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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 240

fevereiro/2004

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CAPA

O governo contra-ataca
EDITORIAL
PCdoB rechaça campanha da oposição para desestabilizar o governo
 

PCdoB

Recife inaugura "Escola João Amazonas"
Aldo Arantes assume presidência
Buscar alianças e respeitar a diversidade brasileira
Santana do Acaraú tem prefeito comunista
Unir forças por um projeto nacional
Uma festa singela, mas significativa
Reta final para o 1º Encontro Nacional
Expansão do PCdoB
42 anos da reorganização
Agenda
Cartas
 

MOVIMENTO

UNE rejeita a “estatização” de vagas
CSC ganha eleição do Sindicato das Costureiras do RN
CCMS lança campanha pelo emprego
Organização, mobilização e mudança
Agenda de lutas dos sindicalistas
 

NACIONAL

Ataque a José Dirceu visa ‘domesticar’ o governo
Conteúdo Brasil
Volta ao passado
Efeito colateral
Tarefa histórica gigantesca
Lula defende mudança e quer novo contrato social
 

INTERNACIONAL

A OIT quer mudança contra o desemprego...
Desajustes da economia mundial
Chamas no Haiti
Ameaça de golpe na Venezuela
 

ESPECIAL

Alegria e protesto

 

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CAPA

O governo contra-ataca
Lula toma iniciativas para derrotar a ofensiva dos conservadores contra as mudanças
Dirceu (ao microfone) é alvo do ataque da oposição direitista
Foi uma ação rápida e surpreendente para os oposicionistas. O governo opôs uma barreira contra aqueles que, a pretexto de atos ilícitos do ex-assessor de José Dirceu, Waldomiro Diniz, no ano de 2002, quando era presidente da Loterj, no Rio de Janeiro, voltam suas baterias contra os que, no governo, defendem as mudanças.

Numa ação hipócrita, líderes do PSDB, como os senadores Antero Paes de Barros e Arthur Virgílio pedem a cabeça do ministro cuja ação é fundamental para o fortalecimento do governo e de seu programa de mudanças. E, como lembrou a filósofa Marilena Chauí, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, esquecem-se do passado. De seu próprio governo, os oito anos do tucanato de Fernando Henrique Cardoso, marcado por escândalos e durante o qual houve mesmo quem – luminar daquele campo ético – teve a duvidosa coragem de defender a tese de que a política é imoral, ainda mais em um sistema eleitoral como o nosso, que levaria a desvios de comportamento.

Na oposição, não manifestam tolerância semelhante – nem devem. Mesmo porque o governo atual também não tem essa tolerância descabida, como o presidente Lula mostrou no mesmo dia da publicação das denúncias contra Waldomiro, demitindo-o e mandando o caso para a polícia.

A questão, neste episódio, não é essa: o alvo dos expoentes tucanos é mais concreto do que declaram. O objetivo de sua manobra, na verdade, é enfraquecer aqueles que, no governo, buscam as mudanças. Em vão: na reunião do governo, na quarta-feira de Cinzas, ficou claro que o pretendido afastamento do ministro José Dirceu está fora de cogitação. Gol contra a manobra. Mais ainda, Lula e seus ministros definiram uma agenda política positiva, com um pacote de medidas sociais anunciado no dia 26. E também o envio à Câmara dos Deputados e ao Senado de iniciativas que contemplam, entre outros itens, a reforma política, para enfrentar o cerne do problema com a implantação do financiamento público das campanhas eleitorais. Outro gol contra a manobra conservador. E a nação espera do governo o gol de placa que marque a vitória das mudanças e derrote, de vez, as viúvas do neoliberalismo – a implantação imediata de medidas que tragam o desenvolvimento e empregos para os brasileiros, fortaleçam a democracia e a soberania do país.

 

EDITORIAL

PCdoB rechaça campanha da oposição para desestabilizar o governo

Aos últimos dias, tendo como móvel o escândalo Waldomiro Diniz e a pretexto de defender a ética, a oposição conservadora intensificou seu ataque político ao governo Lula. Esta ação corrosiva se realiza por intermédio de uma hipócrita campanha moralista cujo verdadeiro intento é imobilizar e desestabilizar o governo.

