Fale Conosco | Marxismo + Brasil | Editorial | Busca: 

PCdoB
 

Vermelho.org.br - A Classe Operaria

Edição nº 232

outubro/2003

Clique na imagem para ver 
esta edição no formato PDF.

Caso você não tenha o programa, clique aqui  para baixá-lo.
 

CAPA

EDITORIAL
Onda vermelha
20.000 novos filiados ao PCdoB em três meses
Constituinte para o futuro, não para o passado
 

NACIONAL

Átomos para a soberania
O debate volta à tona
Festa Classista na Bahia
A volta de uma velha senhora
Prefeitura de Olinda entrega moradias populares
 

PCdoB

Fortalecer a soberania no governo Lula
Loja do B virtual
Nasi, do Ira!, no PCdoB
Péricles de Souza na Comissão Política Nacional
Desafios das conferências comunistas
A importância da “ficha de quadros”
Agenda nacional do PCdoB
Cartas
 

MOVIMENTO

A juventude espera “ação e atitude” do Partido
Lula recebe a UNE
 

INTERNACIONAL

Tensão crescente
A revolta do gás e da pobreza
Vale a pena o governo Lula renovar o acordo?
Missão Empresarial ao Vietnã
China lança vôo tripulado
Viagem a um país que constrói o socialismo
Vida difícil
 

ESPECIAL

Eles derrotaram a França e os EUA
Em busca da verdade
Governo cria comissão de alto nível sobre Guerrilha do Araguaia

 

FAÇA SUA ASSINATURA

Assinatura
12 edições - R$ 20,00

 
Nome:
Endereço:
Bairro: Cidade:
CEP: Estado:
Data de nascimento: dd/mm/aaaa
Telefone: Profissão:
Correio eletrônico:
 

Edições Anteriores

 
 

EDITORIAL

Onda vermelha
20.000 novos filiados ao PCdoB em três meses

 

Clique na imagem para ampliar
















U
ma onda de novas filiações faz o PCdoB crescer. Só nos três meses após a 9ª Conferência, encerrada no fim junho, são mais de 20.000 novos comunistas –lideranças populares e sindicais e políticos progressistas. Como os 43 operários que foram recebidos com festa no ato de filiação em Manaus, Amazonas, no começo de outubro. São 30 trabalhadores da Philips; dez da construção civil; dois rodoviários e um vigilante. João Levino, vice-presidente do PCdoB amazonense, comemorou: "não é todo dia que filiamos tantas pessoas. São filiados de qualidade, que enfrentam diariamente a luta de classes". Entre eles merece destaque Antônio Carlos Cabral, funcionário da Philips há 20 anos. Já foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, lutou nas greves, mas nunca pertenceu a partido político.

A situação é semelhante no Piauí, onde a campanha filiou reconhecidas lideranças políticas, sindicais e populares. Existiam 43 diretórios municipais, e agora são 120; filiaram-se dez presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais e cinco presidentes de associações comunitárias, além de 25 vereadores do interior.

Em Olinda, Pernambuco, a seqüência de filiações seguiu com a adesão do vereador João Dindo, líder do governo da Prefeitura Popular. Dindo (ex-PDT) é professor de matemática da rede estadual, antigo ativista sindical e líder comunitário de um dos bairros mais populosos, Caixa D'Água. "Esse é o partido das reformas, das mudanças e do socialismo. O partido que, através da prefeita Luciana Santos, pegou em 2001 uma cidade destroçada a renovou, com o apoio do povo".

A onda vai de norte a sul do país. Na gaúcha Gravataí o Comitê Municipal filiou no começo de outubro importantes lideranças, com destaque para os cinco diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública Municipal. Filiaram-se várias lideranças do serviço público municipal (psicólogos, professores, médicos).

Em São Paulo, o Comitê Municipal de Diadema, Grande ABC, conquistou a adesão do vereador Laércio Soares e de mais 50 lideranças populares. Destaca-se também a adesão do cantor Nasi, do grupo Ira!

