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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 243

Abril/2004

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CAPA

Desmascarada ação da direita contra o governo Lula
EDITORIAL
EUA querem espionar a pesquisa nuclear brasileira
 

PCdoB

O exemplo dos metalúrgicos do RJ
Comemorações dos 82 anos
Surge a Rede Vermelha!
Ciência, Dialética e História
Abril vermelho no Ceará
Ianni, tigre do pensamento
Cartas
 

MOVIMENTO

CUT quer meio milhão nas ruas em SP
Todos às mobilizações de abril!
É hora da juventude; vamos preparar a avenida!
A campanha pelo voto aos 16
O 18º Congresso da ANPG
Por um novo modelo sindical progressista
 

NACIONAL

Armação contra o governo Lula
Jantar e reunião reforçam aliança
A ditadura foi um regime arbitrário,repressivo, antinacional e antipopular
Secretário negro denuncia discriminação
Fraco desempenho da economia amplia problemas políticos
Maria Adelaide Amaral, cidadã paulistana
Uma alternativa para a geração de empregos
Atentado contra sindicalista em Itabuna/BA
A paixão de Baco
 

INTERNACIONAL

Dissensos e consensos em Lima
Ganância dos capitalistas chega à Patagônia
Eleanor Marx, a filha d´O Capital
 

ESPECIAL

Os Códigos sob a pele das palavras

 

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CAPA

Desmascarada ação da direita contra o governo Lula

A descoberta da trama do subprocurador Santoro alivia a tensão no Palácio do Planalto, que reúne a tropa e segue em frente


José Dirceu: o alvo da direita
Forças da oposição conservadora, da direita e da grande mídia estão envolvidas numa armação para enfraquecer o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As fitas sobre o Caso Waldomiro Diniz foram parar de forma estranha nas mãos da revista Época, passando pelo gabinete do senador tucano Antero Paes de Barros, e os coronéis do PFL e do PSDB tentaram responsabilizar o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, pela falta de seu assessor infiel.

Na noite de 30 de março, novas fitas foram divulgadas, desta vez mostrando o primeiro "interrogatório" do bicheiro Carlinhos Cachoeira pelo Ministério Público Federal, na calada de uma fria madrugada em Brasília, ocorrido semanas antes do caso ter estourado na mídia. A revelação provocou uma reviravolta no caso, deixando claro o objetivo de atingir o ministro Dirceu e o governo Lula.

Participaram do complô o subprocurador-geral da República, José Roberto Santoro, o procurador Marcelo Serra Azul e o delegado da Polícia Federal, Giacomo Santoro.

O governo, por seu turno, procura se fortalecer para garantir a adoção dos novos rumos a que o país anseia. Primeiro, afinou os violinos, numa reunião, na noite de 24 de março, em Brasília, na casa do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, com os ministros José Dirceu, da Casa Civil, Antônio Palloci, da Fazenda, e Aldo Rebelo, da Articulação Política e Assuntos Institucionais. Depois, aqueles ministros seguiram para um jantar no apartamento do deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, com os líderes e presidentes dos partidos da base aliada. O governo confirmou então que os acordos acertados seriam mantidos, afastou dúvidas e especulações sobre a permanência do ministro Dirceu no cargo e que nova forma de convivência seria estabelecida entre os partidos e o governo. Foi decidida a criação de um Conselho Político com os presidentes de partidos da base aliada.

O governo retoma a ofensiva, une as forças. O embate vai demonstrando, para quem não queria – ou não sabia – ver, que este é um governo em disputa. E o objetivo da oposição conservadora e de direita é influir para evitar a mudança e para manter a política econômica que trava a retomada do desenvolvimento, a criação de empregos e a valorização do trabalho. 

 

EDITORIAL

EUA querem espionar a pesquisa nuclear brasileira

A pressão contra o Brasil pode subir nas negociações internacionais depois que os jornais Financial Times, a bíblia dos banqueiros londrinos, e o norte-americano The Washington Post colocaram em pauta um novo ponto sensível - a pesquisa nuclear brasileira. E a grita da imprensa internacional, fazendo coro com o governo dirigido por George W. Bush, tem um sentido claro: eles querem intrometer-se nessa pesquisa, descobrir o que os brasileiros fazem, impedir o desenvolvimento tecnológico autônomo do Brasil e bisbilhotar os equipamentos aqui desenvolvidos. O pretexto alegado pelo governo norte-americano é a necessidade de deter a proliferação das armas nucleares, exigindo o direito de fazer inspeções mais detalhadas do que as previstas pelos tratados internacionais assinados pelo Brasil, como se nosso país fosse um paria internacional.

Mas há razões mais prosaicas para essas pretensões. Hoje o Brasil gasta 19 milhões de dólares a cada 14 meses só para mandar enriquecer, no Canadá e na Europa, o urânio consumido como combustível em Angra 1 e Angra 2. Neste ano, usando tecnologia nacional – inclusive uma ultracentrífuga desenvolvida aqui, que gira levitando por efeito eletromagnético, com menos atrito, e é mais eficiente do que equipamentos semelhantes norte-americanos, europeus e japoneses – a fábrica das Indústrias Nucleares do Brasil, em Resende, começará a produzir o combustível nuclear para as usinas nucleares brasileiras.

No futuro, passará a exportá-lo para um mercado promissor, de mais de 12 milhões de dólares ao ano.

A ofensiva norte-americana contra nossa pesquisa nuclear também tem um sabor de espionagem, e não disfarça que seu objetivo é ter acesso aos segredos tecnológicos da fábrica de Resende que, justamente, é o alvo das pretendidas inspeções. "Trata-se", diz o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Beto Albuquerque, do PSB/RS, "da velha conversa americana que põe sob suspeita a posição pacífica do Brasil em relação à energia nuclear para conhecer a tecnologia alheia".

A descarada intenção neocolonizadora da nova ofensiva, que busca tolher a independência tecnológica nacional, esbarrou na resistência firme do Itamaraty e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lembrando que o Brasil cumpre rigorosamente suas obrigações internacionais e é um dos poucos países que incluiu em sua Constituição a proibição de ter armas nucleares, Celso Amorim disse que a questão de aceitar novas regras de inspeção "não tem prazo", e "deve ser analisada com calma e friamente, com relação ao conjunto de países, com relação a nossa tecnologia para, soberanamente, decidirmos no momento adequado". E repetiu a nota divulgada pelo Itamaraty assim que o assunto surgiu: "não vamos nos deixar levar por pressões externas e que são por sua natureza sem fundamento".

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