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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 242

Março/2004

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CAPA

O Brasil não pode esperar:
é hora de crescimento e emprego
EDITORIAL
É preciso mudar o modelo perverso
 

PCdoB

Edição especial para o 1º de Maio
82 anos pelo socialismo
PCdoB condena a escalada de violência na Palestina
Lênin: a demolição do ultraje à ciência social marxista
Um lutador imprescindível
Agenda
Cartas
 

MOVIMENTO

“Prepara uma avenida que a gente vai passar”
Centrais lançam campanha por 40 horas
Trabalhar menos para todos trabalharem
Milhões de manifestantes em todo o mundo
 

NACIONAL

Cassandras do caos
Jandira para o bem do Rio
O espião que veio para confundir
O golpe das elites contra a democracia
CPI da Evasão Fiscal vai pedir fim das contas CC-5
Ganhando dinheiro com a desgraça alheia
 

INTERNACIONAL

Um novo e definitivo impasse?
Para onde vai a economia mexicana?
Quem semeia ventos, colhe tempestade
Enfrentando Hollywood
 

ESPECIAL

Mais uma deusa nos céus

 

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CAPA

O Brasil não pode esperar:
é hora de crescimento e emprego

No programa é exibido um histórico do Partido

Um pequeno e simpático cinema de bairro foi o cenário escolhido para o programa de rádio e TV do Partido Comunista do Brasil, com transmissão marcada para 25 de março, aniversário de fundação do Partido. Em cartaz, no Cine Brasil, "PCdoB - 82 anos de luta", com um breve histórico da organização e os desafios que atualmente são enfrentados.

Com participação do vice-governador do Piauí, Osmar Júnior; do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo; dos deputados federais e candidatos a prefeitos Inácio Arruda (Fortaleza) e Vanessa Grazziotin (Manaus); do ministro do Esporte, Agnelo Queiroz; do presidente dos comunistas, Renato Rabelo, do vice-presidente da CUT, Wagner Gomes, dentre outros dirigentes e filiados o programa tem 10 minutos de duração.

Osmar Júnior comenta que "o presidente Lula recebeu do governo FHC uma situação difícil: a economia do país parada e dependente do capital estrangeiro, uma dívida muito grande e o povo enfrentando o desemprego, a violência e miséria. Mas, desde a posse, o novo governo tem trabalhado duro para mudar essa situação".

O ministro Aldo Rebelo lembra que "o governo Lula tem enfrentado os desafios, com sucesso, porque teve a capacidade de unir em torno de seu projeto de mudança praticamente todos os partidos democráticos. Respaldado por esse amplo apoio político e social, tenho a convicação que o governo vencerá as dificuldades e o Brasil caminhará para o progresso e para justiça social".

Numa cena em que conversa com o deputado Inácio e o ministro Agnelo, a deputada Vanessa diz que "para haver desenvolvimento, é preciso que o governo Lula, o nosso governo, adote um conjunto de medidas como a queda dos juros, investimentos na produção, na infra-estrutura e o aumento real do salário mínimo, para elevar o poder aquisitivo do povo".

Para o sindicalista Wagner Gomes, os trabalhadores são os maiores interessados nas mudanças prometidas pelo governo Lula: "Mudança, para nós, significa mais empregos, melhores salários. Sabemos que essas conquistas não caem do céu – são fruto da nossa luta. Por isso, conclamamos o povo à união, à mobilização para que o governo Lula conduza o Brasil para o caminho do desenvolvimento, do emprego e da distribuição de renda".

O líder comunista Renato Rabelo pontifica: "O PCdoB participa, desde 89, das campanhas que levaram Lula à Presidência. Temos honrado o compromisso de lutar pelo êxito do governo. Temos ajudado a realizar as mudanças que o país precisa. O governo conseguiu êxitos inegáveis. A política externa vem resgatando a soberania do país, o Brasil respira mais democracia. É por isso que aqueles que foram derrotados caíram no desespero e atacam o governo".

Abordando a situação econômica, Rabelo destaca que "o Brasil se encontra numa encruzilhada e o governo vive um momento decisivo. Os trabalhadores clamam por emprego. A nação exige desenvolvimento. Por outro lado, os banqueiros e o FMI pressionam para que a riqueza nacional seja consumida com juros e dívidas. O momento da escolha é agora. O governo Lula precisa reorientar a economia para que o país cresça, ofereça mais empregos e distribua a renda com justiça".

Além deste programa, o PCdoB também apresentará nas emissoras de rádio e TV 40 inserções de 30 segundos, durante abril, abordando as propostas do Partido para o Brasil crescer, gerar empregos e condições dignas de vida.

 

EDITORIAL

É preciso mudar o modelo perverso

Perverso. Esta foi a palavra usada pelo ministro José Dirceu para definir o atual modelo econômico. Ela foi pronunciada em um encontro sobre inclusão social e desenvolvimento realizado em São Paulo, onde o ministro-chefe da Casa Civil enfatizou também a necessidade da mudança nos rumos do país. O governo está criando as condições para um crescimento maior do que 3,5% ao ano, garantiu ele. O governo, disse, “está trabalhando para o país retomar o crescimento”. Mas, lembrou, “precisamos ir mudando o modelo brasileiro”.

O ministro exprimiu, na ocasião, um anseio que se acentua entre os brasileiros na medida em que o tempo passa. É preciso mesmo caminhar para outro rumo, buscar o caminho do crescimento e da distribuição de renda. José Dirceu reintroduz, assim, outro tema que precisa ser levado em conta: a questão da transição entre o atual modelo, herdado do governo Fernando Henrique Cardoso, e aquele definido no programa das amplas forças progressistas e avançadas que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 – o rumo de um desenvolvimento autônomo, que valorize o trabalho, amplie o emprego e aumente o bem estar dos brasileiros.

Há setores incomodados com a possibilidade de mudança. Eles estão encastelados nos bancos, nos interesses financeiros, e na grande imprensa brasileira cujo noticiário, nas últimas semanas, descreve um cenário de crise e paralisia do governo. São vozes interessadas nessa paralisia, desmentidas pelo ministro José Dirceu em seu pronunciamento naquele encontro. Para elas, não pode haver mudança ou transição para um modelo de desenvolvimento que supere o neoliberalismo em que prosperam. E conspiram para criar a situação favorável a seus desígnios. 

Por isso, alcançar um novo modelo não depende apenas do governo federal, sendo fundamental a participação da sociedade e do povo. José Dirceu fala em um pacto pelo desenvolvimento, e há uma grande maioria de trabalhadores, empresários, setores médios, que anseiam pela retomada do crescimento.

Trata-se de um apoio concreto, visível em todos os setores da sociedade brasileira. “O país tem problemas graves realmente, mas não podemos fazer aventuras nem pacotes, porque o país já passou por milagres, pacotes e o final sempre foi trágico”, disse o ministro. Ele tem razão: o governo anda sobre uma corda bamba. E, entre o aventureirismo e a paralisia, precisa construir de maneira sólida e consistente o caminho da mudança.

VERMELHO.ORG.BR