Fale Conosco | Marxismo + Brasil | Editorial | Busca: 

PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 237

Janeiro/2004

Clique na imagem para ver 
esta edição no formato PDF.

Caso você não tenha o programa, clique aqui  para baixá-lo.
 

CAPA

Falando grosso com os EUA
EDITORIAL
Não há mudança sem luta
 

CIDADES

Governo libera R$ 1,7 bilhão para saneamento
Olinda fervilha e retoma a organização popular
 

PCdoB

Intensificar a luta pela consolidação da perspectiva mudancista do governo Lula
Governo Lula é o caminho da mudança
Primeiro Encontro Nacional sobre questões de Partido
Agenda
Denise Carvalho é presidente do Fórum Nacional de Secretários de C&T
Haroldo Lima na diretoria da ANP
 

MOVIMENTO

João Batista e Umberto Martins: "Elevar o nível de consciência e de mobilização dos trabalhadores"
Olívia Santana apóia a luta dos peixeiros em São Joaquim
Mulheres, operárias e comunistas
Greve de professores em Caxias (MA) dura 140 dias
Condutores SP: sindicalistas da oposição são demitidos
Campanha antiindígena em Roraima
 

INTERNACIONAL

3º Seminário Político América Latina/Europa reuniu 17 partidos comunistas em Santiago do Chile
“Fiesta de los Abrazos”
Histeria antiterrorista nos EUA
 

CIÊNCIA

Aldo Rebelo: Os transgênicos e a síndrome do colonizado
Ciência, e não preconceitos
 

CULTURA

São Paulo 450 anos: uma plebe, um só coração
Seminário: “Cultura é uma questão de soberania nacional”
Norton Nascimento: Um “Zumbi” em briga pela vida
Tuca Siqueira é premiada em Recife
 

ESPECIAL

Clóvis Moura – historiador, sociólogo ...e poeta

 

FAÇA SUA ASSINATURA

Assinatura
12 edições - R$ 20,00

 
Nome:
Endereço:
Bairro: Cidade:
CEP: Estado:
Data de nascimento: dd/mm/aaaa
Telefone: Profissão:
Correio eletrônico:
 

Edições Anteriores

 
 

CAPA

CÚPULA DAS AMÉRICAS
Falando Grosso com os EUA

Na reunião de Monterrey, Bush encontra uma América Latina que se volta para a esquerda

A Cúpula Extraordinária das Américas, realizada em Monterrey, México, em 12 e 13 de janeiro, expôs – mais uma vez – a resistência ao imperialismo norte-americano, que cresce na América Latina. Ali estavam reunidos os chefes de Estado de 34 dos 36 países da região (apenas Guatemala e El Salvador não compareceram).

A reunião, convocada extraordinariamente pelo governo canadense devido justamente ao dissenso crescente entre os latino-americanos e os EUA, ocorreu sob a constatação, pela imprensa e institutos de pesquisa dos EUA, das dificuldades que o governo Bush encontra para impor sua pauta. Segundo o jornal Los Angeles Times, na Cúpula das Américas o presidente norte-americano se defrontaria com “uma liderança continental que deu uma guinada à esquerda e começou a falar grosso com os EUA, enquanto os povos da região perdem a fé no livre comércio”. Uma situação refletida por pesquisas de opinião recentes, segundo as quais 87% dos formadores de opinião latino-americanos tem avaliação negativa sobre Bush, enquanto entre o povo da região a aprovação aos EUA caiu de 67% para 53%.

A tradução concreta destes dados marchou pelas ruas de Monterrey, em manifestações contra a Alca e contra o imperialismo norte-americano. Mais de 70 organizações da sociedade civil organizaram atos de protesto e um Encontro Extraordinário das Américas paralelo, para apoiar ações de governo pelo desenvolvimento com igualdade. E teve uma expressão diplomática nos salões onde as reuniões ocorreram, protegidos pela cerca erguida pelos organizadores e pela polícia que ocupou as ruas da cidade.

