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Não à receita do FMI
Disseram que o acordo foi renovado. Mas, Lula, da África, disse
que só haverá acordo se ele for favorável ao Brasil |
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Ao
anunciar a renovação do acordo com o FMI, no dia 5 de novembro o
secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy foi protagonista de
uma situação no mínimo inusitada. Trata-se do anúncio de uma
decisão de natureza estratégica, feita por um funcionário do
segundo escalão do governo federal, no momento em que o
presidente Lula estava fora do país, em visita à África. Anúncio
confirmado depois pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci e
pela vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, que veio ao
Brasil especialmente para ultimar aquele acerto.
A reação do presidente Lula foi imediata. "O governo vem dizendo
há algum tempo que o FMI precisa mudar de comportamento", disse
ele. "Não é mais necessário ficar exigindo que nenhum país faça
ajuste fiscal, mas que os países assumam um compromisso de
retomada do crescimento. Até porque o ajuste fiscal foi
fracassado na maioria dos países". E voltou a repetir que o
Brasil não precisa dos recursos do Fundo. "O Brasil
necessariamente não precisa fazer acordo com o FMI", nem "sequer
dos 8 bilhões de dólares que estão colocados a nossa disposição
no acordo passado." E reafirmou que, se “tiver acordo, será
apenas em dezembro, não é agora. Até porque eu preciso chegar ao
Brasil para ver quais são as propostas técnicas. Não é possível
ter um acordo com o presidente da República estando em
Moçambique”, esbravejou.
O presidente da República tem razão. Mesmo porque um novo acordo
com o FMI só terá sentido se ele favorecer a retomada do
desenvolvimento, se destravar os investimentos cuja retomada é
impedida pelo acordo que vence no mês de dezembro.
Esta é a condição para um novo acordo, lembra também o
presidente do PCdoB, Renato Rabelo. Recentemente, a Argentina
fez um acordo razoável, diz ele, que – pelo menos – "quebrou as
pontas mais agudas". E pergunta: "O Brasil poderá fazer um
acordo como esse, ou até melhor? O que não se pode é abrir a
guarda", conclui.
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Um outro
Brasil é necessário |
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"Um outro
mundo é possível, um outro Brasil é necessário" – sob esta
consigna, mais de 20 mil pessoas se reuniram em Belo Horizonte,
entre os dias 6 a 9 de novembro, para afirmar a exigência de
mudanças, dentro do espírito do Fórum Social Mundial, cujas três
primeiras edições ocorreram em Porto Alegre e que, em 2004, se
reunirá na Índia. A programação do encontro de Belo Horizonte –
a primeira versão exclusivamente brasileira do encontro mundial
– teve três eixos principais: a busca de alternativas para o
Brasil, o combate ao imperialismo e fortalecimento dos
movimentos sociais.
Uma característica distinguiu o
encontro de Minas Gerais dos demais, realizados no Rio Grande do
Sul: a presença ativa dos partidos políticos em convivência
frutífera com os movimentos sociais.
Foi um encontro mais politizado, trazendo à tona diferenças e
divergências existentes nos movimentos sociais e na esquerda
brasileira. E nele houve a afirmação de alguns consensos
importantes. A luta contra o imperialismo, contra a guerra e a
defesa da autodeterminação dos povos e da paz; a defesa da
soberania nacional, abordada de modo concreto na rejeição à
proposta dos EUA acerca da Alca e ao acordo com o FMI; a
reafirmação da necessidade de fortalecer os movimentos sociais;
a luta contra o latifúndio e o apoio à reforma agrária. Houve,
por outro lado, um confronto necessário e inevitável sobre a
avaliação do governo Lula e a definição da atitude e papel dos
movimentos em face do governo, polarizando os que erguem a voz
em defesa de um governo que descende das lutas deste próprio
movimento, e os que consideram o governo uma causa perdida, sem
apresentar nenhuma perspectiva consistente. E com os quais não é
possível conciliar: de forma estridente ou de modo sutil
semeiam entre os lutadores do povo brasileiro a descrença e, em
vez de lutar para impulsionar as reformas, acendem velas para
que se cumpra a profecia – oriunda do oráculo dos que perderam o
rumo –da derrota inevitável do governo Lula. Mas, apesar da
estridência destes setores,
prevaleceu amplamente o apoio ao governo no rumo das mudanças.
O
Fórum Social Brasileiro espelhou as virtudes, a diversidade, as
qualidades e, evidentemente, o estágio concreto do grau de
organização e consciência da militância política e social de um
país vasto como o Brasil. É preciso que se diga que, apesar das
divergências e diferenças, sua realização foi harmônica e o
conflito de idéias e posições políticas ocorreu num marco de
tolerância e democracia. E deixou a mensagem de que o
protagonismo da luta popular é imprescindível para impulsionar
as mudanças. Elas não terão forças para ocorrer se as avenidas e
as praças estiverem vazias de povo e de luta. Os movimentos
sociais foram decisivos para a vitória de 2002; agora, são
também imperativos para a vitória do governo e o avanço da
jornada libertadora. " |
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