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PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 235

novembro/2003

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CAPA

EDITORIAL
60 Mil Comunistas
Alca: a batalha de Miami
 

NACIONAL

Cardápio à brasileira
Reajuste das bolsas de pós
Bloqueando a transição?
Um tema recorrente sem solução em curto prazo
Com esse presente não há futuro!
Senado aprova Haroldo Lima para diretor da ANP
Desemprego e informalidade
Marcha a Brasília
 

PCdoB

Unir o tempo político ao tempo econômico
Crescimento acelerado...
Conferências comprovam a onda vermelha
RJ: mais de 6.600 militantes
RN quer prefeitos aliados de Lula
Forró sergipano
Filiações em massa no Pará
Conferências comprovam a onda vermelha
Os comunistas no governo
Cem anos do partido de novo tipo
Santana do Acaraú tem o primeiro
Aliança contra Amazonino em Manaus
Agenda nacional do PCdoB
Cartas
 

MOVIMENTO

Ação contra a desigualdade
Desvantagens históricas
Encontro contra o racismo
Troféu Clementina de Jesus
O mais representativo Congresso da UBES
Educação não é supermercado
 

INTERNACIONAL

Um discurso carregado de ameaças aos povos
Contra a guerra e contra Bush
 

ESPECIAL

Nossa matéria é o ser humano

 

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EDITORIAL

60 Mil Comunistas
O balanço das conferências estaduais do PCdoB
registra número recorde de militantes em todo o país

O primeiro balanço das conferências ordinárias do PCdoB, encerradas em 21 e 22 de novembro, registra o crescimento sistemático do PCdoB nos últimos anos, como mostra a comparação com os dados de 2001, e do 4º Plano de Estruturação Partidária, de 2002 e 2003.

Foram eleitas novas direções estaduais em todas as 27 unidades federativas do país. 

O PCdoB tem quase 160 mil filiados, segundo dados divulgados pelo TSE em outubro passado. No atual processo de conferências, o Partido reuniu quase duas mil bases em todo o país e mobilizou 58.337 camaradas, um crescimento de 71,8% em relação a 2001. No 10º Congresso, em 2001, foram mobilizados 33.948.

Foi, sem dúvida, a maior conferência de toda a história dos comunistas brasileiros.

Destaca-se também neste processo o fato de o Partido ter realizado conferências em praticamente todas as 236 maiores cidades brasileiras, com mais de cem mil habitantes (apenas seis não o fizeram), mostrando o enraizamento do PCdoB nos maiores centros políticos e de concentração operária do país. Mas mais do que isso: foram filiados 36.352 novos comunistas. O grande desafio, para o Partido, será envolvê-los nos processos de estruturação partidária, nucleando a todos eles em uma organizações de base. Parte significativa da militância (60%) participou das conferências municipais ainda na forma de assembléia geral de filiados. O desafio, agora, é construir mais OBs em todo o país. O crescimento foi maior nos estados de Pernambuco (100,5%), Bahia (97,4%), São Paulo (94,5), Rio Grande do Sul (72,8%), Minas Gerais (68,2%) e Rio de Janeiro (57,2%).

O Partido consolidou também cerca de duas mil organizações de base em todo o país, que dão sinais de se reunirem regularmente; 1614 (82% do total) bases realizaram assembléias nos processos de conferências. Em outras palavras, de cada cinco bases existentes no país, quatro se reuniram este ano.

Hoje, o Partido está presente em 1.703 municípios; em 2001, estava em 1.030. Isso significa uma expansão da ordem de 65%. Dos Comitês Municipais existentes, 1414 realizaram conferências. Ou seja, 83% do total. O crescimento em relação a 2001, quando o PCdoB realizou 894 conferências municipais, foi de 58%. Em 2001, o PCdoB elegeu 921 dirigentes estaduais; nas conferências deste ano, foram eleitos 1250 – um crescimento de 38%. 

Estes dados permitem algumas conclusões iniciais. Em primeiro lugar, houve uma sensível interiorização do Partido; em seguida, houve pouca mobilização, e até estagnação, em algumas capitais, comparando-se com anos anteriores e mesmo com a mobilização do interior; depois, é possível constatar-se ainda a existência de uma pequena queda da inclusão de militantes em bases, o que pode ser explicado pelo grande crescimento extensivo do Partido; finalmente, os indícios mostram que há duas mil bases estáveis.

Em 2003, o PCdoB deu um salto – no número de filiados, no crescimento de sua militância, na sua organização e estruturação. Ele coloca grandes desafios para o Partido – os desafios do crescimento 

André Bezerra e Leujene Matogrosso

Alca: a batalha de Miami

A diplomacia brasileira, comandada, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro Celso Amorim, alcançou vitória expressiva na última Conferência de Ministros de 34 países reunida em Miami, Estados Unidos, para debater a implementação da Alca.

 

Nos moldes originais, a proposta "ambiciosa" dos EUA, a Alca caminhava irremediavelmente para o fracasso, como confirmam o resultado das recentes reuniões de Cancun e Port-of-Spain. Os EUA insistiam em não incluir na agenda negociadora os subsídios agrícolas e a legislação antidumping, levando o Brasil a retirar da agenda investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e serviços, temas que os norte-americanos queriam tratar no âmbito da Alca. Assim, o impasse estava dado, prevendo-se para a reunião de Miami a mesma sorte da Cancun e Port-of-Spain.

 

Foi nesse quadro que o chanceler Celso Amorim reuniu-se, no início do mês, com Robert Zoellick, o assessor comercial de Bush, e decidiram repactuar os termos da negociação. O Brasil aceitaria a retirada da agricultura e das regras antidumping da Alca e, em troca, os EUA aceitariam uma Alca em dois níveis. Um primeiro seria a assinatura pelos 34 países de um diploma único, denominado "Alca", onde entrariam os compromissos mínimos aceitáveis por todos; no outro, cada país poderia ou não assinar acordos com outros países, bilateralmente ou "plurilateralmente".


O novo acordo é uma vitória – ainda que incompleta e parcial – da estratégia do governo Lula para a Alca, conhecida como "três trilhos". Sem correlação de forças interna e externa para se retirar das negociações da Alca, o governo brasileiro optou pela tática de debater o conteúdo das negociações. Assim, os três trilhos seriam: a) negociar os "temas sensíveis" para o Brasil no âmbito multilateral na Organização Mundial do Comércio; b) instalar a negociação de um tratado de livre comércio (TLC) no formato 4+1 (Mercosul+EUA); e c) acordar uma Alca composta tão somente pelos compromissos mínimos aceitáveis por todos. 


Na reunião entre Amorim e Zoellick prevaleceram os três trilhos brasileiros – ainda que sem alarde, para não suscitar reações norte-americanas às vésperas da reunião de Miami. Afinal, além de jogar para a OMC os temas sensíveis, anunciou-se para o ano a negociação 4+1 e, por fim, estabeleceu-se a "Alca em dois níveis".


O chanceler Celso Amorim afirmou, em seu discurso na abertura da reunião ministerial da Alca, que o maior desafio nas negociações será a questão do acesso a mercados. "Conseguiríamos ter um progresso real se houver avanço no aspecto de acesso a mercados, mesmo numa situação de progressos em estágios", afirmou. A repactuação dos termos de negociação da Alca é uma vitória da política externa do governo Lula na medida em que a tática dos três trilhos preserva o interesse nacional de desenvolvimento e progresso."

VERMELHO.ORG.BR