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Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 234

novembro/2003

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CAPA

EDITORIAL
Não à receita do FMI
Um outro Brasil é necessário
 

NACIONAL

Dá para elaborar um projeto de desenvolvimento com o FMI...
Negociar para reduzir a cláusula de barreira
Haroldo Lima é indicado para diretoria da ANP
"A idéia de rachar com o governo é reacionária"
Jornada contra a Alca e o FMI
A guerra do esporte
Melhorar o corpo e a mente
Agnelo faz convênios na África
 

PCdoB

Construindo a Escola Nacional
Comunistas promovem seminário de cultura
Camarada Tom nos deixa
Fortaleza rumo à mudança
Time de comunistas na Amazonia
Entusiasmo em Alagoas
Amplitude no Piauí
Vice em Porto Alegre
Perpétua para prefeita
SP convida: ingresse no PCdoB
Rio quer Jandira prefeita
Oposição a Aécio em Minas
Paraíba em nova fase
Fortaleza quer união da esquerda
Grande acontecimento baiano
Pernambucanos festejam encontro
Construir as sucursais
Reduzir a jornada para criar mais empregos
Agenda nacional do PCdoB
Cartas
 

MOVIMENTO

20 de novembro, um dia de luta
Os movimentos sociais e o governo Lula
Etapas estaduais do congresso da Ubes
 

INTERNACIONAL

Solidariedade à resistência contra a guerra
Derrotas imperialistas
Brasil e Ucrânia unidos na exploração espacial
Satélite sino-braileiro já está em órbita
Marco significativo da colaboração com a China
 

ESPECIAL

"Não trabalho para o mercado, mas para transformá-lo"

 

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EDITORIAL

Não à receita do FMI
Disseram que o acordo foi renovado. Mas, Lula, da África, disse que só haverá acordo se ele for favorável ao Brasil

Ao anunciar a renovação do acordo com o FMI, no dia 5 de novembro o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy foi protagonista de uma situação no mínimo inusitada. Trata-se do anúncio de uma decisão de natureza estratégica, feita por um funcionário do segundo escalão do governo federal, no momento em que o presidente Lula estava fora do país, em visita à África. Anúncio confirmado depois pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci e pela vice-diretora gerente do FMI, Anne Krueger, que veio ao Brasil especialmente para ultimar aquele acerto.

A reação do presidente Lula foi imediata. "O governo vem dizendo há algum tempo que o FMI precisa mudar de comportamento", disse ele. "Não é mais necessário ficar exigindo que nenhum país faça ajuste fiscal, mas que os países assumam um compromisso de retomada do crescimento. Até porque o ajuste fiscal foi fracassado na maioria dos países". E voltou a repetir que o Brasil não precisa dos recursos do Fundo. "O Brasil necessariamente não precisa fazer acordo com o FMI", nem "sequer dos 8 bilhões de dólares que estão colocados a nossa disposição no acordo passado." E reafirmou que, se “tiver acordo, será apenas em dezembro, não é agora. Até porque eu preciso chegar ao Brasil para ver quais são as propostas técnicas. Não é possível ter um acordo com o presidente da República estando em Moçambique”, esbravejou.

O presidente da República tem razão. Mesmo porque um novo acordo com o FMI só terá sentido se ele favorecer a retomada do desenvolvimento, se destravar os investimentos cuja retomada é impedida pelo acordo que vence no mês de dezembro.

Esta é a condição para um novo acordo, lembra também o presidente do PCdoB, Renato Rabelo. Recentemente, a Argentina fez um acordo razoável, diz ele, que – pelo menos – "quebrou as pontas mais agudas". E pergunta: "O Brasil poderá fazer um acordo como esse, ou até melhor? O que não se pode é abrir a guarda", conclui.

Um outro Brasil é necessário

"Um outro mundo é possível, um outro Brasil é necessário" – sob esta consigna, mais de 20 mil pessoas se reuniram em Belo Horizonte, entre os dias 6 a 9 de novembro, para afirmar a exigência de mudanças, dentro do espírito do Fórum Social Mundial, cujas três primeiras edições ocorreram em Porto Alegre e que, em 2004, se reunirá na Índia. A programação do encontro de Belo Horizonte – a primeira versão exclusivamente brasileira do encontro mundial – teve três eixos principais: a busca de alternativas para o Brasil, o combate ao imperialismo e fortalecimento dos movimentos sociais.

Uma característica distinguiu o encontro de Minas Gerais dos demais, realizados no Rio Grande do Sul: a presença ativa dos partidos políticos em convivência frutífera com os movimentos sociais.

Foi um encontro mais politizado, trazendo à tona diferenças e divergências existentes nos movimentos sociais e na esquerda brasileira. E nele houve a afirmação de alguns consensos importantes. A luta contra o imperialismo, contra a guerra e a defesa da autodeterminação dos povos e da paz; a defesa da soberania nacional, abordada de modo concreto na rejeição à proposta dos EUA acerca da Alca e ao acordo com o FMI; a reafirmação da necessidade de fortalecer os movimentos sociais; a luta contra o latifúndio e o apoio à reforma agrária. Houve, por outro lado, um confronto necessário e inevitável sobre a avaliação do governo Lula e a definição da atitude e papel dos movimentos em face do governo, polarizando os que erguem a voz em defesa de um governo que descende das lutas deste próprio movimento, e os que consideram o governo uma causa perdida, sem apresentar nenhuma perspectiva consistente. E com os quais não é possível conciliar: de forma estridente ou de modo sutil semeiam entre os lutadores do povo brasileiro a descrença e, em vez de lutar para impulsionar as reformas, acendem velas para que se cumpra a profecia – oriunda do oráculo dos que perderam o rumo –da derrota inevitável do governo Lula. Mas, apesar da estridência destes setores, prevaleceu amplamente o apoio ao governo no rumo das mudanças.

O Fórum Social Brasileiro espelhou as virtudes, a diversidade, as qualidades e, evidentemente, o estágio concreto do grau de organização e consciência da militância política e social de um país vasto como o Brasil. É preciso que se diga que, apesar das divergências e diferenças, sua realização foi harmônica e o conflito de idéias e posições políticas ocorreu num marco de tolerância e democracia. E deixou a mensagem de que o protagonismo da luta popular é imprescindível para impulsionar as mudanças. Elas não terão forças para ocorrer se as avenidas e as praças estiverem vazias de povo e de luta. Os movimentos sociais foram decisivos para a vitória de 2002; agora, são também imperativos para a vitória do governo e o avanço da jornada libertadora. "

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