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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 239

fevereiro/2004

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CAPA

Bush, carrasco dos povos
EDITORIAL
Dois caminhos
 

PCdoB

Comunicação do PCdoB se prepara para as eleições de 2004
Maior compromisso, maior responsabilidade
PCdoB de Santos resgata história dos comunistas na cidade
Vai se intensificar a interação entre as secretarias
Unir forças por um projeto nacional
Começa a mobilização para o Encontro sobre Partido
Intelectuais cariocas querem Jandira na prefeitura
Processo disciplinar
Adeus a Edson e Clarecinda
Agenda
Cartas
 

MOVIMENTO

Reforma pode fortalecer a organização sindical
20 anos de luta pela reforma agrária
 

NACIONAL

Tortura e ameaça ao ser humano
Sangue e morte em Minas Gerais
Uma mancha que perdura
Além da "inquietação acadêmica"
Novo comando no Ministério
Uma lei para unir todo mundo
Para aumentar a eficiência da economia
A ditadura de Gaspari
 

INTERNACIONAL

Braço-de-ferro entre EUA e América Latina
Guerra contra a privatização
Os ricos do mundo
A Luta Antiimperialista X Hegemonia Americana
 

ESPECIAL

O mundo ideal é o mundo da felicidade

 

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CAPA

Bush, carrasco dos povos
Presidente dos EUA usa a guerra como arma na luta pela reeleição
Bush: "Tomo decisões para os assuntos de política externa com a guerra em minha mente"
Sou o “presidente da guerra”, disse o mandatário norte-americano George W. Bush no dia 8 de fevereiro, em entrevista à rede de TV NBC, na qual defendeu a política do seu governo. “Sou um presidente da guerra. Tomo decisões na sala oval (da Casa Branca, em Washington) para os assuntos de política externa com a guerra em minha mente”, insistiu.

Bush aproveitou a comoção mundial causada pelos ataques de 11 de setembro em 2001 para invadir o Afeganistão e o Iraque. Não conseguiu impor governos estáveis a esses países e as tropas norte-americanas e inglesas – o governo norte-americano conta com o apoio da administração de Tony Blair, da Grã- Bretanha, nas suas criminosas ações guerreiras – amargam sucessivas baixas de seu efetivo invasor. Não conseguiu, também, liquidar a organização al Qaeda ou capturar seu dirigente, Osama Bin Laden, a quem responsabilizou pelos ataques de 11 de setembro ao Pentágono e às Torres Gêmeas de Nova Iorque.

Agora, em campanha eleitoral, Bush quer assoberbar os sentimentos belicistas do eleitorado conservador e satisfazer a indústria da morte, que o apóia – as eleições presidenciais norte-americanas vão ocorrer em 2 de novembro. Candidato à reeleição, o “presidente da guerra” tentou justificar a invasão do Iraque, acossado pela crítica que cresce depois que ficou clara a inexistência do pretexto para a agressão ao Iraque, as alegadas armas de destruição em massa que o antigo chefe do governo de Bagdá, Saddam Hussein, possuiria.

“Esperávamos descobrir armas, mas tomamos uma decisão de ir à guerra com base nas melhores informações possíveis. Nunca houve dúvida em mim de que Saddam Hussein representava um perigo para os Estados Unidos”, afirmou.
Os povos afegão e iraquiano mantêm bravamente a resistência aos invasores.

Mais de 500 soldados norte-americanos foram abatidos no Iraque, número que continua crescendo mesmo após a prisão de Hussein. Os EUA, contudo, não renunciam a seus objetivos imperialistas no Oriente Médio. Prevêem o recurso a unidades das forças especiais, comandos do exército e de infantaria, assim como o destacamento de um porta-aviões no mar de Omã para atuar na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. Os efetivos previstos chegam a vários milhares de militares na denominada “Ofensiva da Primavera”, que está sendo preparada. O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, alertou que as forças norte-americanas não serão autorizadas a entrar no Paquistão para atacar alegados membros da al-Qaeda que estariam na região. 