Tão logo surgiram as denúncias contra o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, o governo demitiu o acusado e determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito policial para rigorosa apuração dos fatos. O ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política e Assuntos Institucionais, ainda instituiu uma comissão para rastrear possíveis atos ilícitos de Waldomiro quando do exercício de suas funções. Por outro lado, tanto a Procuradoria-Geral da União quanto o Ministério Público Federal, no exercício de todas as suas prerrogativas, já estão livremente investigando o episódio.

Esta pronta reação do Palácio do Planalto em face de um fato grave desmascara a manobra oposicionista de manipular o episódio e fomentar uma crise de governo. Como ficou claro, a Presidência da República prontamente agiu e continua a agir em defesa da lisura, do combate à corrupção e da punição dos responsáveis.

A manipulação do bloco oposicionista fica patente na proposta de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). No geral não se nega o papel deste instrumento para o Congresso Nacional cumprir seu papel e suas tarefas.

Contudo, no caso em exame, o objetivo não é apurar a denúncia nem elucidar responsabilidades. A oposição, de modo irresponsável e antipatriótico, pretende com este expediente arrastar o país para a instabilidade, imobilizando o governo numa investigação redundante e sem fim. Nesse contexto, o Partido Comunista do Brasil a ela se opõe e alerta as forças democráticas para os prejuízos que tal CPI causaria aos interesses do país.

Ao buscar debilitar e desestabilizar o governo, a oposição procura atingir o seu núcleo de comando político. Por isso, os alvos privilegiados são as lideranças que têm se destacado no grande esforço de tornar realidade o compromisso do presidente Lula de mudar o Brasil. Em virtude disso é que se explica o ataque cerrado ao Ministro-Chefe da Casa Civil, José Dirceu. 

Justamente, pelo destacado papel de Dirceu no sentido de o governo sagrar-se vitorioso com a implementação de um novo modelo desenvolvimento, com geração de emprego e distribuição de renda, é que, ardilosamente, lideranças do campo neoliberal e veículos de comunicação a seu serviço estão a exigir o seu afastamento da Casa Civil. Trata-se de uma proposta descabida cujo objetivo é desmantelar o comando político do governo; dele se excluindo, precisamente, uma liderança leal ao presidente Lula e ao programa de mudança.

É necessário destacar, quando proliferam tantos arautos da moralidade, quando várias personalidades do PSDB e PFL, agora, apresentam-se como guardiães da ética, que a nação não se esqueceu da lista interminável de escândalos de corrupção que maculam os dois governos de FHC.

O acirramento da luta política no país e a agressividade com que passou a atuar a oposição têm motivações, todavia, que vão além do chamado escândalo Waldomiro Diniz. A posse do governo Lula desalojou do poder forças políticas que, ao longo dos anos 90, a década neoliberal, beneficiaram-se com ganhos fabulosos – ganhos estes que, a todo custo, buscam manter. Logo após a derrota de 2002 ficaram por alguns meses se refazendo do fracasso.

Hoje, já refeitas, reaglutinaram-se e, por representar os interesses de poderosos setores financeiros e econômicos do país e do exterior, têm razoável poder de fogo. Por isso é um erro grave subestimá-las ou se intimidar ante sua investida.

Essa oposição tem uma única obsessão: o fracasso do governo. Dessa maneira, a ela é uma temeridade constatar que ele continua a representar, para amplas camadas da nação, a esperança de um Brasil soberano, democrático e socialmente justo.

Este diagnóstico se torna ainda mais aterrorizante aos que tudo fazem pela derrota do governo quando se apresenta a possibilidade de uma vitória das forças lideradas pelo presidente Lula nas eleições de outubro próximo. No período anterior, o conservadorismo neoliberal não vacilou em usar as armas mais sujas para se manter no poder. Agora as utiliza para tentar obter um resultado satisfatório em 2004 e tentar a ele retornar em 2006.

Pelo exposto, o Partido Comunista do Brasil, por ter a convicção de que o governo Lula, apesar de dilemas e dificuldades, é a grande esperança da nação para o país conhecer uma nova e promissora etapa de sua história e por entender que a Presidência da República resolutamente adotou as medidas cabíveis para esclarecer e punir os implicados no já citado escândalo, rechaça este ataque da oposição conservadora para desestabilizar e imobilizar o governo. E conclama as forças políticas e sociais comprometidas com o êxito do governo a empreender sua defesa e impulsioná-lo a realizar as mudanças.

São Paulo, 20 de fevereiro de 2004.
O Secretariado Nacional do Partido Comunista do Brasil - PCdoB

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