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eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 foi saudada como acontecimento histórico do porte de outros como a Independência, a Abolição e a Proclamação da República, ou a Revolução de 1930. Além de, pela primeira vez, um operário e sindicalista ocupar a Presidência da República, aquela avaliação decorre também do fato de tratar-se de outro episódio da luta entre autonomia e dependência que vinca nossa história, numa situação de vulnerabilidade externa muito delicada. Estes doze meses iniciais do governo Lula reiteram a lição da história de que não há mudança sem luta. Não há exemplo, em nossa história, de transformações radicais em nossa organização política e sociais sem a constituição de amplas frentes de forças interessadas na mudança, e sem o protagonismo das massas. Foi assim na luta pela Independência, que se estendeu de 1821 a 1831, com manifestações de rua e uma guerra de verdade, que mobilizou mais tropas do que Bolívar em suas campanhas. A campanha pela Abolição marcou as décadas de 1870 e 1880, outra vez com povo na rua e intenso esforço parlamentar até sua conclusão em 1888; seu corolário foi a Proclamação da República, em 1889.
Em 1930, a velha República oligárquica e liberal ruiu, varrida pela conjugação de forças democráticas, criando as condições para que os trabalhadores brasileiros participassem do jogo político no país. Mas as forças do atraso, aliadas do imperialismo e que se nutrem da dependência externa, sobreviveram e continuaram ativas e influentes. A busca de um projeto de desenvolvimento autônomo foi derrotada pelos generais de 1964, apesar da tentativa frustrada de um relançamento do desenvolvimento, no período do general Geisel. A ditadura militar enfrentou forte resistência que voltou a ter, a partir da década de 1970, uma expressão de massas. Iniciada na periferia das grandes cidades, elevou-se no Movimento Contra a Carestia, tornou-se visível com a emergência das manifestações de estudantes, em 1977, e alcançou patamar mais elevado depois de maio de 1978, quando a volta de grandes greves operárias recolocou os trabalhadores no centro da luta política. Recoloca-se a necessidade de conjugação da ampla frente democrática, progressista e nacionalista, no Congresso, com a ação das forças populares e suas organizações de massas. A campanha pela Anistia teve essa marca; depois, a luta pelas Diretas Já cimentou o caminho para a derrota da ditadura no Colégio Eleitoral, em 1985 e a formação da Frente Brasil Popular em 1989 quando, pela primeira vez na história, um líder operário e sindical – o mesmo Lula que hoje governa o país –concorreu para valer à Presidência da República. Aquele movimento poderoso, entretanto, foi vencido pela eleição de um aventureiro, Fernando Collor de Melo e depois, por Fernando Henrique Cardoso que, egresso do campo oposicionista, prestou-se ao triste papel de “anti-Lula” e, na Presidência, conduziu o país à mais grave dependência externa de sua história. O país vive, hoje, sob o governo Lula, mais um capítulo da luta em defesa da nação. Não há mudança sem luta. O PCdoB ajudou a construir a candidatura Lula desde 1989 e orgulha-se de fazer parte de seu governo. E compreende que o desafio posto para os lutadores pelo progresso social é impulsionar o governo no rumo das mudanças que o Brasil precisa. Um desafio cujo desenlace poderá ser um feliz 2004, e abrir caminho para felizes 2005, 2006, e para o futuro. |