O mundo vive sob grandes ameaças com a política do governo de George W. Bush – governo expansionista e de força. Bush não leva em conta os organismos internacionais. Atropelou e desmoralizou a Organização das Nações Unidas e outras instituições com sua “guerra ilimitada”.

Com a guerra, mas também com as eleições de novembro em mente, o carrasco dos povos se declarou convencido de que será o vencedor: “Não vou perder. Não pretendo perder”, disse. Mas deixou de comentar, no entanto, na entrevista, o desafio que vai crescendo à sua frente, a candidatura do senador por Massachusetts, John Kerry, favorito nas primárias do Partido Democrata e nas pesquisas de opinião.

Como afirmou Haruko Moritaki, da organização pacifista Aliança Hiroshima pela Abolição das Armas Nucleares, “como a administração Bush implacavelmente se envolve em conflitos por todo o mundo em nome da erradicação do terror, ao invés de procurar a paz, ela somente assopra as chamas do ódio”.

 

EDITORIAL

Dois caminhos

Dá um caminho para o inferno e outro para o paraíso, dizem os religiosos, que os registram visualmente numa gravura que mostra uma alameda plana, bonita, larga e alegre, que vai direto para a morada do demônio, enquanto a trilha que vai para o céu é estreita, íngreme, triste e difícil.

O governo Lula encontra-se numa situação que pode ser considerada semelhante, preso aos compromissos de mudança e de retomada do crescimento, por um lado, mas atado igualmente a outros compromissos, pesados e concretos, que decorrem da imposição do cumprimento dos contratos que o leva a repetir o conservadorismo da política econômica do governo anterior.

O próprio presidente, em manifestações públicas recentes, mostra-se preocupado entre estes dois caminhos. De um lado, reafirma os compromissos com a retomada do desenvolvimento, como fez na inauguração da TV CUT, no dia 7 de fevereiro, onde garantiu que o emprego continua sendo a prioridade do governo, que será garantido pelo crescimento econômico e pela distribuição de renda. No dia anterior, em um encontro com o presidente mundial da General Motors, Richard Wagoner, ocorrido no Palácio do Planalto, o presidente brasileiro disse que não haverá plano Lula nem plano Palocci, e que o governo não fará “nenhuma aventura descabida”.

Isso tudo num cenário em que a dívida pública continua crescendo mais do que a produção de riquezas, levando o governo a pagar 145,2 bilhões de reais (9,49% do PIB) em juros da dívida no ano passado, correspondente a uma dívida líquida total do setor público de 913,1 bilhões de reais. Em relação ao PIB, os juros pagos superam – em muito – o superávit primário acertado com o FMI, cujo cumprimento leva a sucessivos cortes no orçamento da União, o bloqueio de 6 bilhões de reais anunciado pelo governo no começo de fevereiro.

Nesse cenário, mesmo um crescimento de 3,7% no PIB, como Henrique Meirelles, do Banco Central, previu para 2004, será pífio, e o ganho que ele representa será comido não só pelo compromisso do superávit primário, mas principalmente pelos juros que o governo deverá pagar no ano.

O país vai bem, mas o povo vai mal – esta constatação feita no passado por governantes como o imperador D. Pedro II ou o ditador general Emílio Garrastazu Médici, não serve mais para a situação atual. O correto, hoje, é dizer que o “mercado” vai bem, mas o país (e o povo) vão mal. Para alterar essa equação perversa, o governo precisa encontrar o caminho para um modelo econômico baseado no desenvolvimento nacional e na valorização do trabalho, com justiça e progresso social, pelo qual clamam as forças democráticas e progressistas e os empresários voltados para a produção e não para a especulação.

A opção entre aqueles dois caminhos não é simples, mas precisa ser feita de forma clara e afirmativa. Afinal, o governo precisa demonstrar que sabe, entre aquelas imagens, qual é o caminho do paraíso e o da condenação eterna. E, reconhecendo-o, escolher o rumo certo, mesmo que seja íngreme e difícil, mesmo que desagrade a forças poderosas que tentam demovê-lo de encontrar o rumo da mudança.

VERMELHO.ORG.BR