Cartilha orienta eleições 2004
Deputado comunista condena decisão sobre número de vereadores
Campanha por sede própria
Abril vermelho
Piauí investe nos comunistas do campo
ABC faz maior curso de formação
O combate marxista contra a farsa da ideologia econômica liberal
Cartas
 

MOVIMENTO

Ambiente propício para debater a reforma sindical
Salário mínimo terá aumento real 
 

NACIONAL

O Rio não vai se entregar
Faces da violência
Impagável e criminosa
Perigo no estuário do Amazonas
Prefeitura implanta 22 mini-áreas de lazer
O Brasil perde Lélia Abramo 
Fraco desempenho da economia amplia problemas políticos
Vitória das gestantes
Uma alternativa para a geração de empregos
Atentado contra sindicalista em Itabuna/BA
Em busca de uma nova ordem
Miséria atinge 33% da população
O plano da CNI para a retomada
Cântico de Kant
Balão coloca o Masco a 42 Km de altitude
Samba, patrimônio da humanidade
História do Negro no Brasil
 

INTERNACIONAL

Aproximação do Vietnã com o Brasil 
Vitória da revolução democrática nacional
Insurreição contra a ocupação
China quer mudanças contra males da globalização
 

ESPECIAL

Uma inevitabilidade histórica

 

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CAPA

O desenvolvimento exige
a valorização do trabalho

Na década neoliberal, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres,
realidade que a discussão do salário mínimo precisa levar em conta


A Classe Operário, em 1928 e hoje, está presente nas mobilizações do 1º de maio
O debate sobre o aumento real do salário mínimo ocorre num momento em que se acentua a exigência de mudança na economia e em que se assiste à divulgação de estudos sobre a profundidade do prejuízo da década neoliberal para os trabalhadores e o povo brasileiro. Estudos como o volume três do Atlas da Exclusão Social - Os ricos no Brasil, coordenado por Márcio Pochmann, e o Mapa do Fim da Fome II, da FGV, descrevem o tamanho da tarefa que o governo tem pela frente para atender ao desafio de retomar o crescimento e impulsionar o desenvolvimento com distribuição de renda.

Mostram, por exemplo, que o aumento do número de famílias ricas nos últimos vinte anos foi a contrapartida do aumento da pobreza. Em 1980, existiam 507 mil famílias ricas (com renda mensal média de 22 487,00 reais em valores atuais), ou 1,8% do total. Em 2000, eram 1,1 milhão de famílias, ou 2,4% do total. Em 1980, a renda média das famílias mais ricas era 10 vezes maior do que a das mais pobres. Em 2000, a renda dos mais ricos era 14 vezes maior, e eles tinham um terço da renda nacional e patrimônio correspondente a 75,4% do Produto Interno Bruto (PIB). A situação fica ainda mais grave quando se trata das 5.000 famílias mais ricas (apenas 0,001% do total), com 3% da renda e patrimônio de 45% do PIB. Em contrapartida, entre 1992 e 2002, auge do predomínio neoliberal, a renda do trabalhador caiu de 45% do PIB para 36%, levando a uma situação em que um terço dos brasileiros tem renda mensal inferior a 79 reais.

Neste quadro, a discussão de cada real de aumento sobre o mínimo é significativa: calcula-se que, para tirar aqueles 33% de brasileiros da miséria, bastaria uma contribuição mensal de 14 reais dos brasileiros afortunados que estão acima da linha de pobreza. Isso dá um total de 2 bilhões reais por mês.

O presidente Lula demonstra sensibilidade a essa situação. “Vivi metade da minha vida com um mínimo”, disse. Por isso, garantiu, quer “dar o maior aumento possível”, com a ressalva: “mas com responsabilidade nas contas públicas”.

A proposta da Confederação Nacional das Indústrias para a retomada do crescimento mostra que, ao contrário, os industriais brasileiros não têm sensibilidade semelhante. No documento entregue ao presidente, eles querem menor carga fiscal (menos impostos), juros baixos e dinheiro barato para investimento, numa visão míope que enxerga apenas os problemas da indústria sem considerar a necessidade de valorização do trabalho, do aumento da renda e fortalecimento do mercado interno na retomada do desenvolvimento. Sem sequer mencionar que, para haver desenvolvimento, será preciso tirar da miséria esse enorme contingente de brasileiros. Sem levar em conta a calamidade que é, no Brasil, a exploração do trabalho. 

 

EDITORIAL

1° de Maio – dia de luta e festa

O caráter da comemoração da data internacional dos trabalhadores foi mudando ao longo do tempo – sua marca principal já foi a luta; depois, mudou para a festa e, muitas vezes, para comemorações oficiais que consagravam a ação de governos.

A marca da comemoração, neste ano, será de luta. Festa e luta. Festa pelo regozijo da condição trabalhadora e comemorar aqueles que são os criadores dos bens necessários para a vida. Luta para garantir direitos alcançados nas lides do passado e conquistar novos.

Os promotores da manifestação marcada para a avenida Paulista, em São Paulo, esperam pelo menos 500 mil pessoas, e as outras capitais e cidades maiores também esperam manifestações massivas de trabalhadores sob a consigna o Brasil não pode esperar: é hora de crescimento e emprego. E que demonstrem, nas ruas e praças das cidades brasileiras, a exigência pela mudança na economia, colocando o país em um novo rumo de desenvolvimento, autônomo, soberano, que crie empregos e valorize o trabalho.

 




Neste primeiro de maio, o jornal A Classe Operária comemora 79 anos. É a mais antiga publicação brasileira voltada para os trabalhadores e para os lutadores pelo progresso social, sendo publicada desde 1925. Atravessou períodos difíceis. Enfrentou as ditaduras do Estado Novo e dos generais de 1964; foi dada como extinta mas persistiu, como o Partido Comunista do Brasil, do qual é o órgão central. Mesmo publicada em condições precárias – muitas vezes mimeografada ou copiada uma a uma nas velhas máquinas de escrever – o jornal foi orientação segura e precisa para aqueles que resistiam e lutavam pelos direitos dos trabalhadores, pela democracia e pela soberania nacional.

Hoje, nossa Classe vive uma fase de fortalecimento, e vai comemorar os 79 anos junto aos trabalhadores com uma edição especial para ser distribuída nas fábricas. E que terá uma tiragem recorde para um jornal operário e comunista brasileiro, superior a 500 mil exemplares.

VERMELHO.ORG.BR