 


A resistência ao imperialismo tomou as ruas de Monterrey

A oposição entre Brasil e EUA foi a marca do encontro. Em seu discurso, Bush expôs sua pauta: falou de terrorismo, instabilidade política e social na Bolívia e na Venezuela, a expulsão da OEA de países com governos corruptos e fez uma violenta diatribe contra Cuba. Mas o essencial era reafirmar janeiro de 2005 como data final para o acordo da Alca. O Brasil, por sua vez, era contra qualquer menção à Alca, e Lula insistiu, em seu discurso, em idéias que são verdadeiras heresias para os adoradores neoliberais da livre ação do mercado. “Chegou a hora”, disse Lula, “de resgatar e afirmar de uma vez por todas a primazia do interesse coletivo e da coisa pública nas Américas. Cabe ao Estado traçar políticas para reduzir o fosso entre a opulência e a miséria”, disse. E, em encontro privado com Bush, Lula tocou em um ponto hoje sensível na relação entre as duas potências regionais: a questão do tratamento dos turistas que visitam os dois países. Em reciprocidade ao tratamento dado aos brasileiros que visitam os EUA, o governo brasileiro adotou o fichamento dos norte-americanos que desembarcam no Brasil. Para resolver o problema, Lula propôs a Bush a eliminação de exigência do visto para viagens entre os dois países.

A declaração final da reunião, divulgada no dia 13, resultou de intensas negociações, e assinala um meio caminho entre as pretensões norte-americanas e as reivindicações dos países da região, representadas pela proposta brasileira. O essencial, para os EUA, era reafirmar, na declaração de Nuevo León (estado mexicano cuja capital é Monterrey), a data de janeiro de 2005 como data final para a conclusão das negociações sobre a Alca. Conseguiram apenas emplacar uma citação, sem registro de prazo, sobre a Alca.

 

EDITORIAL

Não há mudança sem luta

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva, das forças populares e progressistas do Brasil, começa seu segundo ano sob a exigência reforçada de colocar o país num novo rumo de desenvolvimento. E se, de um lado, há a impaciência de alguns setores que querem uma mudança abrupta; de outro há aqueles que, animados por uma certa melhora de perspectiva derivada de uma política econômica ainda ortodoxa, tendem a acomodar-se a ela.

Tanto a pressa voluntarista quanto a acomodação conservadora são caminhos que não correspondem à necessidade de mudanças nem refletem a situação real do país, nem do governo, que tem sido um governo democrático marcado pela disputa entre os setores mudancistas e os defensores da continuidade.

Mudança, compromisso maior da campanha eleitoral de 2002, significa troca de modelo de desenvolvimento, significa deixar para trás os dogmas neoliberais e seu cortejo de prejuízos para os trabalhadores e benesses para os privilegiados e aviltamento da soberania nacional. E que precisa ser superado por um rumo de desenvolvimento que contemple as necessidades do país e seu povo, com valorização do trabalho e com justiça social.

Não há mudança sem luta, é preciso enfatizar. A formulação e adoção de um modelo soberano de desenvolvimento não é apenas uma questão técnica ou administrativa. Ela é essencialmente política, e exige a alteração da correlação de forças no quadro político brasileiro. Desde o Congresso, com a consolidação de uma ampla coalizão parlamentar, até o fortalecimento do movimento popular. Em 2003, com a criação da Coordenação dos Movimentos Sociais, ele já começou a desempenhar esse papel. Mas, em 2004, é preciso um avanço maior na mobilização das massas para impulsionar as mudanças.

As massas percorrem seus próprios caminhos, aprendendo com a experiência vivida até chegar à consciência da importância de seu protagonismo. Os comunistas têm consciência de seu papel e se empenharão, juntamente com as demais forças democráticas, avançadas e progressistas, nessa mobilização.

VERMELHO.ORG.BR