No Rio de Janeiro há novas filiações em Nova Iguaçu, Valença, São Jesus de Itabapoana, Sapucaia, Carmo, Volta Redonda, Conceição de Macabu, Tanguá, Barra do Piraí e Sumidouro.

Além do grande número de novos filiados, a onda vermelha se traduz também no crescimento da presença institucional do Partido, que alcançou o número de 283 vereadores (19 em capitais, 44 em municípios com mais de 100 mil habitantes e 220 nos demais), seis prefeitos (um em Minas Gerais, dois no Piauí e três em Pernambuco), e 14 vice-prefeitos (dois no Acre, dois no Amazonas, um no Ceará, um em Goiás, quatro em Pernambuco, dois no Piauí, um em Roraima e um em Sergipe).

Constituinte para o futuro, não para o passado

O aniversário da promulgação da Constituição Cidadã – que fez 15 anos em 5 de outubro – se deu sob ataque dos neoliberais que colocam em dúvida sua legitimidade. Os ataques ocorrem a pretexto de denúncias feitas pelo ministro Nelson Jobim, do TSE, que confessou ter participado da inclusão de artigos que não foram votados.


Votada sob a mais ampla liberdade partidária de nossa história, inclusive com a atuação legal do Partido Comunista do Brasil, a Carta foi aprovada por 305 votos, derrotando o “Centrão”, que abarcava desde a direita do PMDB ao PFL e o PDS (partidos que apoiaram a ditadura). O “Centrão”, embora tenha conseguido barrar o registro de algumas conquistas – a principal delas talvez seja a reforma agrária –, não deu o tom da Carta, que consignou avanços democráticos, sociais e políticos.


Os conservadores, desde o primeiro momento, declararam-se inimigos da Constituição, que dizem estar na contramão em um mundo cada vez mais dominado pelo neoliberalismo. Constituição que, repetem, torna o “Brasil ingovernável”.


A direita não poupou esforços, nestes anos, para adequar a Carta a seu figurino, tornando-a um instrumento neoliberal. O marco principal destas tentativas foi a revisão de 1993/1994, derrotada pela resistência democrática, na qual o PCdoB teve papel de destaque.


O desvirtuamento da Constituição foi feito – ao longo do governo de FHC – à socapa, através de emendas constitucionais muitas vezes extorquidas no verdadeiro balcão de negócios em que o Parlamento foi transformado. FHC foi campeão de alterações: das 46 emendas constitucionais destes quinze anos, ele foi autor de 35, e mudou a linha da Carta, desfigurando a vontade constituinte da Nação representada no Congresso eleito em 1986. Alterou pontos importantes como a Previdência Social, o monopólio estatal do petróleo e o conceito de empresa de capital nacional, permitindo a inclusão nele de empresas estrangeiras “constituídas sob as leis brasileiras”; introduziu a abertura da navegação de cabotagem para navios estrangeiros, o fim do monopólio estatal de telecomunicações, a reeleição do presidente, governadores e prefeitos, abriu as empresas de comunicação ao capital estrangeiro etc.


Mesmo desfigurada, a Constituição continua inaceitável para o grande capital e para os agentes do imperialismo. Luiz Carlos Santos, do PFL, e Fernando Henrique querem uma miniconstituinte para reintroduzir a revisão constitucional derrotada em 1993/1994, dar a volta por cima depois da derrota eleitoral de 2002 e completar a blindagem neoliberal iniciada por FHC no final de seu longo período. O povo brasileiro precisa outra vez derrotar o dragão insaciável do conservadorismo e do atraso. Se o país precisar de uma nova Constituinte, será para ampliar a democracia, assegurar e aprofundar os direitos sociais e resguardar e fortalecer a soberania nacional. Uma Constituinte para o futuro, e não para o passado, como querem FHC e os ventríloquos do neoliberalismo. Uma Constituinte a ser convocada no momento e na circunstância em que for do interesse do povo brasileiro e não à mercê da conveniência daqueles que o voto popular derrotou em 2002.

VERMELHO.ORG.BR